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Deputado que apalpou Isa Penna recebe notificação por WhatsApp após Justiça buscá-lo por 5 meses

Assédio ocorreu em uma sessão plenária em 2020; Fernando Cury se tornou réu por importunação sexual

20 jan 2023 - 11h29
(atualizado às 13h17)
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Em vídeo transmitido na Alesp em 2020, deputado Fernando Cury aparece colocando a mão na lateral dos seios de Isa Penna
Em vídeo transmitido na Alesp em 2020, deputado Fernando Cury aparece colocando a mão na lateral dos seios de Isa Penna
Foto: Facebook Fernando Cury / Reprodução / Estadão

O deputado estadual Fernando Cury (União Brasil) foi notificado por mensagem de WhatsApp sobre a ação em que é réu por importunação sexual contra a também deputada estadual Isa Penna (PCdoB), após a Justiça de São Paulo tentar encontrá-lo - sem sucesso - durante cinco meses. A informação é do jornal Folha de São Paulo

A ação é referente ao assédio cometido durante uma sessão plenária em 2020, em que Cury colocou a mão nos seios de Penna. Um vídeo com imagens da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) flagraram a ação do político. Ele foi afastado do cargo por seis meses e expulso do partido que fazia parte naquele ano, o Cidadania.

Segundo apurado pela Folha, oficiais de Justiça procuraram pelo deputado desde o início de julho em diferentes locais que ele frequentava, e continuaram tentando localizá-lo durante todo o período em que ele realizava campanha eleitoral. A tentativa de notificá-lo presencialmente se encerrou em 21 de dezembro. 

Trecho do vídeo exibido em plenário naquele ano
Trecho do vídeo exibido em plenário naquele ano
Foto: Alesp / Reprodução / Estadão

Na manhã do dia 24 de setembro, por exemplo, um oficial foi aguardá-lo em frente a uma padaria, em Botucatu (SP), onde seria realizada uma carreata. A defesa de Isa informou ao Poder Judiciário a hora e o local da agenda de campanha, mas o evento foi cancelado. 

O oficial foi ainda ao escritório e comitê de Cury, mas nenhum funcionário indiciou onde ele estaria. Ele tentou contato com o deputado também por ligação e WhatsApp, mas não teve resposta.

De acordo com o jornal, a denúncia contra o político foi aceita pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo em dezembro de 2021, mas o processo avançou pouco depois disso. O Ministério Público chegou a afirmar que Cury estava evitando receber a notificação, e isso travou o andamento da ação.

"O réu, desde o início da investigação, vem adotando postura que aparenta intenção procrastinatória", escreveu o procurador Mario Antonio de Campos Tebet no dia 1º de novembro.

O relator da ação, desembargador Fábio Gouvêa, também apontou "fortes indícios de que o denunciando está se ocultando para evitar a citação, principalmente considerando a ciência inequívoca do denunciado sobre a existência do processo e o fato de que se trata de pessoa pública, ocupando cargo de deputado estadual".

Deputada Isa Penna em foto de abril de 2020 na Alesp
Deputada Isa Penna em foto de abril de 2020 na Alesp
Foto: Mauricio Garcia de Souza/Agência Alesp

Em novembro, o desembargador determinou que a notificação fosse entregue a qualquer pessoa no endereço ou gabinete do deputado. Uma oficial de Justiça foi ao gabinete em dezembro e não o encontrou, mas ele marcou de encontrá-la no dia 21 para o cumprimento da ordem. Porém, no dia agendado, ele afirmou não iria mais em São Paulo e perguntou se a citação poderia ocorrer pelo WhatsApp, o que aconteceu.

"Eu entrei em depressão, o que não significa que eu esteja fraca para enfrentar o processo. Vou até o fim", afirmou a deputada em entrevista à Folha de São Paulo. "Estou muito prejudicada mesmo com essa situação. É uma humilhação. Mais uma, além da não cassação dele. A realidade da misoginia nos espaços de poder é estrutural."

Com a defesa prévia apresentada pelo deputado no último dia 9, a ação avançará para a oitiva de testemunhas. O advogado Ézeo Fusco Júnior, que representa Cury, nega que o deputado tenha tentado adiar o processo e justificou ao jornal que ele "estava em campanha, na correria, e realmente não foi achado. Ele nem se atentou para isso". Ele também afirma que não houve apalpação na deputada por parte do cliente. 

Fonte: Redação Terra
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