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Brasil pode ser próximo em 'onda MAGA' e última chance de Lula 'gigante da esquerda': como a imprensa internacional vê a eleição

A eleição brasileira — disputada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) — é destaque neste domingo (25/10) nos principais jornais do mundo.

25 out 2026 - 14h17
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Resumo
A imprensa internacional destaca a eleição entre Lula e Flávio Bolsonaro como decisiva para a América Latina. Jornais como The Washington Post e The New York Times apontam que uma vitória de Flávio consolidaria a expansão regional da direita ligada ao movimento MAGA de Donald Trump e reconduziria o clã Bolsonaro ao poder. Em contrapartida, veículos como Wall Street Journal e El País enfatizam o desafio de Lula em reverter a desvantagem eleitoral naquela que pode ser sua última disputa política.
Homem vestido de Donald Trump em ato de Flávio Bolsonaro em Goiânia
Homem vestido de Donald Trump em ato de Flávio Bolsonaro em Goiânia
Foto: Reuters / BBC News Brasil

A eleição brasileira — disputada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) — é destaque neste domingo (25/10) nos principais jornais do mundo.

Uma reportagem do jornal Washington Post afirma que o Brasil pode ser "o próximo em uma mudança regional rumo a uma política ao estilo MAGA" — em referência ao slogan político Make America Great Again ("Faça a América Grande Novamente") do presidente americano Donald Trump.

O título da reportagem do jornal americano é: "A onda MAGA na América Latina está ampliando o alcance político e militar de Trump".

"Quando o presidente Donald Trump retornou à Casa Branca em janeiro do ano passado, um cenário político desafiador o aguardava na América Latina", diz o Washington Post, citando a presença de governos de esquerda em Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Honduras, México e Venezuela.

"Que diferença fazem dois anos", escreve o Washington Post.

"Eleição após eleição, políticos de esquerda têm sofrido derrotas por toda a região, abrindo caminho para uma leva de presidentes de inclinação direitista que ostentam sua proximidade com a Casa Branca e que contam com o apoio e o impulso de articuladores ligados ao movimento MAGA."

Essa mudança mudou a cena política latino-americana e abriu caminho para a campanha do governo Trump contra grupos considerados narcoterroristas, diz o jornal, que afirma: "o próximo país com potencial de virar MAGA é o Brasil".

"O resultado tem sido o aumento dos aliados do Escudo das Américas contra os cartéis — e o estreitamento da aliança entre o movimento MAGA e a direita latino-americana, tanto na política quanto na estética", diz o jornal, em referência à iniciativa de Trump voltada para o combate ao narcotráfico, ao crime organizado e à imigração irregular em todo o continente.

Wall Street Journal: 'Lula, um gigante da esquerda, luta por última chance'

O jornal Wall Street Journal, o principal do mundo financeiro nos Estados Unidos, publicou uma reportagem na qual afirma que Lula, "um gigante da esquerda na América Latina", luta por uma última chance no poder.

"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, figura emblemática da esquerda latino-americana, é uma figura popular entre os brasileiros há décadas. Para vencer no domingo, ele precisa reacender o poder de atração que exercia sobre os eleitores — eleitores que, no passado, compareciam em massa, seduzidos por sua imagem de homem do povo", escreve o Wall Street Journal.

O jornal diz que é pouco provável que eleitores troquem de candidato entre o primeiro e o segundo turno — e, com isso, o fundamental para as duas campanhas foi a mobilização dos cerca de 33 milhões que não compareceram às urnas na primeira rodada.

"No primeiro turno, Lula ficou atrás de Bolsonaro por apenas 2,2 milhões de votos — uma diferença que ele pode tirar neste domingo, caso conquiste uma parcela daqueles que não compareceram às urnas", diz o jornal.

"Mas conquistar o apoio desse eleitorado é uma coisa; levá-lo às urnas é outra bem diferente."

"A história oferece pouco ânimo a da Silva. Desde o retorno do Brasil à democracia, sete das nove eleições presidenciais exigiram um segundo turno — e, em todas elas, o vencedor foi o candidato que já havia saído na frente no primeiro turno."

NY Times: 'O outro Bolsonaro'

O jornal americano New York Times tem uma reportagem sobre Flávio Bolsonaro — "o outro Bolsonaro que pode se tornar o próximo presidente do Brasil".

"Uma vitória de [Flávio] Bolsonaro representaria a maior conquista, até o momento, de um movimento de direita em ascensão que avança pela América Latina", afirma o jornal americano.

"Líderes de direita, impulsionados em parte pelo descontentamento dos eleitores com a questão da segurança, venceram sete eleições consecutivas na região nos últimos 18 meses. Caso o Brasil eleja Flávio Bolsonaro, isso levaria ao poder, na maior nação da região, um aliado entusiasmado de Washington, deixando o México como o único grande país ainda sob o comando da esquerda."

O New York Times destaca que Flávio Bolsonaro é alinhado com Trump no uso de força letal contra grupos criminosos e ofereceu "vastos recursos minerais críticos" como forma de os EUA reduzirem sua dependência na China.

"Uma vitória da direita também marcaria o retorno surpreendente da família Bolsonaro ao poder, menos de quatro anos depois que o pai do senador, o ex-presidente Jair Bolsonaro, tentou promover um golpe e inspirou seus apoiadores a invadir a capital do Brasil, em um episódio que remete ao ataque ao Capitólio dos EUA", escreve o jornal americano.

"Flávio Bolsonaro e sua família podem estar, agora, prestes a obter novos e amplos poderes para reescrever a história do Brasil, remodelar seu futuro e atacar aqueles que consideram seus inimigos. Caso seja eleito, ele prometeu buscar anistia para seu pai e para os manifestantes envolvidos nos distúrbios, promover o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal que os prenderam e alterar a Constituição brasileira."

Financial Times: 'Música sertaneja e chapéus de caubói'

O jornal britânico Financial Times também destacou a importância das relações entre EUA-Brasil na eleição brasileira.

"O Brasil emergiu como um campo de batalha crucial para as ambições de Washington na América Latina, na esteira de uma série de vitórias eleitorais de direita por toda a região", escreve o Financial Times.

"O presidente de esquerda [Lula] promove laços mais estreitos com outras chamadas potências médias e com o grupo Brics, composto por nações em desenvolvimento", diz o jornal.

"Bolsonaro prometeu cortar gastos para reduzir as taxas de juros e adotar uma postura mais rígida contra facções criminosas."

O Financial Times também tem uma reportagem sobre o movimento conservador no Brasil, com o título: "Música sertaneja e chapéus de caubói: a guinada do Brasil à direita".

A reportagem destaca a ascensão da música sertaneja e relaciona isso à força econômica do agronegócio e também ao movimento político conservador no Brasil, que sofre "pesada influência americana".

"Se Flávio Bolsonaro vencer [a eleição de domingo], isso demonstrará que a direita do país construiu um movimento político resiliente, moldado segundo o modelo americano, que vai muito além da improvável eleição de seu pai em 2018."

"Assim como ocorreu nos EUA durante a era Donald Trump, observa-se uma tendência, entre alguns intelectuais, de menosprezar esses fenômenos — argumentando, por exemplo, que evangélicos de baixa renda estão sendo manipulados por seus pastores, ou que a popularidade da música sertaneja é fruto do apoio de grandes interesses do agronegócio", escreve o Financial Times.

"Esse tipo de postura serve como um prato cheio para populistas de direita. A capacidade de canalizar o ressentimento contra as elites culturais é uma das razões pelas quais os Bolsonaro — uma família de políticos de carreira, oriunda de um bairro de classe média alta no Rio de Janeiro — conseguiram se posicionar como outsiders."

O jornal espanhol El País noticiou em sua manchete sobre a eleição de domingo: "Brasil decide entre entregar todo o poder a Bolsonaro ou dar uma última oportunidade a Lula".

"Eleger o senador Flávio Bolsonaro, de 45 anos — herdeiro de um golpista e de uma dinastia de extrema-direita que fagocitou a direita clássica —, significa torná-lo o presidente mais poderoso das últimas décadas, pois ele comandaria o governo federal, controlaria o Congresso com uma maioria recorde e moldaria o Supremo Tribunal", escreve o El País.

"Tornar realidade a virada da esquerda e conceder um quarto mandato ao presidente — o esquerdista Luiz Inácio Lula da Silva, de 80 anos — significaria manter o rumo político e econômico e, nestes tempos tão conturbados, apostar em um mundo com regras e em um líder com credenciais democráticas comprovadas."

A reportagem do jornal afirma que a decisão dos brasileiros terá repercussões "em todo o continente, no progressismo mundial e no Sul Global".

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