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Nos anos 90, a Tectoy fez o impossível: colocou Street Fighter II no Master System

Uma das conversões mais improváveis da geração nasceu justamente no Brasil e mostrou até onde a Tectoy conseguia levar o velho Master System

19 set 2026 - 12h41
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Nos anos 90, a Tectoy fez o impossível: colocou Street Fighter II no Master System
Nos anos 90, a Tectoy fez o impossível: colocou Street Fighter II no Master System
Foto: Reprodução

No final dos anos 90, o PlayStation já estava dominando as conversas entre os jogadores, o Nintendo 64 havia chegado ao mercado e o Mega Drive ainda fazia bastante sucesso no Brasil. Enquanto isso, um console que o resto do mundo praticamente já havia aposentado continuava firme e forte por aqui. Era o Master System.

Foi nesse cenário de mercado único que a Tectoy, distribuidora oficial da Sega no Brasil, realizou o que parecia tecnicamente impossível: adaptar o maior jogo de luta da história, Street Fighter II, para o Master System.

Não uma versão pirata, não uma adaptação feita por fãs décadas depois e nem um jogo parecido. Era uma versão oficialmente licenciada de Street Fighter II, desenvolvida para o console de 8 bits e lançada exclusivamente no Brasil.

O desafio de colocar um gigante no 8 bits

Desenvolver Street Fighter II para o guerreiro console de 8 bits não era apenas uma tarefa ousada; era um pesadelo de engenharia e programação. O hardware do Master System possuía limitações severas de memória, processamento e paleta de cores quando comparado aos arcades da Capcom ou ao Mega Drive.

A equipe da Tectoy passou a trabalhar em uma adaptação que aproveitava recursos de outras versões do jogo, especialmente materiais gráficos relacionados às versões de Mega Drive. 

Segundo relatos sobre o desenvolvimento, foram necessários quase 12 meses de trabalho para extrair, adaptar, compactar e reorganizar o conteúdo (como redesenhar os quadros de animação pixel por pixel) para que tudo pudesse caber em um cartucho de 8 Megabits (1 Megabyte), o maior tamanho já utilizado na biblioteca oficial do Master System.

A pegadinha com a Capcom

Foto: Reprodução

Após meses de trabalho, a Tectoy havia conseguido criar uma demonstração impressionante, mas precisava convencer a dona de Street Fighter II, a Capcom, de que aquela versão realmente poderia funcionar.

E foi aí que aconteceu uma das histórias mais curiosas envolvendo um jogo brasileiro. Stefano Arnhold, então presidente da Tectoy, contou que a empresa apresentou o jogo a um representante da Capcom sem revelar imediatamente em qual console ele estava rodando.

O visitante recebeu um controle de Mega Drive. A Tectoy escondeu o Master System. O representante começou a jogar e, acreditando estar diante de uma versão para o console de 16 bits, avaliou o resultado sem ficar muito impressionado.

Até que veio a revelação. Aquele jogo estava rodando em um Master System. Segundo Arnhold, o representante da Capcom ficou impressionado com a capacidade do console de exibir personagens daquele tamanho e aprovou o projeto.

Obviamente, o jogo tinha suas limitações físicas. Ele tinha apenas 8 personagens, a jogabilidade era mais lenta, os controles de dois botões do Master System exigiam combinações para alternar entre socos e chutes (médios e fortes), as animações foram simplificadas e ocorriam piscadas de sprites na tela quando os personagens se aproximavam.

Um marco da engenharia brasileira

Foto: Reprodução

O Street Fighter II do Master System é um daqueles jogos que ajudam a explicar por que a história dos videogames brasileiros é tão peculiar. Enquanto o resto do mundo já olhava para consoles mais poderosos, a Tectoy continuava explorando os limites de um hardware lançado anos antes.

E foi justamente dessa insistência que nasceu uma das conversões mais improváveis da geração. Não era o Street Fighter II perfeito. Apesar das concessões necessárias para o hardware, a versão de Street Fighter II para o Master System desenvolvida pela Tectoy tornou-se uma lenda na indústria global de videogames. 

O título não apenas provou a capacidade criativa dos desenvolvedores brasileiros, como também é até hoje citado por historiadores e entusiastas de preservação como um dos ports mais impressionantes e improváveis da história dos 8 bits.

Fonte: Game On
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