Mais um corpo com sinais de violência é encontrado em SP; ao menos 17 casos são investigados
Corpo localizado no Rio Pequeno, na zona oeste da capital, estava amarrado; secretário da Segurança Pública descarta atuação de 'serial killer'
Um corpo com sinais de violência foi encontrado no Rio Pequeno, zona oeste de São Paulo, totalizando 17 casos investigados de forma independente desde setembro; a atuação de um serial killer foi descartada pelas autoridades.
Um corpo com sinais de violência foi encontrado no Rio Pequeno, na zona oeste de São Paulo, na noite de quinta-feira, 22. Esse é ao menos o 17º caso registrado na capital e na região metropolitana desde o início de setembro.
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A Polícia Militar afirmou que foi acionada por volta das 20h50 para atender a uma ocorrência de encontro de cadáver na Rua Paulo da Silva, na altura do número 154.
No local, os agentes encontraram um corpo amarrado. A área foi isolada para a realização da perícia. O caso foi registrado no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP) informou, em nota enviada ao Estadão nesta sexta-feira, 23, que a Polícia Civil investiga de forma individualizada 17 ocorrências registradas como homicídio desde 5 de setembro.
Na capital, foram registrados 14 casos, incluindo o do Rio Pequeno, que estão sob responsabilidade do DHPP. Outros três ocorreram em Itapecerica da Serra, Diadema e São Bernardo do Campo e são apurados pelas delegacias locais.
"Até o momento, não há elementos que indiquem ligação entre as ocorrências ou uma mesma autoria. Os casos apresentam dinâmicas e circunstâncias distintas, e o uso de sacos plásticos ou tecidos em alguns deles, isoladamente, não permite estabelecer relação entre os fatos", afirmou a pasta.
A SSP também mencionou outros dois corpos encontrados na quinta-feira, nas zonas oeste e leste da capital, que são investigados como morte suspeita pelo 7º Distrito Policial, da Lapa, e pelo 69º Distrito Policial, de Teotônio Vilela. Segundo a pasta, nesses dois casos, as vítimas não apresentavam sinais de violência, e as investigações aguardam os resultados dos laudos periciais requisitados para esclarecer as circunstâncias das mortes.
Na quinta-feira, o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Nico Gonçalves, afirmou, em um vídeo publicado nas redes sociais, que não havia nenhum indício de que os casos registrados até então tivessem sido cometidos pela mesma pessoa, descartando a possibilidade de atuação de um "serial killer" (assassino em série).
Segundo o delegado-geral da Polícia Civil do Estado de São Paulo, Arthur Dian, todos os casos estão sendo investigados individualmente e, a partir da compilação dos resultados das investigações, a corporação também verifica possíveis semelhanças entre eles, mas nenhuma foi encontrada até o momento. "Nenhuma hipótese é descartada, porém nós estamos trabalhando para esclarecer todos os casos que nós tivemos conhecimento", disse.
Nico acrescentou que os casos também têm suspeitos diferentes e que alguns mandados de prisão preventiva já foram expedidos, sem especificar números. Até a última semana, a Justiça de São Paulo já havia decretado a prisão temporária de três suspeitos por envolvimento em algumas das mortes.
Uma das hipóteses investigadas é que o trio atuaria no chamado "tribunal do crime" do Primeiro Comando da Capital (PCC), espécie de Justiça paralela da facção.
A diretora do DHPP, Ivalda Aleixo, afirmou que, até o momento, as investigações apontam que os casos tiveram motivações diferentes. Entre as situações apuradas estão crimes sexuais e casos relacionados ao tráfico de drogas.
Nas últimas semanas, usuários têm levantado nas redes sociais a hipótese de que as ocorrências estariam ligadas à atuação de um possível "serial killer", sobretudo por conta da brutalidade dos casos. Algumas postagens sobre isso viralizaram em plataformas como TikTok e Instagram. Essa linha, porém, é descartada pela Polícia Civil.
"Não existe nenhuma evidência de que um serial killer está agindo em São Paulo", disse Ivalda em um vídeo publicado nas redes sociais no início deste mês.
Segundo a delegada, são casos com dinâmicas diferentes, que foram reunidos nas redes sociais porque alguns dos corpos encontrados estavam em sacos, cobertores ou tecidos. "Esse tipo de acondicionamento infelizmente é recorrente para transportar e ocultar cadáveres. Mas, isoladamente, não constitui a assinatura de um criminoso", disse.
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