SUVs avançam em participação nas vendas do ano passado
SUVs continuam sendo a categoria de veículo mais atraente entre compradores no Brasil e preferência sobe de 28% para 37%
Como plenamente visível nas ruas e estradas, SUVs continuam sendo a categoria de veículo mais atraente entre compradores no Brasil, a exemplo do que acontece há décadas nos EUA, já estabelecida na Europa nos últimos 10 anos e até na China. Estudo que a Bright Consulting acaba de divulgar, indica a subida na preferência dos brasileiros de 28% para 37,3%, entre 2024 e 2025.
O segundo tipo de veículo a conquistar mais adeptos foi o segmento de picapes. Todavia, o crescimento de participação praticamente se estabilizou: 18,7%, em 2024 e 19%, no ano passado. Neste caso específico ainda falta uma pesquisa mais apurada sobre quem utiliza esse tipo de veículo para transporte de carga, simplesmente como uso convencional ou misto. Continuaram as quedas dos hatches, antes dominantes por décadas, de 25,1% para 21,95% e também dos sedãs, de 12% para 9,7%.
Esta “febre” pelos SUVs poderia se explicar pela facilidade de acesso, espaço interno e até visibilidade. Entretanto, com a frota crescente deste tipo de veículo a visibilidade já está razoavelmente comprometida em ruas e estradas. Os compradores, no entanto, aceitam o veículo como ele é, mesmo que gaste um pouco mais de combustível, pneus em geral mais caros ou que a altura maior do centro de gravidade possa dificultar manobras de emergência.
Só uma dúvida ainda paira. Os SUVs já atingiram o ápice ou continuarão a crescer na preferência dos compradores e até que nível? Tudo parece indicar aumento contínuo de participação. Em que patamar vão se estabilizar seria tema interessante para as consultorias e empresas de pesquisas. Fica aqui mais esta sugestão.
China recua sobre produção de carros autônomos
Um acidente grave que resultou na morte de três estudantes universitárias, em março de 2025, levou os reguladores chineses a desincentivar o programa de automóveis autônomos apenas em dezembro último. O carro, um sedã elétrico Xiaomi SU7, apresenta linhas claramente “inspiradas” no Porsche Taycan. O SU7 vem com sistema próprio de automação de Nível 2,5 e se chocou contra um obstáculo de interdição parcial de pista em uma rodovia. Na realidade, outros acidentes semelhantes já haviam ocorrido, mas os censores chineses impediram a ampla divulgação.
A Xiaomi tem forte presença em telefones celulares no Brasil e na China é considerada uma das campeãs nacionais em tecnologia de ponta. Isso a levou a produzir automóveis e partir para enfrentar a Tesla, que também se envolveu em vários acidentes até agora investigados nos EUA. O Nível 2,5 atual obriga os motoristas a manterem as mãos no volante e estejam prontos para intervir quando alertados do risco de acidente.
Vários acidentes, alguns fatais, ocorreram com os Tesla nos EUA e a empresa enfrenta investigações. Em 2018, um Volvo XC90 autônomo Nível 4 durante teste noturno da Uber envolveu-se em atropelamento fatal de uma ciclista. Antes, em 2016, o motorista de um Tesla morreu ao se chocar contra um caminhão-baú branco não detectado pela câmera do automóvel. Carros autônomos experimentais continuam a ser avaliados em vias públicas nos EUA. Europa e Japão estão bem mais cautelosos.
Pesquisa recente nos EUA indicou 9,1 acidentes por um 1,6 milhão de quilômetros rodados com veículos autônomos e 4,1 acidentes (menos da metade) em veículos dirigidos por motoristas de carne e osso. GM, Uber e antes a Apple desistiram, mas Waymo (Google) continua.
A China também acaba de proibir, a partir de 2027, o uso de maçanetas externas retráteis em carros elétricos. Estes deverão dispor de sistemas mecânicos internos e externos para que as portas possam ser abertas em caso de acidentes. Há risco de pessoas ficarem presas dentro dos veículos, sem que socorristas tenham como abri-las. Pelo menos uma maçaneta interna terá que ser claramente identificada e não meio escondida como em alguns modelos atuais.
Audi A5: preço competitivo e ótimo desempenho
Audi A5 já foi um cupê derivado do sedã A4, este considerado um dos modelos de linhas mais atraentes da história da marca alemã. Agora evoluiu para uma carroceria classificada pela fabricante como Sportback, caracterizada pela tampa do porta-malas e o óculo traseiro em peça única. As portas voltaram a ter molduras nos vidros e há vincos fortes nas laterais e capô. A frente, mais arrojada, destaca a tradicional grade hexagonal e grandes entradas de ar laterais. Até o nome cresceu: Performance S Edition Quattro.
Suas dimensões privilegiam o espaço interno e em vantagem contra concorrentes alemães diretos (BMW 320i e Mercedes Classe C): comprimento, 4.829 mm; entre-eixos, 2.892 mm; largura, 1.860 mm; altura, 1.410 mm; tanque, 56 L. Porta-malas 417 L, sem estepe, apenas kit de reparo. Pneus têm perfil bem baixo, 245/35 R20, que exigem mais atenção com buracos.
Novo motor 2-L turbo de quatro cilindros, um dos pontos altos, entrega bom aumento de potência e torque: 272 cv e 40,8 kgf·m. Forma um conjunto muito bem afinado com câmbio automatizado de duas embreagens, sete marchas e tração 4x4. Respostas ao acelerador, agilidade no trânsito e facilidade nas ultrapassagens em estradas demonstram uma evolução marcante frente à geração anterior, ao longo da avaliação. Aceleração de 0 a 100 km/h em 5,9 s também coloca o Audi em vantagem.
No interior, a generosa distância entre-eixos deixa os passageiros do banco traseiro (salvo obviamente de quem vai na posição central) bem mais à vontade. Bem interessante é o teto solar com controle de luminosidade que dispensa a persiana tradicional, além de formar faixas transversais. Causa estranheza os botões dos faróis na porta do motorista. Seu acompanhante perdeu a tela multimídia com visão exclusiva, substituída por uma tampa. Contudo, ajuda a explicar o preço do carro fixado em base competitiva frente aos concorrentes Preço: R$ 379.990.
Poucas mudanças, mas Ford Bronco Sport ainda impressiona
Utilitário raiz, como se costuma dizer, por seu estilo de linhas retas. O Ford Bronco Sport continua a se destacar no uso fora de estrada e recebeu retoques na linha 2025 suficientes para justificar o ano-modelo, agora na versão Badlands. Apliques maiores nas caixas de rodas, friso lateral mais largo, pequeno defletor de teto, novo para-choque traseiro e na frente um simulacro de peito-de-aço. Também de série o engate de reboque como deve ser: do tipo desmontável que não danifica para-choques de outros carros, nem atinge as canelas de quem circula sem olhar para o chão como qualquer mortal.
Igualmente agradam seu aspecto geral e dimensões compactas (mm): comprimento, 4.420; entre-eixos, 2.670; largura, 1.888; altura, 1.814; vão livre, 220 mm; capacidade de imersão, 600 mm, porta-malas, 580 L (padrão americano, diferente do internacional VDA). Tanque diminui de 64 para 59 L por razão de emissões evaporativas. Motor sem alterações: 2 L, gasolina, 2-L, turbo, 253 cv, 38,7 kgf·m. Câmbio automático, oito marchas. Aceleração 0 a 100 km/h em 8,3 s demonstra sua boa agilidade. Consumo declarado (padrão Inmetro): 8,4 km/l, cidade e 10,7 km/l, estrada.
À tração 4x4 e ao bloqueio do diferencial traseiro somam-se nada menos de sete modos de condução: Normal, Eco, Esportivo, Escorregadio, Rock Crawl (terrenos rochosos), Off-Road (lama) e Rally (areia). Mesmo com massa total de 1.794 kg o desempenho, em qualquer tipo de terreno, está entre os pontos altos do Bronco. Para isso contribuem as câmeras de visão 360°.
Tanto em estrada quanto em cidade, demonstra agilidade e rápida resposta ao acelerador. Outro ponto de relevo é a capacidade de superar buracos e superfícies irregulares em asfalto ou terra, sem se tornar desconfortável para motorista e ocupantes. Destaque também para a central multimídia de 13,2 pol. com Android Auto e Apple CarPlay, embora o pareamento sem fio tome um pouco mais de tempo. Preço: R$ 270.000.
Nota do Autor: na coluna anterior, principais lançamentos no Brasil em 2026 da VW são os novos Taos (já este mês nas concessionárias) e Tiguan (meados do ano), ambos mexicanos, além de facelift do Golf GTI. T-Cross híbrido (segunda geração) só em 2027.