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Damares 'encena' silêncio em entrevista como protesto

Ao final do evento, Damares explicou que o ato era parte de campanha do governo. "Fiquei em silêncio para que vocês sintam como é difícil uma mulher ficar em silêncio'

25 nov 2019
23h38
atualizado em 26/11/2019 às 17h30
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A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, ficou em silêncio e deixou uma coletiva de imprensa sem falar com jornalistas nesta segunda-feira, 25. Ela saiu do local minutos antes da cerimônia para lançar campanha do governo de enfrentamento à violência contra a mulher. Mais tarde, ela alegou ter sido uma encenação.

Foto: Reprodução

No momento em que deixou a entrevista, não houve explicações aos jornalistas se a ministra estava realmente abalada ou se o gesto era premeditado. Ao chegar no local marcado, Damares fingiu um abalo, balançou a cabeça de forma desorientada, colocou as mãos para trás, olhou ao redor, fez sinal de "entrega" com os braços ao alto e, ao final, deixou o local da coletiva.

Ao final do evento, Damares explicou que o ato era parte de campanha do governo. "Fiquei em silêncio para que vocês sintam como é difícil uma mulher ficar em silêncio. Queria tanto falar tanto com vocês hoje, dizer para vocês sobre essa campanha belíssima, eu preferi o silêncio. É muito ruim tirar a voz de uma mulher. Obrigado por terem participado, voluntariamente, involuntariamente da campanha", afirmou Damares.

Antes de explicar a campanha, Damares publicou em suas redes sociais o vídeo da encenação em frente aos jornalistas. Alguns de seus seguidores interpretaram que o gesto era em repúdio à imprensa. "Eu queria dizer aos repórteres que não podemos tirar a voz de nenhuma mulher", disse a ministra em vídeo publicado mais tarde.

Além da encenação, a ministra anunciou medidas do governo para combate à violência contra a mulher a partir de 2020, mas não indicou o orçamento que será reservado para as ações.

Segundo ela, o governo pretende ampliar o número de delegacias contra a mulher no País. "E nos lugares que não tiverem delegacias, teremos serviços especializados (chamado de "sala rosa" por Damares) até chegar lá uma delegacia", disse a ministra. Segundo ela, não há prazo para concluir a expansão.

Damares também anunciou as seguintes medidas para serem feitas a partir de 2020, também sem indicar prazos e orçamento:

  • disque 180 atenderá por videoconferência para mulheres surdas;
  • campanha 'Mulheres no Poder', para no mínimo uma mulher ser eleita vereadora em cada município;
  • médicos serão treinados para identificar se mulheres são vítimas de violência;
  • procuradorias das mulheres vão funcionar dentro de câmara dos vereadores e assembleias legislativas.

Ministra nega governo machista

Damares ainda disse que o governo Jair Bolsonaro é "formado por mulheres". "Dizem por aí que este é um governo machista. Pode uma coisa desta? Todos os órgãos têm mulheres no comando. Governo tem olhar diferenciado para mulheres. Esse governo também está preocupado com a violência contra mulher", disse a ministra.

O governo lançou, nesta segunda-feira a campanha publicitária "Enfrentamento à Violência Contra a Mulher - 2019". O anúncio foi feito durante cerimônia de celebração pelo Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra a Mulher, instituído em 25 de novembro de 1999 pela Organização das Nações Unidas (ONU).

A solenidade contou com a presença do presidente da República, Jair Bolsonaro, da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e das duas únicas mulheres entre 22 ministros do governo: Damares Alves e Tereza Cristina, da Agricultura. O Planalto também lançou o vídeo clipe da dupla Simone & Simaria 'Amor que dói #vctemvoz", em combate à violência contra mulheres.

Estadão
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