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Manifestantes fazem beijaço em ato contra a homofobia no RJ

Ato ocorreu após a agressão de um casal gay no bairro de Laranjeiras, na zona sul do Rio de Janeiro

28 mar 2015
10h48
atualizado às 11h57
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Mulheres se beijam em ato contra a homofobia no Rio de Janeiro
Mulheres se beijam em ato contra a homofobia no Rio de Janeiro
Foto: Ellan Lustosa / Futura Press

Centenas de pessoas se reuniram na noite desta sexta-feira na Praça São Salvador, em Laranjeiras, zona sul do Rio de Janeiro, para um ato contra a homofobia, que contou com batucada, teatro, projeção de frases contra a homofobia e beijaço de casais homoafetivos. Eles jogavam muita purpurina, com gritos de "olê, olê, olê, olá, se a violência não acabar, na praça eu vou beijar".

A manifestação foi marcada após uma agressão ocorrida na madrugada do dia 1º de março, quando dois jovens jogaram uma garrafa em um casal gay que se beijava no local e direcionaram xingamentos. Outros casais que estavam dentro do Bar Casa Brasil reagiram com um beijaço e começou grande confusão, na qual foram atirados copos e garrafas.

Homem joga purpurina em ato
Homem joga purpurina em ato
Foto: Ellan Lustosa / Futura Press

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Membro do Grupo de Advogados pela Diversidade Sexual, Victor Comeira, explica que o protesto foi direcionado ao bar, porque ele falhou em garantir a segurança dos frequentadores. "O protesto é contra a LGBTfobia e também contra o estabelecimento, porque a postura deles foi irresponsável por continuar o serviço de bar com os instrumentos de vidro que eram usados como arma".

Para ele, é essencial e urgente que seja aprovada uma lei que criminalize a homofobia. "Essas condutas são tão nocivas que precisam de uma legislação específica para coibir a população de incorrer nelas. Seja pelo viés educativo, de trazer o tema à tona e refletir que realmente não é para ser homofóbico, seja trazendo penas mais duras, como já há de racismo – um crime específico para isso, com penas severas. Recentemente foi aprova a lei do feminicídio, para proteger a mulher que sofre por conta de ser mulher, que é uma condição natural, como é uma condição natural ser negro, como é uma condição natural ser homossexual ou transexual. Então, deve ter o mesmo tipo de proteção por parte do Estado para a gente".

O representante jurídico do Bar Casa Brasil, Marcos Fontenele, nega que o estabelecimento tenha tido alguma responsabilidade no episódio. "Não procede, é inimaginável que a gente desse copo para agredir outras pessoas. Algumas vezes as pessoas saem da mesa e vão fumar um cigarro lá fora, porque aqui dentro é proibido, e levam os copos".

Ele explica que a casa mudou o procedimento depois da confusão. "A partir de agora está vetado, se sair vai levar copo de plástico. Os dois grupos estavam aqui dentro, mas a confusão se deu lá na praça. O nosso posicionamento é contra qualquer tipo de discriminação. Colocamos aqui uma faixa de apoio à manifestação, coloquei uma nota na página da manifestação".

Evento foi convocado após a agressão sofrida por um casal na praça São Salvador
Evento foi convocado após a agressão sofrida por um casal na praça São Salvador
Foto: Ellan Lustosa / Futura Press

O psicólogo Eliseu de Oliveira Neto citou dados do Grupo Gay da Bahia, segundo os quais em 2014 foram registrados 326 assassinatos de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros no país, dos quais 22 no Rio de Janeiro.

"É muito importante ver a sociedade civil se mobilizando, protestando, participando de um evento como este, dizendo que chega, que a gente não aguenta mais ficar escondido, que a gente agora tem coragem de vir para a rua, de enfrentar, mostrar, tem toda uma população relegada ao preconceito, ao crime, à humilhação. Não é só morte, mas uma humilhação simbólica de não poder se beijar, se tocar, estar próximo do outro, e isso tem que ser combatido", ressaltou.

Na manifestação também foi lançada a plataforma online Tem Local (www.temlocal.com.br), que pretende mapear os locais onde ocorrem atos de agressão e homofobia. "A gente está em contato com São Paulo, para estabelecer o mapa da homofobia, onde as agressões têm se concentrado, para poder fornecer essas informações tanto para que as autoridade combatam quanto para que a comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) saiba onde estão, para poder garantir a sua segurança, já que a segurança do Estado está tão precária", destacou Victor Comeira.

No manifesto distribuído, o texto conclama: "Não calaremos! As mesmas bocas que beijam, começam a gritar. As mesmas mãos que acariciam, encherão de brilho todo lugar obscuro que perpetue o preconceito que fere e mata". A ideia é jogar purpurina em locais onde forem registrados atos de homofobia.

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Agência Brasil Agência Brasil
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