Apreensões de remédios emagrecedores disparam 172% e superam 2025
Operações da Polícia Federal já somam mais de 165 mil canetas e frascos ilegais apreendidos nos primeiros seis meses do ano
As apreensões de remédios emagrecedores contrabandeados deram um salto expressivo no Brasil durante o primeiro semestre deste ano. A Polícia Federal confiscou 165.589 unidades de canetas, ampolas e frascos ilegais até o mês de junho. Esse volume representa mais do que o dobro das 60.865 unidades apreendidas ao longo de todo o ano de 2025, registrando uma alta de 172%.
Do mesmo modo, os dados revelam que o pico das ações policiais ocorreu em maio, quando os agentes recolheram 51.582 itens. A curva ascendente do mercado ilegal de remédios falsificados começou a ganhar força a partir de setembro do ano passado. O balanço reúne ações decorrentes de fiscalizações de rotina, abordagens rodoviárias e o cumprimento de mandados judiciais.
A maior parte do dos remédios falsificados foi interceptada no Paraná, em Mato Grosso do Sul e em Mato Grosso, regiões limítrofes com países vizinhos. Posteriormente, os produtos seguiam para o estado de São Paulo, apontado como o maior centro consumidor do país.
A corporação detalhou a engrenagem utilizada pelas redes criminosas para abastecer o mercado nacional:
"O contrabando de medicamentos emagrecedores para o Brasil segue um padrão logístico estruturado, com entrada predominante pela fronteira terrestre com o Paraguai — especialmente na região da tríplice fronteira [Foz do Iguaçu] e em Mato Grosso do Sul —, de onde os produtos são transportados por rodovias já utilizadas pelo tráfico de drogas até grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro."
No entanto, os criminosos complementam o esquema terrestre com o transporte aéreo de pequenas cargas e o envio postal. Essa combinação entre a logística tradicional de fronteira e o comércio digital acelera a distribuição de remédios sem registro sanitário.
Riscos graves para a saúde dos consumidores
A disseminação de fórmulas sem procedência garantida preocupa especialistas em saúde. A médica Karen de Marca, diretora da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, reforçou os perigos associados ao consumo de substâncias adulteradas ou mal dosadas.
"A nossa principal preocupação é com a composição do medicamento, se existem misturas na composição daquele produto, a concentração. Porque, às vezes, é [realmente] aquele produto, porém ele está numa concentração diferente, ou seja, você pode estar tomando um produto com uma dose muito mais alta do que deveria utilizar. Isso pode aumentar o risco de efeitos adversos."
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