'Cavalo de Troia': Flávio Bolsonaro é peça de estratégia de Trump para ampliar poder na América Latina
As revistas francesas desta semana repercutem as eleições no Brasil. Enquanto a L'Express analisa o voto sob o ângulo do projeto de influência dos Estados Unidos no Brasil e na América Latina, em uma entrevista na Le Point, o presidente argentino, Javier Milei, enquadra uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro como parte de uma guinada liberal e conservadora mais ampla no continente.
Segundo a revista L'Express, Flávio Bolsonaro é visto como peça-chave de Donald Trump para expandir a influência dos EUA na América Latina e reconduzir seu clã ao poder. Candidato à presidência contra Lula, Flávio apoia-se no lobby em Washington articulado pelo irmão Eduardo e no apoio explícito de Javier Milei para promover uma pauta liberal e conservadora na região. Enquanto os Bolsonaro atuam alinhados a Trump, Lula explora eleitoralmente o tema acusando o rival de ameaçar a soberania nacional.
A revista francesa L'Express apresenta Flávio Bolsonaro como a principal peça de uma estratégia que combina o projeto de retorno da família Bolsonaro ao poder com os interesses de Donald Trump na América Latina.
Candidato à presidência em disputa acirrada com Lula, Flávio aposta na proximidade do clã Bolsonaro com o governo americano e em um intenso trabalho de lobby em Washington. Em maio, ele esteve na Casa Branca ao lado do irmão Eduardo Bolsonaro e de Paulo Figueiredo, onde pediu que os Estados Unidos classificassem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.
Segundo a revista, dois dias depois da visita, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, atendeu ao pedido. O episódio foi apontado como exemplo da eficácia da influência dos Bolsonaro junto à administração Trump.
No entanto, a reportagem sustenta que a ofensiva não se limita à candidatura de Flávio. Instalado nos Estados Unidos, Eduardo é apresentado como o principal articulador da família em Washington e responsável por cultivar há anos vínculos com a direita americana. A L'Express afirma que essa atuação contribuiu para medidas de pressão dos Estados Unidos contra o Judiciário brasileiro e relata que Trump também impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, posteriormente reduzidas a 25%.
Para a revista, a convergência ultrapassa interesses eleitorais. Os Bolsonaro mantêm conexões com o universo político trumpista desde pelo menos 2018, quando Eduardo se aproximou de Steve Bannon e dos círculos da Conferência de Ação Política Conservadora.
É nesse contexto que a L'Express define o clã Bolsonaro como o "cavalo de Troia" ideal para Trump no Brasil. Segundo a análise da revista, o presidente americano pretende restabelecer a supremacia dos Estados Unidos no continente, e a chegada de um aliado ao comando da maior economia latino-americana reforçaria esse projeto.
Flávio seria, assim, a face eleitoral brasileira dessa convergência, enquanto Eduardo atua nos Estados Unidos e outros integrantes da família desempenham funções complementares na reconquista do poder.
Lula, por sua vez, procura transformar a ingerência americana em tema eleitoral e se apresentar como defensor da soberania nacional diante de um adversário que, segundo o pesquisador Oliver Stuenkel citado pela revista, estaria comprometendo interesses nacionais.
"Saneamento liberal"
Enquanto a L'Express apresenta Flávio Bolsonaro como parte do projeto de influência de Trump na América Latina, uma entrevista com Javier Milei na revista Le Point mostra que o presidente argentino assume publicamente sua preferência por Flávio.
Na longa entrevista publicada em duas partes no site da revista, Milei declara apoio explícito a Flávio Bolsonaro, a quem chama de "meu amigo", e diz ter "grande esperança" de que ele vença a eleição presidencial de outubro.
Segundo Milei, uma vitória de Flávio permitiria realizar no Brasil o que ele define como o "saneamento liberal indispensável". A declaração insere Flávio em uma articulação política regional mais ampla. Perguntado sobre o avanço de nomes conservadores no Chile e na Colômbia, Milei afirma que a América Latina vive uma reação popular contra o chamado "socialismo do século 21" e defende que essa mudança precisa produzir resultados concretos para se consolidar.
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