Lei de Cotas para pessoas com deficiência está ameaçada
É preciso fazer valer a garantia dos nossos direitos no mercado de trabalho
A Lei de Cotas (art. 93 da Lei 8.213/91) para inclusão de pessoas com deficiência no ambiente corporativo, criada em 1991, foi fundamental para aumentar e viabilizar a inserção desses profissionais no mercado de trabalho. Ela estabelece que as empresas com mais de 100 colaboradores tenham de 2 a 5% das suas vagas destinadas, obrigatoriamente, a pessoas com deficiência, como mostra a distribuição abaixo:
- 100 a 200 – 2%
- 201 a 500 – 3%
- 501 a 1000 - 4%
- A partir de 1001 - 5%.
Mesmo com essa lei existindo há mais de 30 anos, os números não são tão relevantes e expressivos. Segundo o IBGE, menos de 1% das pessoas com deficiência residentes no Brasil possuem emprego formal.
E por mais absurdo que isso pareça, na última semana (14/06), correu no Tribunal Superior do Trabalho (TST), uma audiência pública a respeito do cumprimento da Lei de Cotas, no setor aeroportuário, onde duas empresas alegaram que a maior parte das suas atividades são exercidas no pátio de manobra das aeronaves e isso seria, segundo eles, motivo para a não contratação de profissionais com deficiência. Então, resolveram pedir a retirada de cargos operacionais da base de cálculo das cotas.
Caso essas reivindicações sejam aceitas, abrirão precedentes para que todas as empresas, que considerem difícil a adaptação de cargos para inclusão de pessoas com deficiência em suas atividades, recorram ao TST alegando risco e incapacidade dos profissionais em lidar com tais funções. Assim, esse número, que já é vergonhoso, ficará ainda mais desigual se compararmos com a quantidade de pessoas sem deficiência que trabalham de maneira formal em nosso país.
Se o número de vagas já é escasso, poderá ficar ainda mais, além de dificultar o acesso e a inserção de profissionais com deficiência ao mercado de trabalho, não levando em consideração os benefícios da inclusão. A própria lei já não nos dá a garantia de que as empresas nos contratarão, pois essa medida acarreta mudanças tanto na infraestrutura quanto nas estratégias de comunicação.
Comentários
As opiniões expressas nos comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Terra.