Entenda o que levou à prisão de professora da Unicamp e os riscos de retirar amostras de laboratório
Professora foi presa sob suspeita de furtar material biológico de um laboratório da instituição
Uma professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foi detida sob suspeita de furtar material biológico de um laboratório da instituição. O caso tramita em sigilo na Justiça Federal, enquanto a universidade instaurou uma sindicância interna para investigar os fatos.
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Veja abaixo o que já se sabe sobre o caso:
O que aconteceu?
A pesquisadora argentina Soledad Palameta Miller, de 36 anos, professora doutora da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, foi presa sob suspeita de furtar material biológico do Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada, ligado ao Instituto de Biologia da universidade. Segundo a EPTV, que obteve acesso ao termo de audiência, o item levado seria um vírus. O processo corre sob sigilo na 9ª Vara Federal de Campinas.
Quem realizou a prisão?
A prisão foi efetuada pela Polícia Federal na segunda-feira, 23, durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça Federal. Após ser detida em flagrante, Soledad chegou a ser levada para a Penitenciária Feminina de Mogi Guaçu (SP), mas foi liberada no dia seguinte, após audiência de custódia.
Quais crimes estão sendo investigados?
Segundo a Polícia Federal, os crimes apurados incluem furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de organismo geneticamente modificado. O material apreendido foi encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária para análise. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também acompanha o caso.
O que diz a Unicamp?
A reitoria da Universidade Estadual de Campinas afirmou que está colaborando integralmente com as investigações da Polícia Federal e que instaurou uma sindicância interna para apurar o caso. A universidade destacou que os detalhes estão sendo preservados para não comprometer as investigações, mas reafirmou seu compromisso com a integridade das pesquisas e disse que todos os envolvidos serão responsabilizados conforme a legislação vigente.
Quem é a professora?
Soledad Palameta Miller é biotecnologista formada pela Universidade Nacional de Rosario, na Argentina, e doutora em Ciências pela Unicamp, na área de fármacos, medicamentos e insumos para a saúde. Docente do Departamento de Ciência de Alimentos e Nutrição (DECAN), atua em ensino, pesquisa e extensão com foco em virologia e biotecnologia aplicada.
Ao longo da carreira, trabalhou no Laboratório Nacional de Biociências (CNPEM) entre 2017 e 2022, participando de projetos sobre vetores virais, imunomodulação e terapias contra o câncer. Realizou pós-doutorado na Unicamp, desenvolvendo estudos sobre vacinas, diagnósticos e modelos alternativos para produção de vacinas veterinárias, e integrou o projeto PREVIR-MCTI, voltado à vigilância de vírus zoonóticos.
Atualmente, coordenava o Laboratório de Virologia e Biotecnologia em Alimentos, com pesquisas voltadas ao conceito de “One Health”, incluindo estudos com vírus transmitidos por alimentos e o uso de bacteriófagos no controle microbiano.
Por que é arriscado retirar material de laboratório?
A retirada irregular de material biológico, como vírus, envolve riscos sérios, segundo estabelece a Anvisa. Pode gerar exposição a agentes infecciosos fora de ambientes controlados, comprometer protocolos de biossegurança, prejudicar pesquisas importantes com amostras únicas e, dependendo do agente, representar risco ambiental ou epidemiológico. Por isso, o manuseio e transporte desses materiais são regulamentados por normas nacionais e internacionais, com fiscalização rigorosa.
No Brasil, órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária são responsáveis por controlar e regulamentar aspectos sanitários de serviços e produtos relacionados à área. A biossegurança, por sua vez, pode ser entendida como um conjunto de medidas voltadas a minimizar os riscos de uma atividade específica, protegendo não apenas os profissionais envolvidos, mas também a saúde pública e o meio ambiente.
O que acontece agora?
O caso segue sob investigação da Polícia Federal e tramita em sigilo na Justiça Federal. Paralelamente, a Unicamp mantém sua apuração interna, que poderá resultar em medidas administrativas dependendo das conclusões. O Terra tenta localizar a defesa da professora.