A Rússia fazia hoje os últimos preparativos para a destruição da estação orbital Mir, que encerrará suas atividades na próxima sexta-feira, no fundo do Oceano Pacífico.A órbita da Mir baixou hoje para 220 km da Terra, ou seja, uma altitude adequada para o ínicio da operação, que ocorrerá nas primeiras horas de sexta-feira. A informação é do Centro Russo de Controle de Vôos Espaciais (TSOUP).
Ontem, as autoridades do setor espacial russo apresentaram em Moscou o programa definitivo da operação de destruição da Mir. A nave espacial Progress, acoplada à estação orbital desde janeiro passado, dará à Mir três impulsos "mortais" na madrugada de sexta.
Os dois primeiros impulsos serão dados quando a estação estiver sobre a linha do Equador, o primeiro de 00h33 a 00h54 GMT e o segundo de 02h02 a 02h25 GMT. A Mir se colocará, então, em uma órbita provisória, visando o terceiro impulso, mais potente, que será dado quando a estação estiver sobre o Mediterrâneo, de 05h09 a 05h32 GMT, e que a fará cair em direção à Terra, explicaram especialistas do TSOUP.
A Mir sobrevoará a Rússia, a China, a península da Coréia e o Japão, e entrará na atmosfera sobre o Oceano Pacífico, indicou à AFP Viktor Jukov, especialista em balística do TSOUP. A estação descerá à atmosfera a uma velocidade de cerca de 8 km/segundo, declarou outro funcionário do TSOUP, Viktor Blagov, citado pela agência de notícias Itar-Tass.
A maior parte da Mir queimará na atmosfera e seus restos cairão em uma área em forma de "elipse em pleno oceano, com centro situado a 44,2 graus de latitude sul e 150 graus de longitude oeste", indicou o serviço de imprensa do TSOUP. Essa área, de 200 km de largura por 6 mil km de comprimento, está situada no Sul do Pacífico, entre Nova Zelândia e Chile.
Mil e quinhentos pedaços da Mir, pesando no total 20 toneladas, cairão no Sul do Pacífico, 45 minutos depois de a estação ter recebido o último impulso, ou seja, às 06h20 GMT. Na região, já será noite. Alguns desses pedaços poderiam pesar até 700 quilos, peso de um automóvel, e cairão na Terra a uma velocidade que permitiria atravessar um muro de concreto de 2 metros de largura.
As autoridades espaciais russas afirmam que os riscos da operação são mínimos. "Até o momento, não há nada a temer. Todos os sistemas da estação e da nave Progress funcionam bem. Mas com o material técnico, a segurança nunca é total", afirmou Jukov. "Se o impulso final não for potente o bastante, a trajetória de queda da estação poderá mudar", reconheceu.
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