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Justiça de SP determina suspensão de seis perfis de rede social ligados ao movimento 'red pill'

Decisão afirma que publicações no Instagram apresentam conteúdo misógino e determina preservação de dados dos responsáveis; 'Estadão' busca contato com a Meta

2 out 2026 - 21h47
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Resumo
A Justiça de São Paulo determinou a suspensão provisória de seis perfis no Instagram ligados ao movimento "red pill" e ordenou que a Meta forneça dados para identificar seus administradores. Movida pela Bancada Feminista do PSOL, a ação aponta a disseminação de conteúdos misóginos e incentivo à violência contra mulheres. A juíza Maria Cristina Bacarim avaliou que as publicações ultrapassam a liberdade de expressão ao ferir direitos fundamentais femininos, exigindo a preservação imediata das provas.

A Justiça de São Paulo determinou na quinta-feira, 1º, a suspensão provisória de seis perfis no Instagram apontados em uma ação civil pública como responsáveis pela divulgação de conteúdos ligados ao movimento "red pill". A decisão também ordenou a preservação de dados cadastrais e registros técnicos que permitam identificar os responsáveis pelas contas. O Estadão busca contato com a Meta, responsável pelo Instagram.

A decisão é da juíza Maria Cristina de Almeida Bacarim, da 40ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo. Os perfis atingidos são @homem_sagaz_oficial, @redflags.ofc, @mundo_redpill, @redpill.do.favelado, @redpilldasbraba e @sacerdote_escarlate.

A ação foi apresentada pela Bancada Feminista do PSOL na Assembleia Legislativa de São Paulo contra a Meta. As parlamentares pediram à Justiça a identificação dos responsáveis por perfis associados ao movimento "red pill" e a retirada das páginas do ar, sob o argumento de que elas disseminam conteúdos misóginos e de incentivo à violência contra as mulheres.

Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

Para a juíza, as publicações analisadas ultrapassam os limites protegidos pela liberdade de expressão ao atingir direitos como dignidade, igualdade, integridade física e psicológica e segurança das mulheres.

"Assim, considerando que a manutenção do material na plataforma renova seus efeitos e perpetua a difusão do conteúdo, pretende-se a indisponibilização das publicações individualizadas, assim como a suspensão dos perfis cuja atuação reiterada se encontra documentada", afirmou a juíza na decisão.

Ao analisar o pedido de urgência, a juíza considerou haver risco de que a manutenção do conteúdo nas plataformas prolongasse seus efeitos e dificultasse a responsabilização dos responsáveis. A decisão também aponta a possibilidade de perda de provas caso os dados não sejam preservados.

A Justiça deu prazo de dez dias para que a empresa responsável pela plataforma forneça os dados cadastrais e registros técnicos necessários à identificação dos administradores dos perfis. A suspensão provisória das seis contas deverá ser realizada em até 15 dias, e as informações deverão ser preservadas antes da entrega para evitar a perda de dados.

Estadão
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