Câmeras corporais flagram PMs condenados por tortura fazendo 'roleta-russa' com adolescentes em SP
Além das agressões e torturas psicológicas, agentes teriam desviado drogas encontradas na Favela da Caixa D'Água
Dois policiais militares foram condenados pela Justiça Militar por tortura e abuso de autoridade após serem flagrados agredindo e ameaçando adolescentes na Favela da Caixa D'Água, na Zona Leste de São Paulo. As imagens foram gravadas automaticamente pelas câmeras corporais de suas fardas. Os registros foram divulgados no último domingo, 19, pelo Fantástico, da TV Globo.
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As gravações foram feitas no dia 20 de fevereiro de 2025, pouco antes das 16 horas, e mostram ao menos três policiais envolvidos no caso. São eles: o cabo Sandro Nascimento, o soldado Eduardo Uchoa e o sargento Amauri dos Santos.
O soldado e outros seis policiais são réus e ainda serão julgados, enquanto Nascimento e Amauri foram condenados a 4 anos e 10 meses de prisão e 12 anos e 5 meses de prisão, respectivamente.
As imagens mostram dois adolescentes sendo abordados pelos militares. Os jovens não reagem à abordagem, e ainda assim são alvos de ações truculentas.
Em dado momento, o sargento Amauri aparece colocando uma única bala no tambor vazio de um revólver e aponta-o para um dos jovens. Ele gira o cilindro e aperta o gatilho da arma, que está colada à cabeça de um dos adolescentes. A prática é chamada de "roleta-russa". A bala que estava dentro da arma acabou não sendo disparada por sorte.
Depois, os policiais levam os adolescentes para circular com eles pela favela. As imagens mostram os agentes entrando em várias casas, sem mandado judicial.
Em uma delas, os militares comemoram ao ver pacotes aparentemente cheios de drogas, que eles colocam em sacolas. Os materiais, porém, nunca foram apreendidos oficialmente pela Polícia Militar e desapareceram. A Justiça Militar entendeu que as drogas foram desviadas.
No processo, o cabo Sandro Nascimento disse ter encostado a arma no rosto de um dos adolescentes porque se desequilibrou. Já o sargento Amauri dos Santos disse que o revólver usado na roleta-russa não era de verdade e que a munição era cápsula de sabão. Sobre o material encontrado em uma das casas, ele afirmou ter descartado como lixo.
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