Do ponto de vista de Conny Martin, a região vazia do Pacífico Sul, escolhida como o local de queda dos pedaços em chamas da estação espacial russa Mir, está longe de ser vazia. Martin é um dos 2,8 mil moradores da ilha da Páscoa, pertencente ao Chile - um triângulo de rocha vulcânica erguido no meio do oceano, a 3.200 quilômetros de distância dos grandes centros populacionais mais próximos, na América do Sul ou no Tahiti, e, potencialmente, a rota de queda da Mir. "Nós, que somos os mais afetados, recebemos menos informações que vocês", disse Martin na quarta-feira, em entrevista telefônica concedida da ilha famosa por suas gigantes e enigmáticas cabeças esculpidas em pedra. "Estamos levando a vida como sempre e esperamos que nada venha a cair sobre nós. O que podemos fazer? Não podemos sair do caminho da Mir", disse a agente de viagens, receosa diante da idéia de 130 toneladas de lixo espacial incandescente caindo do céu.
O plano mais recente de Moscou é fazer a estação espacial cair na sexta-feira, por volta das 7h (4h pelo horário de Brasília), em algum lugar a cerca de 3.000 quilômetros a leste da ponta meridional da Nova Zelândia. Dois terços da estação devem se consumir em fogo quando a Mir reingressar na atmosfera terrestre. Mas alguns destroços -- incluindo pedaços que podem ter o tamanho de um carro pequeno -- devem espalhar-se por uma área de entre 5.000 e 6.000 quilômetros de extensão e 200 quilômetros de largura, atingindo a superfície com força suficiente para abrir um buraco de dois metros de profundidade em concreto reforçado.
Moscou fez seguro no valor de 200 milhões de dólares para o caso de darem errado seus planos de fazer a Mir cair sem causar problemas. Mas desde já, da ilha da Páscoa a Fiji, residentes e governos dos micro-Estados do Pacífico sul estão em alerta.
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