Pokémon Red & Blue: segredos e curiosidades do clássico do Game Boy
Os jogos que deram início a uma das maiores franquias da cultura pop
Quando Pokémon Red & Blue chegaram ao ocidente em 1998, poucos imaginavam que aqueles simples cartuchinhos para Game Boy dariam início a uma das maiores franquias da cultura pop mundial.
Mas por trás da jornada de Kanto e da busca para se tornar um Mestre Pokémon, esconde-se um universo de segredos, bugs e diferenças que só aumentam a lenda deste clássico.
Confira algumas dessas curiosidades a seguir aqui no Game On!
A lenda do MissingNo.
Talvez o maior mistério e bug que marcou a história dos videogames, o encontro com o MissingNo. (Número Faltante), o “Pokémon inexistente” que podia bagunçar gráficos, duplicar itens e virar um mito instantâneo no recreio da escola.
Longe de ser apenas uma lenda urbana, MissingNo. era um erro de programação real, uma representação de dados não alocados. Sua aparição podia duplicar o sexto item na sua bolsa — um cheat de itens instantâneo — mas também arriscava corromper seus dados salvos, tornando-o um bicho-papão digital que aterrorizou e encantou a infância de milhões.
De forma geral, o MissingNo. apresenta quatro formas diferentes: uma espécie de letra d, minúscula, embaralhada, um quadrado com imagens faltando, e outras que pertencem à outros Pokémon.
Outro clássico é a eterna lenda de que Mew estaria escondido atrás de um caminhão perto do navio S.S. Anne — um mistério que, mesmo falso, fez milhões de crianças perderem horas tentando confirmar.
Na prática, não havia absolutamente nada programado ali. O caminhão era apenas um detalhe gráfico, usado pelos desenvolvedores como cenário, mas acabou despertando a imaginação dos jogadores porque parecia fora de lugar no mapa. Na época, sem internet rápida ou guias oficiais amplamente disponíveis, os rumores corriam de boca em boca, nas revistas de videogame e até em locadoras.
Esse mito foi tão marcante que, anos mais tarde, os próprios criadores da franquia fizeram homenagens: no Pokémon FireRed & LeafGreen (remakes para Game Boy Advance), o caminhão foi mantido no mesmo local como uma espécie de piada interna para fãs mais antigos.
E, em versões posteriores como Pokémon Let’s Go para o Switch, também há referências que alimentam a nostalgia.
Por que a versão ocidental era diferente da japonesa?
Antes do lançamento no ocidente, os japoneses conheceram Pokémon Red & Green em 1996. Curiosamente, a versão Blue só saiu alguns meses depois como uma edição especial, trazendo gráficos revisados e correções de bugs. Essa versão se tornou tão estável que foi a escolhida como a base oficial para a adaptação ocidental.
Quando o jogo atravessou o oceano, em 1998, os americanos e europeus não receberam o Red & Green originais, mas sim uma combinação diferente: Pokémon Red & Blue. O detalhe curioso é que, apesar do nome, o Blue ocidental não era o mesmo Blue japonês — mas sim um híbrido, que mesclava as melhorias gráficas da edição especial com mudanças específicas para o público do ocidente.
Isso explica as várias diferenças de sprites, textos e até da distribuição de Pokémon selvagens entre regiões nas duas versões.
A primeira vez que o mundo conheceu Pikachu
Em Pokémon Red & Green (Japão, 1996), Pikachu era apenas mais um dos 151 monstrinhos disponíveis para captura, sem grande destaque inicial. Seu design simples e fofinho, inspirado em roedores, chamava a atenção, mas não o colocava entre os protagonistas. Na época, quem realmente representava os jogos eram Charizard e Blastoise.
Foi a recepção estrondosa do jogo e o sucesso do anime subsequente, lançado em 1997 e transmitido no Brasil a partir de 1999, que o destacou como companheiro de Ash Ketchum, que o catapultou à posição de mascote global da franquia, cargo que ocupa até hoje.
O sucesso foi tão grande que, em 1998, a Game Freak lançou no Japão Pokémon Yellow: Special Pikachu Edition. Nesse jogo, Pikachu não só se tornou o Pokémon inicial obrigatório, como também seguia o jogador fora da Poké Ball — reproduzindo a dinâmica do anime. Foi o primeiro passo oficial para consolidá-lo como mascote da franquia.
A febre dos anos 90
O impacto de Pokémon Red & Blue foi tão grande que rapidamente ultrapassou as telas do Game Boy e se espalhou por todas as áreas da cultura pop. O anime, lançado em 1997, apresentou ao público personagens inesquecíveis e consolidou Pikachu como ícone mundial.
Nas escolas, os cards colecionáveis Pokémon Trading Card Game (TCG) viraram febre, com disputas acirradas e a busca quase mítica pela Charizard holográfica, a carta mais cobiçada da época. Paralelamente, lojas foram tomadas por brinquedos, pelúcias e produtos licenciados, enquanto campanhas gigantes, como as do McDonald’s com brindes no McLanche Feliz, ampliavam ainda mais o alcance da marca.
Pokémon não era mais apenas um jogo: era um fenômeno social que unia crianças do mundo todo em torno do mesmo universo, e que transformou dois simples cartuchinhos do Game Boy em um dos maiores impérios do entretenimento já criados.
Um legado imortal
Quase 30 anos depois, Pokémon Red & Blue continuam sendo lembrados como a porta de entrada para milhões de jogadores no incrível universo dos monstrinhos de bolso. Suas falhas, segredos e até lendas urbanas se tornaram parte essencial do charme que moldou a infância de toda uma geração.
Para milhões de jogadores, foram a primeira experiência em um RPG, a primeira troca de monstros por cabo link, ou a primeira vez que um jogo portátil parecia ter um “mundo inteiro” dentro dele.
Mais do que isso, Red & Blue representam um marco histórico da cultura pop e o ponto de partida de um império que cresceu para além dos games, alcançando animes, filmes, cartas e todo um ecossistema multimídia. Hoje, quando se fala em Pokémon, é impossível não lembrar da tela monocromática do Game Boy e da trilha sonora em 8 bits que deu início a tudo.
Um legado imortal que até hje reside na memória afetiva de quem viveu essa febre — e na capacidade que esses jogos ainda têm de emocionar e encantar, mesmo depois de décadas após o seu lançamento.