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Base de Doria tenta barrar menção a ex-secretário em CPI

Veto a investigação contra Giovanni Guido Cerri emperrou tratativas para aprovar documento que fará recomendações sobre a Furp

6 nov 2019
08h40
atualizado às 10h59
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A base de apoio ao governo João Doria (PSDB) na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) trabalha para impedir qualquer menção ao ex-secretário estadual Giovanni Guido Cerri no relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga irregularidades na Fundação para o Remédio Popular (Furp).

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB)
O governador de São Paulo, João Doria (PSDB)
Foto: Rovena Rosa/Agencia Brasil / Estadão Conteúdo

A resistência dos governistas foi um dos pontos que emperraram tratativas entre membros da CPI para aprovar um relatório que agrade a todos nesta terça-feira, 5.

Titular da pasta de Saúde entre 2011 e 2013, na gestão de Geraldo Alckmin (PSDB), Guido Cerri foi questionado na CPI por se tornar sócio do Grupo NC, que controla a farmacêutica EMS. Ele saiu da secretaria semanas após assinar um contrato de Parceria Público-Privada (PPP) que entregou uma fábrica pública de remédios a uma concessionária controlada pela EMS.

A PPP é apontada como responsável por prejuízos na ordem de R$ 56 milhões por ano aos cofres públicos, em benefício da concessionária. O ex-secretário se tornou sócio do Grupo NC em 2016, três anos após a concessão, e suas empresas receberam ao menos R$ 10 milhões em aportes desde então. Guido Cerri diz que não tinha relacionamento com o grupo vencedor em 2013, e nega qualquer favorecimento à empresa.

Membros da CPI e um integrante da base de Doria na Assembleia confirmaram que a inclusão do nome no relatório é o principal ponto do qual o governo discorda. A avaliação é de que eles têm força para barrar a sugestão de inquérito contra o ex-secretário.

"O ex-secretário não tem nada com isso", disse um governista. "É um erro se alguém citar o ex-secretário."

Um relatório preliminar da CPI, elaborado pelo deputado Thiago Auricchio (PL), considerou que a relação entre Guido Cerri e o Grupo NC merecia "uma investigação mais aprofundada". A sugestão, no entanto, não foi incluída no relatório final apresentado pelo deputado Alex de Madureira (PSD) nesta terça-feira. Ligado ao governo, Madureira recomendou apenas que o Ministério Público estadual continue as investigações, além de encaminhar o relatório para órgãos do governo.

As omissões levaram a uma reação de deputados da CPI, que apresentaram documentos para incluir recomendações mais contundentes. Ao menos quatro membros da comissão querem que o relatório inclua uma recomendação para o fim da PPP, o indiciamento de três ex-funcionários da Furp acusados de receber propina, e a abertura de uma investigação contra Guido Cerri.

O impasse levou à suspensão da sessão que deveria aprovar o relatório final, na manhã de terça, e os deputados se reuniram para costurar uma versão intermediária do relatório. O líder do governo na Alesp, deputado Carlão Pignatari (PSDB), foi informado de que uma nova versão do relatório teria o aval do deputado Cezar, também do PSDB. Isso daria ao menos cinco votos favoráveis à inclusão das recomendações, o que garantiria a aprovação.

Cezar compareceu à CPI durante a manhã, mas não retornou durante a tarde. Em seu lugar estava o líder do governo, que não é membro da comissão, mas pode participar como "membro eventual". A reportagem não conseguiu contato com o deputado Cezar para comentar a ausência.

Logo após a reabertura, a sessão foi suspensa a pedido da deputada Beth Sahão (PT). Os deputados retomam a reunião na manhã desta quarta, 6.

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Estadão
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