Script = https://s1.trrsf.com/update-1790713512/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

Ativista pró-democracia de Hong Kong condenado a mais 10 anos de prisão

5 nov 2026 - 08h26
Compartilhar
Exibir comentários
Resumo
O ativista pró-democracia Joshua Wong foi condenado a mais dez anos de prisão em Hong Kong, sob a acusação de conspirar com forças estrangeiras para ameaçar a segurança nacional. Preso há quase seis anos, Wong deveria ser libertado em breve, mas agora cumprirá pena até o final de 2036. A decisão, baseada na rígida lei de segurança nacional imposta por Pequim para conter a oposição, gerou fortes críticas dos Estados Unidos e de organizações de direitos humanos, que denunciam a repressão política.

Joshua Wong, um dos líderes dos protestos que abalaram o território semiautônomo, foi considerado culpado de "conspirar com forças estrangeiras" para colocar em risco a segurança nacional, sob a lei imposta por Pequim.O ativista pró-democracia de Hong Kong Joshua Wong foi condenado nesta quinta-feira (05/11) a mais dez anos de prisão por supostamente conspirar com forças estrangeiras para colocar em risco a segurança nacional.

Wong, que ganhou notoriedade internacional durante o movimento da chamada Revolução dos Guarda-Chuvas - uma forte onda de protestos que abalou Hong Kong a partir de 2014 -, já passou quase seis anos atrás das grades. O ativista de 30 anos tinha previsão de ser libertado em janeiro, após cumprir quatro anos e oito meses de prisão por uma acusação de subversão, sob a lei de segurança nacional imposta pela China à província semiautônoma.

As autoridades de Hong Kong utilizaram a mesma legislação para acusar Wong novamente em junho do ano passado, alegando que ele teria conspirado com outros países e entidades para impor sanções contra o centro financeiro e a China. Com a nova sentença, sua libertação está prevista para o final de 2036.

Wong corria o risco de uma pena de prisão perpétua, mas o tribunal estabeleceu uma condenação 13 anos como "ponto de partida apropriado", pena que foi posteriormente reduzida devido à sua confissão de culpa.

Em uma carta enviada ao tribunal, Wong relatou que esperava sair da prisão em 2027, mas disse que a nova acusação o fez sentir como se tivesse voltado à estaca zero. Ele acrescentou que seu futuro não será definido pelo passado e que os anos que passou atrás das grades constituíram as "lições mais profundas" de sua vida.

Lei suprimiu opositores em Hong Kong

Com uma forte presença policial do lado de fora do tribunal, Wong foi levado ao banco dos réus aparentando calma. Após a sentença, ele agradeceu e acenou para seus apoiadores.

Segundo as autoridades, Wong começou a realizar um trabalho de lobby internacional ainda em 2016, ao promover um projeto de lei que permitiria ao presidente dos Estados Unidos impor sanções devido a violações de direitos na cidade.

Durante os protestos pró-democracia de 2019 em Hong Kong, Wong integrou uma delegação que viajou aos Estados Unidos para defender o projeto de lei, que acabou sendo aprovado.

No ano seguinte, Pequim impôs a abrangente lei de segurança nacional sobre o território, que praticamente suprimiu a dissidência, levando grupos de oposição a se dissolverem e ativistas a fugirem da cidade. Na ocasião, Wong prometeu "continuar defendendo meu lar até que me silenciem".

Ele esteve entre as dezenas de figuras pró-democracia presas por acusações de subversão em 2024, no maior julgamento relacionado à segurança nacional já realizado em Hong Kong. Alguns detidos já foram libertados.

Human Rights Watch critica condenação

O consulado dos Estados Unidos em Hong Kong afirmou que a nova sentença contra Wong demonstra que Pequim "não medirá esforços para silenciar aqueles que defendem as liberdades fundamentais" no território.

Grupos de direitos humanos acusam as autoridades de utilizar a legislação para silenciar a oposição política e criminalizar a atividade política pacífica, alegações que o governo de Hong Kong rejeita. A organização Human Rights Watch classificou a sentença como "cruel e injusta", e instou governos estrangeiros a "imporem sanções específicas contra as autoridades responsáveis pela crescente repressão em Hong Kong".

Pequim, no entanto, declarou que "apoia firmemente a Região Administrativa Especial de Hong Kong na salvaguarda da segurança nacional, em conformidade com a lei, e no combate a atos que coloquem em risco a segurança nacional".

"As partes envolvidas devem respeitar seriamente a soberania da China, respeitar o sistema jurídico de Hong Kong, abster-se de fazer declarações irresponsáveis [...] e parar de interferir, de qualquer forma, no poder judiciário de Hong Kong e nos assuntos internos da China", afirmou o Ministério do Exterior chinês.

Jimmy Lai

Em fevereiro, o empresário de comunicação e ativista pró-democracia de Hong Kong Jimmy Lai foi sentenciado por um tribunal de Hong Kong a 20 anos de prisão após ser considerado culpado de duas acusações: conspiração com forças estrangeiras e crime de sedição vinculado à difusão de material subversivo.

O fundador do jornal pró-democracia Apple Daily e crítico ferrenho do governo chinês se tornou uma das primeiras figuras proeminentes a serem presas e condenadas sob a lei de segurança nacional.

Lai, de 78 anos, recebeu o Freedom of Speech Award de 2026 da DW, em reconhecimento à sua defesa das liberdades de imprensa e de expressão.

rc/cn (AFP, dpa)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
Compartilhar
TAGS

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra