Caso Larissa Morata: polícia faz nova perícia em casa da vítima com uso de scanner 3D e luminol
Técnica em radiologia foi encontrada morta no domingo, 6, na casa onde morava na região metropolitana de São Paulo; marido policial foi preso como suspeito
A Polícia Civil realiza nova perícia com scanner 3D e luminol na casa de Larissa Morata, de 29 anos, encontrada morta com um tiro na cabeça em Embu das Artes. O marido da vítima, o policial militar Vinicius Costa Silva, está preso sob suspeita pelo crime, cometido com sua arma. A defesa do soldado sustenta a tese de suicídio decorrente do término da relação, enquanto os investigadores buscam esclarecer a dinâmica dos fatos e analisar novas provas apreendidas.
A Polícia Civil de São Paulo realiza, nesta sexta-feira, 11, uma nova perícia na casa em que Larissa Morata, de 29 anos, foi encontrada morta com um tiro na cabeça, em Embu das Artes. Ela morava com o marido no local, o policial militar Vinicius Costa Silva, de 26, preso suspeito pelo crime.
Os peritos vão utilizar um scanner 3D e luminol, composto químico que emite luz azul brilhante ao entrar em contato com o ferro presente no sangue, nesta nova análise da cena do crime. Os policiais buscam esclarecer as circunstâncias da morte da técnica em radiologia.
De acordo com a Polícia Civil, o laudo necroscópico foi juntado aos autos nesta quinta-feira, 10, e foi cumprido mandado de busca e apreensão na residência da irmã do suspeito. Horas depois, ela se apresentou espontaneamente à delegacia e entregou o aparelho celular para análise.
"As informações serão analisadas. Também serão realizadas diligências periciais, incluindo exames com uso de luminol e reconstrução em 3D do local do crime, a fim de contribuir para o devido esclarecimento dos fatos", diz a polícia.
A técnica em radiologia foi encontrada morta no domingo, 6, na casa onde morava na região metropolitana de São Paulo.
O marido dela, o soldado Vinicius Costa Silva, foi preso na segunda-feira, 7, e encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes (PMRG).
O que diz a defesa do policial?
O advogado Roberto Montanari Custódio, que representa a defesa de Silva, afirmou, em nota enviada ao Estadão, que o soldado "jamais praticaria qualquer ato de violência contra Larissa, pois, apesar do término no dia dos fatos, mantinham uma boa relação e tinham em comum o cuidado e o afeto pelo filho".
Custódio disse que a situação é "uma tragédia profundamente dolorosa, que atingiu de forma irreparável as famílias envolvidas e, sobretudo, o filho do casal". Segundo ele, a defesa entregará aos policiais "conversas anteriores entre Larissa e familiares de Vinicius nas quais ela manifestava pensamentos relacionados à possibilidade de tirar a própria vida diante de uma eventual ruptura do relacionamento".
"A defesa considera esse material relevante para a adequada compreensão do contexto e para o esclarecimento dos fatos", afirmou. Custódio acrescentou ainda que Silva confia que a investigação irá "esclarecer de forma objetiva a dinâmica dos acontecimentos e demonstrar que não praticou qualquer crime contra Larissa".
O que diz o boletim de ocorrência?
Segundo o boletim de ocorrência, Larissa foi encontrada caída no banheiro da casa onde morava, por volta das 11h de domingo. Ela tinha um ferimento na cabeça provocado por arma de fogo. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi acionado e confirmou a morte da jovem.
Uma arma, que pertencia a Silva, foi encontrada sob o corpo de Larissa. No banheiro também estavam um coldre, um carregador, munições e um estojo de munição.
O que Silva diz que aconteceu?
Em depoimento à Polícia Civil, Silva alegou que a Larissa tirou a própria vida. Segundo o soldado, os dois retomaram, na manhã de domingo, uma conversa sobre pôr fim ao relacionamento, mas a mulher "começou a chorar e ficou bastante abalada".
Ele disse que a abraçou e tentou acalmá-la. Após a conversa, o homem alegou ter ido dormir, até ser acordado por um estrondo muito forte que, inicialmente, pensou ser o som de um vidro quebrando.
O policial disse ter ouvido um desenho infantil na sala e acreditado que o filho pudesse ter quebrado um copo ou algum objeto. Ao chegar ao cômodo, porém, encontrou o menino brincando.
Ele perguntou onde estava Larissa e, segundo seu relato, foi informado de que ela estava tomando banho. Silva foi até o banheiro, que fica atrás de uma estrutura do guarda-roupa com espelho no quarto do casal, e encontrou Larissa caída.
O soldado afirmou ter tentando se aproximar, mas ficou "extremamente abalado" com a cena. Segundo o policial, sua primeira ação foi ligar para o 190 para acionar equipes policiais e atendimento médico. Após a chegada dos policiais, ele afirmou que entrou em contato com familiares de Larissa.
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