Jogamos: Overwatch - 1ª temporada é o recomeço que a franquia precisava
Nova fase aposta na história e reorganiza o jogo por completo
Vinte temporadas foram suficientes para Overwatch 2 se despedir do número e voltar a usar apenas o nome Overwatch, aquele que marcou uma geração há dez anos. Isso não é apenas uma troca estética, mas sim uma decisão que tenta sinalizar um novo momento para a franquia.
Durante muito tempo, a sensação era de que o jogo atualizava sistemas, adicionava personagens, mas não caminhava com firmeza na própria identidade. Essa primeira temporada deixa claro que a intenção agora é diferente. Existe um esforço real para reorganizar a casa e dar um rumo mais definido ao que vem pela frente.
Reinado da Talon
Com uma breve cinemática que contextualiza a história atual, principalmente para quem perdeu a introdução da Vendetta e não acompanhou quem ela foi nas temporadas anteriores, fica subentendido que essa nova era de Overwatch também representa um recomeço na narrativa. Quando o título ainda utilizava o número dois, não havia a sensação de que a história estava caminhando para algum lugar, nem mesmo com a introdução de Ramattra.
Agora, com Vendetta assumindo o controle da Talon, arrancando o braço de Doomfist e o fazendo sumir do mapa, além de ter atacado a base da Overwatch em Gibraltar, finalmente existe um senso de continuidade, algo que o jogo parece querer desenvolver de vez, assim como as grandes franquias da Blizzard.
As principais novidades dessa nova repaginada de Overwatch vão além do menu, que foi atualizado desta vez. Não fui muito fã pelo excesso de informações na tela, lembrando menus de jogos online para celular, mas dá para entender o motivo da mudança, já que é um padrão da indústria.
Os heróis Domina, Emre, Jetpack Cat, Anran e Mizuki foram introduzidos nesta nova era do jogo, sendo dois suportes, dois de dano e um tanque. Domina é a única personagem nova a entrar na lista de tanques.
Na jogabilidade, ela lembra uma mistura de Zarya, Sigma e Mei. Sua arma é um laser, muito útil contra personagens como D.Va, já que atravessa seu escudo com facilidade. Após certo tempo de uso, o disparo libera um estilhaço que causa ainda mais dano. Ela também possui um escudo posicionável que funciona de forma diferente dos demais. Em vez de ser destruído de uma vez, ele perde pequenos quadrados até desaparecer por completo. Além disso, conta com um empurrão eficiente contra DPS próximos. Se o inimigo for lançado contra uma parede, fica atordoado.
O único ponto fraco de Domina é sua ult, que acaba sendo pouco impactante. Ela bloqueia certas habilidades inimigas ao prender adversários em uma espécie de casulo que depois se desfaz, mas depende muito do time para garantir eliminações. Lembra a ult de Illari, porém a dela é mais eficiente pelo tempo de ativação. A de Domina é mais lenta.
Emre e Anran se diferenciam de outros heróis de dano. Anran recompensa um estilo mais agressivo, já que seus ataques com o leque exigem proximidade para aplicar dano contínuo de queimadura. Ela também possui uma habilidade que a deixa praticamente invulnerável por alguns segundos, muito útil contra vários inimigos, aumentando o número de ataques durante a ativação.
Emre, por sua vez, é como se fosse Halo dentro de Overwatch. Ele usa uma arma de rajada com mira precisa, pode lançar granadas e ainda conta com uma pistola como habilidade secundária que aumenta sua velocidade e drena a vida dos inimigos em momentos críticos, principalmente quando o suporte está ocupado com outros aliados.
Sobre as habilidades supremas, a de Anran se destaca. Ela pode ser ativada tanto em vida quanto após ser eliminada, sendo especialmente útil nesse segundo caso se os inimigos estiverem na área de dano. Ao utilizá-la, é possível retornar à vida. A de Emre é mais tradicional para um herói de dano, lembrando a de Pharah, já que ele voa enquanto dispara projéteis explosivos. Ambos têm curva de aprendizado razoável, são fáceis de entender e divertidos de usar, especialmente Emre, que lembra bastante um Spartan de Halo.
Os dois novos suportes também são fáceis de jogar. Mizuki pode parecer confuso no início, já que suas foices ricocheteiam nas paredes, mas depois que se entende o ritmo, ele lembra um pouco a Moira. Ele ainda possui uma habilidade que prende inimigos no chão por um tempo, muito útil contra Doomfist ou Winston. Já Jetpack Cat é um dos personagens mais simples de usar. Além do visual cômico, sua suprema permite agarrar um adversário e levá-lo para longe, até mesmo para o precipício.
Essas mudanças não se limitam aos personagens novos. Mapas foram atualizados para refletir a história. Gibraltar agora tem um visual mais destruído, outras fases contam com bandeiras da Talon e uma delas exibe uma estátua da Vendetta no centro. Os personagens também passaram a ser organizados na tela de seleção por especialista, robustez, flanqueamento, artilharia e outras subfunções que atuam como passivas. É uma evolução natural dos aprimoramentos introduzidos há um ano atrás, uma das melhores adições recentes à franquia, e essas subfunções ampliam ainda mais o que já funcionava bem.
Considerações
O retorno ao nome original funciona como um símbolo, mas o que realmente importa está nas mudanças estruturais e na tentativa de fortalecer a narrativa. A história finalmente parece andar, os sistemas conversam melhor entre si e o jogo passa a impressão de que está sendo planejado com mais cuidado.
Não é uma transformação radical, mas é o tipo de ajuste que a franquia precisava há tempos. Se mantiver essa consistência nas próximas temporadas, Overwatch pode recuperar o fôlego e voltar a ocupar o espaço que já foi só dele.
Overwatch está disponível para PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Switch, Xbox One e Xbox Series