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Contrabando de armas pode ter sido origem da crise peruana

Terça, 19 de setembro de 2000, 18h51min
O desmantelamento de uma rede de contrabando de armas para guerrilheiros colombianos, em julho, no qual estavam envolvidos alguns suboficiais do Exército peruano, pode ter sido a origem da atual crise política no Peru, segundo relatou à Agência Estado uma fonte ligada ao círculo do poder no país. As armas vinham da Jordânia, passavam sem fiscalização pelo Aeroporto Internacional Jorge Chávez, em Lima, atravessavam a fronteira e eram entregues aos insurgentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). "As comissões do tráfico de armamento ajudavam a engordar as contas bancárias de alguns militares peruanos, mas era um segredo de Polichinelo que havia gente muito mais poderosa lucrando com a negociação ilegal", disse a fonte.

"O principal desses poderosos seria Vladimiro Montesinos." Desafetos do ex-chefe do Serviço de Inteligência Nacional (SIN), entre os quais se destaca o também assessor presidencial Absalón Vásquez, teriam descoberto a rede e preparavam-se para denunciá-la.

Antes que isso ocorresse, porém, o SIN anunciou, em 21 de julho, ter desmantelado o esquema, apresentando o caso como mais um grande êxito do serviço de inteligência que se gaba de ter vencido o terrorismo e o narcotráfico do país.

A operação de acobertamento, no entanto, exigia prisões e o técnico pára-quedista do Exército Luis Alberto Meza Rodrígues, integrante de comandos táticos especiais das Forças Armadas, foi um dos detidos. Em depoimentos que chegaram a vazar para a imprensa, ele declarou que "pessoas muito importantes" estavam envolvidas.

O episódio dividiu as Forças Armadas entre os oficiais que queriam investigar o escândalo a fundo e os que pretendiam manter Montesinos em suas funções para que ele continuasse a controlar o rumo das apurações. Foi nesse ponto, segundo a fonte ouvida pela AE, que o mar de lama começou a respingar na Casa de Pizzarro, a sede do governo do Peru.

Vásquez passou a instigar o presidente Alberto Fujimori a afastar Montesinos de vez, mas Fujimori resistia a essas investidas, levando em conta a intranqüilidade que isso levaria aos quartéis. Ao mesmo tempo, Montesinos começava a rosnar na direção do próprio presidente.

A conta-gotas, surgiram versões de que a filha do presidente e primeira-dama do país, Keiko Sofía, mantinha grande participação acionária em hotéis de Luxo em Cusco, no sul do país, e tinha-se tornado sócia de empresas mineradoras. Montesinos - o especialista em destruir reputações - estaria por trás dos boatos.

A divulgação, na quinta-feira, da fita de vídeo na qual Montesinos aparece subornando o deputado oposicionista Alberto Kouri para que ele engrossasse a maioria do governo no Congresso entretanto, foi a gota d'água para Fujimori. À boca-pequena, analistas peruanos atribuem a filtração da fita a uma ação de Vásquez.

De acordo com uma versão difundida na segunda-feira à noite no programa do jornalista Jaime da Althaus, da emissora a cabo Canal N, Fujimori foi informado no sábado que Montesinos tramava com alguns oficiais das Forças Armadas, um golpe de Estado para evitar que fosse destituído. Nesse mesmo dia, o presidente convocou uma reunião de emergência com a cúpula militar, o vice-presidente Francisco Tudela, Vásquez e três parlamentares da base fujimorista. Keiko também participou do encontro. Os militares queriam que Montesinos fosse mantido em suas funções, mas Fujimori prosseguiu firme em sua posição de destituí-lo. Em certo momento da reunião, aos prantos, Keiko pediu ao pai que tomasse a decisão mais correta para evitar que o desfecho da crise fosse o exílio da família ou danos para a integridade de Fujimori.

Após horas de negociações, Fujimori dirigiu-se aos oficiais e afirmou que não daria aos militares o pretexto da suposta ilegitimidade de sua "re-reeleição", em maio, para justificar um golpe contra ele. Anunciou em seguida que gravaria uma mensagem pela TV convocando novas eleições, das quais ele não participaria. A reunião encerrou-se abruptamente. Fujimori dirigiu a uma ala do palácio presidencial onde gravou o pronunciamento à noite, transmitindo-o, via satélite, para a sede da emissora de TV CPN, em Lima.

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Roberto Lameirinhas/Agência Estado

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