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Brasileiro e sírio naturalizado viram réus por terrorismo em investigação por suspeita de ligações com Hezbollah

26 fev 2024 - 12h58
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A Justiça brasileira tornou réus por terrorismo e organização criminosa um brasileiro preso e um sírio naturalizado brasileiro que está foragido por suspeitas de integrarem uma célula do grupo libanês Hezbollah que tinha por objetivo cometer atentados contra alvos judaicos no Brasil, segundo a decisão vista pela Reuters.

Vão responder a processo pelos crimes Lucas Passos Lima, que está preso desde novembro quando a Polícia Federal deflagrou operação para desarticular o esquema, e Mohamad Khir Abdulmajid, o suposto recrutador do Hezbollah no Brasil e apontado pela PF como o principal líder do grupo no país.

A investigação inicial teve como base uma denúncia do FBI, compartilhada pela Embaixada dos Estados Unidos em Brasília, sobre um possível ataque no Brasil ou em países vizinhos.

"A peça acusatória preenche os requisitos formais explicitados no art. 41 do Código de Processo Penal. A imputação nela contida abrange fatos aparentemente criminosos e vem lastreada em elementos informativos idôneos, o que evidencia a justa causa para a persecução penal em juízo", decidiu a juíza federal Raquel Vasconcelos Alves de Lima, em despacho com data de 16 de fevereiro.

Abdulmajid, que segundo registros oficiais deixou o país em outubro passado com destino a Beirute usando passaporte libanês, está na lista de difusão vermelha da Interpol.

A magistrada marcou para 21 de março audiência para ouvir Lucas Lima e testemunhas do processo.

Documentos judiciais já relatados pela Reuters em novembro mostram que Lima fez vídeos e fotos de duas sinagogas e de um cemitério judaico em Brasília poucas semanas antes de ser detido pela PF sob acusações de terrorismo. Conforme os documentos, ele também fez treinamento com armas e procurou um piloto com experiência em cruzar fronteiras, possivelmente com o objetivo de fugir após um possível ataque.

Mohamad, que, segundo a PF, recrutou brasileiros e custeou a ida deles ao Líbano para integrá-los ao Hezbollah, será citado por edital para responder ao processo. Se não for encontrado dessa forma, terá o processo e prazo prescricional suspensos.

A Reuters tentou localizar os responsáveis pela defesa dos dois para comentário, mas não obteve sucesso de imediato. Em busca processual feita no site da Justiça Federal, não constam nomes de advogados.

A Justiça autorizou ainda o desmembramento da investigação para abrir outros inquéritos a fim de apurar o envolvimento de outros suspeitos de envolvimento no caso.

O Hezbollah, que foi criado pela Guarda Revolucionária do Irã em 1982 para combater as forças israelenses que invadiram o Líbano, atua como ponta de lança do Irã no Líbano e na região.

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