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Acusação de estupro, 'arma contra Lulinha' e Arthur Lira mais perto do Senado: os impactos de Alfredo Gaspar como vice de Flávio Bolsonaro

Deputado do PL de Alagoas foi escolhido após primeiras opções serem inviabilizadas devido à resistência de grandes partidos em apoiar senador

5 ago 2026 - 17h42
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Deputado federal pelo PL de Alagoas, Alfredo Gaspar atuou na CPMI do INSS
Deputado federal pelo PL de Alagoas, Alfredo Gaspar atuou na CPMI do INSS
Foto: Vittor Sales/Divulgação / BBC News Brasil

A escolha do deputado de Alagoas Alfredo Gaspar (PL) para ser candidato a vice-presidente na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após sua campanha não conseguir atrair apoio de outros partidos, é uma tentativa de causar desgaste ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) explorando o escândalo do INSS e as investigações contra seu filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, afirmam analistas políticos ouvidos pela BBC News Brasil.

Gaspar foi relator da CPMI do INSS, comissão parlamentar que investigou suspeitas de desvios nos benefícios de aposentados e pensionistas. Seu relatório final, que acabou rejeitado na comissão, pediu mais de 200 indiciamentos, incluindo a prisão preventiva de Lulinha.

Por outro lado, Gaspar também é potencial alvo de desgastes para a própria campanha de Flávio, já que parlamentares da base governista apresentaram em março, no contexto da CPMI do INSS, uma queixa-crime à Procuradoria Geral da República para investigar o deputado por um suposto estupro contra menor de idade.

Gaspar nega as acusações e, até o momento, não foram divulgadas provas contra ele. O caso está em apuração preliminar pela Polícia Federal.

Outro impacto da escolha do vice de Flávio, apontam os analistas entrevistados, ocorre na disputa pelo Senado em Alagoas, onde Gaspar aparecia como forte candidato a uma das duas vagas em disputa, ao lado do deputado Arthur Lira (PP) e do senador Renan Calheiros (MDB), que tenta a reeleição.

Lira, que foi importante aliado do então presidente Jair Bolsonaro quando presidia a Câmara dos Deputados, agora deve ter mais facilidade em conseguir uma vaga no Senado, já que Gaspar disputava com ele o apoio do eleitor alagoano à direita.

Pesquisas eleitorais apontam Flávio como o candidato mais competitivo para enfrentar o atual presidente em outubro. Veja o que mostram as sondagens no Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil.

A escolha do vice surpreendeu, já que Gaspar não aparecia entre os cotados. Além disso, havia expectativa de que a chapa seria composta por uma mulher, na tentativa de reduzir a rejeição feminina a votar em Flávio. Entre os nomes cotados estavam o da senadora Tereza Cristina (PP) e da ex-presidente da Caixa Daniella Marques (Repúblicanos).

No entanto, o deputado foi a solução encontrada após grandes partidos da direita, como PP e Republicanos, não fecharem apoio à candidatura de Flávio.

Ambos prefeririam manter a neutralidade na corrida presidencial, devido a divergências internas e ao foco principal nas disputas estaduais e na eleição para o Congresso Nacional.

"O vice escolhido reflete uma maturidade do Centrão, de entender que é melhor estar na eleição para o Congresso do que em uma eleição para Presidência. O Centrão não comprou a candidatura do Lula, não comprou a candidatura do Flávio. Isso deixou o Flávio sem opções".

Lulinha é alvo de três novas investigações da PF
Lulinha é alvo de três novas investigações da PF
Foto: AFP via Getty Images / BBC News Brasil

O impacto 'Lulinha'

Após ser alvo de investigações envolvendo o escândalo do INSS, que até o momento não geraram acusações concretas contra Lulinha na Justiça, o filho de Lula voltou ao noticiário policial com a abertura de três novas investigações contra ele pela Polícia Federal.

Os novos inquéritos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal apuram se Lulinha teria atuado para favorecer empresas indevidamente no governo do pai.

Fábio Luís nega qualquer ilegalidade. Em nota sobre o terceiro inquérito aberto na terça-feira (4/8), a defesa de Lulinha informou que seu cliente "comprovará, ao final, que não tem relação direta ou indireta com qualquer tipo de irregularidade, assim como fez no inquérito das fraudes do INSS, em relação ao qual esperamos um já tardio arquivamento."

Lula, por sua vez, defendeu o andamento das investigações. Na semana passada, o presidente disse que seu filho responderá "como filho de qualquer pessoa" e que ele "não vai ficar escondido".

Quanto ao escândalo do INSS, o governo petista tenta atribuir a responsabilidade do início do esquema ao governo de Jair Bolsonaro. Lula e seus ministros argumentam que os desvios eram antigos e foram revelados agora porque o atual governo garante autonomia de investigação para a Polícia Federal.

Apesar disso, a campanha de Flávio deve explorar o escândalo de corrupção e as investigações sobre Lulinha para tentar atrair os eleitores independentes, acredita o cientista político Lucas Aragão, da Arko Advice.

"Em alguns momentos ao longo da campanha, o escândalo do INSS foi ruim para o presidente Lula nas pesquisas e ele recentemente voltou à tona com novas investigações relacionadas ao Lulinha", disse.

"Então, o Alfredo Gaspar, que tem muito conhecimento sobre o assunto, tendo sido relator na CPMI, vai ser uma espécie de porta voz desse assunto na campanha, mostrando que a campanha do Flávio vai utilizar muito esse escândalo pra tentar atrair o voto, principalmente daqueles eleitores independentes, que não estão tão polarizados", acredita.

Para o analista político Creomar de Souza, sócio-fundador da consultoria Dharma e professor da Fundação Dom Cabral, as investigações contra Lulinha "são o atual pesadelo" da campanha de Lula e devem ser explorados por Flávio Bolsonaro.

Um novo foco de preocupação para o Palácio do Planalto, ressalta, envolve o ex-chefe de gabinete de Lula Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, devido a repasses que recebeu da lobista Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e apontada como sócia de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.

Marcola alega que os valores formam apenas um empréstimo, sem qualquer ilegalidade. Apesar disso, o desgaste provocou sua saída da campanha de Lula à reeleição.

O caso foi citado por Flávio ao anunciar Gaspar como seu vice, referindo-se ao "Marcola do Lula". ´

Para Creomar de Souza, porém, não é certo que a estratégia de usar a pauta anticorrupção será relevante para atrair votos para Flávio, já que ele próprio carrega seus escândalos, como as acusações de "rachadinha" no seu antigo gabinete deputado estadual no Rio de Janeiro ou os recentes contatos com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para repasse de R$ 61 milhões para bancar um filme sobre Jair Bolsonaro.

O senador nega qualquer ilegalidade e atribui as acusações a perseguições contra sua família.

"Esse é o tema [corrupção] em que efetivamente o Lula e o PT têm um passivo eleitoral muito grande. E cabe ao Flávio bater nisso. Mas não sei te dizer até que ponto o eleitor vai comprar essa ideia e vai de fato achar que o Flávio é menos ou não corrupto em comparação ao Lula", pondera.

Gaspar foi alvo de denúncia no mesmo dia em que apresentou seu relatório da CPMI do INSS
Gaspar foi alvo de denúncia no mesmo dia em que apresentou seu relatório da CPMI do INSS
Foto: Andressa Anholete/Agência Senado / BBC News Brasil

A acusação de estupro

Em 27 de março, enquanto Gaspar apresentava seu relatório da CPMI do INSS atribuindo ao governo Lula a responsabilidade pelo esquema e solicitando a prisão de Lulinha, dois parlamentares apresentaram uma queixa-crime com acusação de estupro contra o então relator.

A acusação foi apresentada pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS).

Segundo eles, o deputado era suspeito de ter estuprado, no passado, uma menina de 13 anos, que teria engravidado e tido um filho. Além disso, haveria informações de que Gaspar teria atuado para abafar a história, efetuando pagamentos.

No mês seguinte à denúncia dos parlamentares, o deputado anunciou em suas redes sociais ter comparecido à polícia alagoana para coletar seu material genético, com o objetivo de afastar as acusações contra ele.

"Acabei de coletar o meu material genético e, por livre e espontânea vontade, pedi uma ordem judicial para fazer essa coleta. Fui acusado de forma covarde por um crime que jamais pratiquei", declarou, na ocasião.

O caso segue em sigilo. Segundo o portal Metrópoles, a queixa-crime foi sorteada no STF para relatoria do ministro Gilmar Mendes, que solicitou parecer à PGR. A instituição pediu, então, que a Polícia Federal faça uma apuração preliminar para que se avalie se há elementos para a abertura de um inquérito.

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