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Entenda o que levou à prisão de professora da Unicamp e os riscos de retirar amostras de laboratório

Professora foi presa sob suspeita de furtar material biológico de um laboratório da instituição

26 mar 2026 - 04h57
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Soledad Palameta Miller é professora doutora na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp
Soledad Palameta Miller é professora doutora na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp
Foto: Reprodução / Estadão

Uma professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foi detida sob suspeita de furtar material biológico de um laboratório da instituição. O caso tramita em sigilo na Justiça Federal, enquanto a universidade instaurou uma sindicância interna para investigar os fatos.

Veja abaixo o que já se sabe sobre o caso:

O que aconteceu?

A pesquisadora argentina Soledad Palameta Miller, de 36 anos, professora doutora da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, foi presa sob suspeita de furtar material biológico do Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada, ligado ao Instituto de Biologia da universidade. Segundo a EPTV, que obteve acesso ao termo de audiência, o item levado seria um vírus. O processo corre sob sigilo na 9ª Vara Federal de Campinas.

Quem realizou a prisão?

A prisão foi efetuada pela Polícia Federal na segunda-feira, 23, durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça Federal. Após ser detida em flagrante, Soledad chegou a ser levada para a Penitenciária Feminina de Mogi Guaçu (SP), mas foi liberada no dia seguinte, após audiência de custódia.

Quais crimes estão sendo investigados?

Segundo a Polícia Federal, os crimes apurados incluem furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de organismo geneticamente modificado. O material apreendido foi encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária para análise. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também acompanha o caso. 

O que diz a Unicamp?

A reitoria da Universidade Estadual de Campinas afirmou que está colaborando integralmente com as investigações da Polícia Federal e que instaurou uma sindicância interna para apurar o caso. A universidade destacou que os detalhes estão sendo preservados para não comprometer as investigações, mas reafirmou seu compromisso com a integridade das pesquisas e disse que todos os envolvidos serão responsabilizados conforme a legislação vigente.

Quem é a professora?

Soledad Palameta Miller é biotecnologista formada pela Universidade Nacional de Rosario, na Argentina, e doutora em Ciências pela Unicamp, na área de fármacos, medicamentos e insumos para a saúde. Docente do Departamento de Ciência de Alimentos e Nutrição (DECAN), atua em ensino, pesquisa e extensão com foco em virologia e biotecnologia aplicada.

Ao longo da carreira, trabalhou no Laboratório Nacional de Biociências (CNPEM) entre 2017 e 2022, participando de projetos sobre vetores virais, imunomodulação e terapias contra o câncer. Realizou pós-doutorado na Unicamp, desenvolvendo estudos sobre vacinas, diagnósticos e modelos alternativos para produção de vacinas veterinárias, e integrou o projeto PREVIR-MCTI, voltado à vigilância de vírus zoonóticos.

Atualmente, coordenava o Laboratório de Virologia e Biotecnologia em Alimentos, com pesquisas voltadas ao conceito de “One Health”, incluindo estudos com vírus transmitidos por alimentos e o uso de bacteriófagos no controle microbiano.

Por que é arriscado retirar material de laboratório?

A retirada irregular de material biológico, como vírus, envolve riscos sérios, segundo estabelece a Anvisa. Pode gerar exposição a agentes infecciosos fora de ambientes controlados, comprometer protocolos de biossegurança, prejudicar pesquisas importantes com amostras únicas e, dependendo do agente, representar risco ambiental ou epidemiológico. Por isso, o manuseio e transporte desses materiais são regulamentados por normas nacionais e internacionais, com fiscalização rigorosa.

No Brasil, órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária são responsáveis por controlar e regulamentar aspectos sanitários de serviços e produtos relacionados à área. A biossegurança, por sua vez, pode ser entendida como um conjunto de medidas voltadas a minimizar os riscos de uma atividade específica, protegendo não apenas os profissionais envolvidos, mas também a saúde pública e o meio ambiente.

O que acontece agora?

O caso segue sob investigação da Polícia Federal e tramita em sigilo na Justiça Federal. Paralelamente, a Unicamp mantém sua apuração interna, que poderá resultar em medidas administrativas dependendo das conclusões. O Terra tenta localizar a defesa da professora.

Fonte: Portal Terra
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