Cidade de SP tem alta nos furtos em agosto; roubos e homicídios caem
No acumulado do ano, foram 166,8 mil ocorrências de furto, maior número da série histórica; secretaria diz acompanhar situação de forma permanente
A cidade de São Paulo teve alta de 8,8% nos furtos em agosto deste ano, segundo dados divulgados nesta terça-feira, 30, pela Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP).
- Foram 22 mil casos registrados no período, ante 20,2 mil no mesmo mês do ano passado;
- Entre janeiro e agosto, foram 166,8 mil ocorrências, o que representa o recorde da série histórica.
A alta de furtos do mês passado vai na contramão das quedas apresentadas em outras modalidades, como roubos (-4,9%), estupros (-8,3%) e assassinatos (-25%).
Em nota publicada no site oficial, a Secretaria da Segurança Pública ressaltou que, entre janeiro e agosto, os roubos atingiram o menor patamar da série histórica.
Destacou ainda que os latrocínios (roubos seguidos de morte) também caíram e que o número de homicídios do último mês (34) representa o segundo menor resultado desde 2001 (mais abaixo).
No caso dos furtos, o celular é o principal alvo de criminosos que realizam furtos na cidade, até pela possibilidade de fazer transferências via Pix e, assim, multiplicar os lucros a partir dos aparelhos.
Em geral, são crimes relacionados à atuação de gangues de bicicleta e de motos, mas há casos dos mais variados. Entre os locais preferenciais, estão áreas de grande circulação.
Levantamento recente feito pelo Estadão aponta que, no 1º semestre, os furtos e roubos de celulares no entorno de estações de metrô em São Paulo cresceram mais do que no resto da capital. A região da Estação República, conexão das Linhas 4-Amarela e 3-Vermelha, é a que registrou mais crimes.
Aglomerações dos horários de pico facilitam que bandidos se escondam ou fujam. Foi o que aconteceu com o cuidador de idosos Adélio Gomes, de 38 anos, assaltado nas imediações da Estação Tatuapé, da Linha 3-Vermelha, na zona leste.
"Do nada, a mão veio para cima do meu telefone. Quando olhei para o lado, já não tinha mais como correr", contou no mês passado. O crime ocorreu no fim de julho, por volta das 6h30 da manhã, quando as ruas próximas ficam cheias.
A recorrência de furtos tem feito os paulistanos adotarem diferentes táticas para driblar os ladrões. "Deixava até a película do celular quebrada para não chamar atenção, mas nem isso adiantou", exemplificou Adélio.
Em alguns casos, moradores têm usado até um celular reserva e sem aplicativos de banco para sair na rua. O objetivo é evitar desvios bancários e outros golpes se eventualmente o aparelho for levado.
O Radar da Criminalidade, desenvolvido com exclusividade pelo Estadão, permite aos leitores acessarem as principais dinâmicas de criminalidade por rua.
A ferramenta é atualizada conforme a secretaria publica as estatísticas. Entram na contagem desta plataforma os indicadores roubos e furtos de celulares, roubo e furtos de veículos, latrocínios e extorsões mediante sequestro.
Números na capital paulista
- Furtos: tiveram alta de 8,8% em agosto, com 22 mil casos
- Roubos: tiveram queda de 4,9% em agosto, com 8,3 mil casos
- Estupros: tiveram queda de 8,3% em agosto, com 243 casos
- Latrocínios: tiveram queda de 60% em agosto, com 2 vítimas
- Homicídios: tiveram queda de 25% em agosto, com 36 vítimas
Indicadores no Estado
Quando se leva em conta todo o Estado, houve alta de 0,2% nos estupros, com 1,2 mil casos. No caso dos homicídios, apesar de o indicador ter apresentado queda, houve neste mês o assassinato em Praia Grande do ex-delegado geral Ruy Ferraz Fontes.
- Estupros: tiveram alta de 0,2% em agosto, com 1,2 mil casos
- Furtos: tiveram queda de 2,7% em agosto, com 45,6 mil casos
- Roubos: tiveram queda de 12,8% em agosto, com 13,2 mil casos
- Latrocínios: tiveram queda de 11,1% em agosto, com 8 vítimas
- Homicídios: tiveram queda de 5,4% em agosto, com 194 vítimas
Secretaria diz acompanhar variação de forma permanente
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública afirma que "acompanha de forma permanente as variações das estatísticas criminais em todo o Estado".
"Na capital, a Polícia Militar tem reforçado o policiamento ostensivo em pontos estratégicos, com base na análise dos indicadores e no mapeamento das chamadas manchas criminais (hot spots)", diz.
"Entre as ações estão o aumento de operações contra furtos, a intensificação do patrulhamento a pé em áreas de grande movimento e o uso de tecnologia e inteligência policial", acrescenta.
Ainda segundo a pasta, a Polícia Civil "foca na identificação e prisão de reincidentes, com investigações conduzidas tanto por delegacias especializadas quanto pelas distritais".
A SSP afirma que, de janeiro a agosto, 31,7 mil suspeitos foram presos ou apreendidos - 2.596 detenções a mais do que no mesmo período do ano anterior. Além disso, 2.294 armas de fogo ilegais foram retiradas das ruas.