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Brasil

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'Cavalo de Troia': Flávio Bolsonaro é peça de estratégia de Trump para ampliar poder na América Latina

As revistas francesas desta semana repercutem as eleições no Brasil. Enquanto a L'Express analisa o voto sob o ângulo do projeto de influência dos Estados Unidos no Brasil e na América Latina, em uma entrevista na Le Point, o presidente argentino, Javier Milei, enquadra uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro como parte de uma guinada liberal e conservadora mais ampla no continente.

3 out 2026 - 07h22
(atualizado às 10h32)
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Resumo
Segundo a revista L'Express, Flávio Bolsonaro é visto como peça-chave de Donald Trump para expandir a influência dos EUA na América Latina e reconduzir seu clã ao poder. Candidato à presidência contra Lula, Flávio apoia-se no lobby em Washington articulado pelo irmão Eduardo e no apoio explícito de Javier Milei para promover uma pauta liberal e conservadora na região. Enquanto os Bolsonaro atuam alinhados a Trump, Lula explora eleitoralmente o tema acusando o rival de ameaçar a soberania nacional.

A revista francesa L'Express apresenta Flávio Bolsonaro como a principal peça de uma estratégia que combina o projeto de retorno da família Bolsonaro ao poder com os interesses de Donald Trump na América Latina. 

Candidato à presidência em disputa acirrada com Lula, Flávio aposta na proximidade do clã Bolsonaro com o governo americano e em um intenso trabalho de lobby em Washington. Em maio, ele esteve na Casa Branca ao lado do irmão Eduardo Bolsonaro e de Paulo Figueiredo, onde pediu que os Estados Unidos classificassem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. 

Segundo a revista, dois dias depois da visita, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, atendeu ao pedido. O episódio foi apontado como exemplo da eficácia da influência dos Bolsonaro junto à administração Trump.

No entanto, a reportagem sustenta que a ofensiva não se limita à candidatura de Flávio. Instalado nos Estados Unidos, Eduardo é apresentado como o principal articulador da família em Washington e responsável por cultivar há anos vínculos com a direita americana. A L'Express afirma que essa atuação contribuiu para medidas de pressão dos Estados Unidos contra o Judiciário brasileiro e relata que Trump também impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, posteriormente reduzidas a 25%.

Para a revista, a convergência ultrapassa interesses eleitorais. Os Bolsonaro mantêm conexões com o universo político trumpista desde pelo menos 2018, quando Eduardo se aproximou de Steve Bannon e dos círculos da Conferência de Ação Política Conservadora.

Esta foto de 17 de março de 2019 mostra o então presidente Jair Bolsonaro cumprimentando o editor da revista New Criterion, Roger Kimball (à esquerda), o diretor de investimentos da Pantera Capital, Gerald Brant (segundo da esquerda), e o ex-estrategista do presidente dos EUA, Donald Trump, Stephen Bannon (segundo da direita), durante um encontro com influenciadores de direita na Embaixada do Brasil em Washington, DC, nos Estados Unidos.
Esta foto de 17 de março de 2019 mostra o então presidente Jair Bolsonaro cumprimentando o editor da revista New Criterion, Roger Kimball (à esquerda), o diretor de investimentos da Pantera Capital, Gerald Brant (segundo da esquerda), e o ex-estrategista do presidente dos EUA, Donald Trump, Stephen Bannon (segundo da direita), durante um encontro com influenciadores de direita na Embaixada do Brasil em Washington, DC, nos Estados Unidos.
Foto: RFI

É nesse contexto que a L'Express define o clã Bolsonaro como o "cavalo de Troia" ideal para Trump no Brasil. Segundo a análise da revista, o presidente americano pretende restabelecer a supremacia dos Estados Unidos no continente, e a chegada de um aliado ao comando da maior economia latino-americana reforçaria esse projeto. 

Flávio seria, assim, a face eleitoral brasileira dessa convergência, enquanto Eduardo atua nos Estados Unidos e outros integrantes da família desempenham funções complementares na reconquista do poder.

Lula, por sua vez, procura transformar a ingerência americana em tema eleitoral e se apresentar como defensor da soberania nacional diante de um adversário que, segundo o pesquisador Oliver Stuenkel citado pela revista, estaria comprometendo interesses nacionais. 

"Saneamento liberal"

Enquanto a L'Express apresenta Flávio Bolsonaro como parte do projeto de influência de Trump na América Latina, uma entrevista com Javier Milei na revista Le Point mostra que o presidente argentino assume publicamente sua preferência por Flávio.

Na longa entrevista publicada em duas partes no site da revista, Milei declara apoio explícito a Flávio Bolsonaro, a quem chama de "meu amigo", e diz ter "grande esperança" de que ele vença a eleição presidencial de outubro. 

Segundo Milei, uma vitória de Flávio permitiria realizar no Brasil o que ele define como o "saneamento liberal indispensável". A declaração insere Flávio em uma articulação política regional mais ampla. Perguntado sobre o avanço de nomes conservadores no Chile e na Colômbia, Milei afirma que a América Latina vive uma reação popular contra o chamado "socialismo do século 21" e defende que essa mudança precisa produzir resultados concretos para se consolidar.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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