Jenna Gray: "Jogar no Brasil me mostrou como ser mais criativa e resiliente"
Jenna Gray se despede do Osasco/São Cristóvão Saúde com a sensação de gratidão. Eleita a melhor levantadora da Superliga 2025/2026, a americana fez questão de citar o trabalho realizado pelo técnico Luizomar de Moura como um diferencial para o seu crescimento como atleta na temporada que terminou com dois títulos (Supercopa e Copa Brasil), a prata no Sul-Americano e a medalha de bronze no Campeonato Mundial de Clubes.
A levantadora está no Brasil desde 2023, quando chegou ao Gerdau Minas. Nesta entrevista ao clube paulista, Jenna Gray analisou a passagem, o desempenho em Osasco e não descarta uma volta no futuro.
A levantadora é o cérebro de uma equipe. Ao terminar a temporada reconhecida como a melhor levantadora da Superliga, você sente que esse prêmio valoriza não apenas a técnica, mas também a leitura de jogo, a liderança e a capacidade de tomar decisões sob pressão?
Acredito que a precisão e a técnica são apenas uma pequena parte do que faz uma levantadora ser grande. Nós somos o elo de ligação dentro da quadra e dependemos de toda a cadeia de fundamentos do jogo — do passe, da defesa e também da finalização das atacantes. Também é fundamental entender a personalidade de cada atacante e saber como utilizá-la da melhor maneira ao longo das partidas. Eu realmente acredito que uma levantadora só consegue brilhar quando as pessoas ao seu redor também estão brilhando. Esse prêmio não seria possível sem as atuações incríveis das minhas companheiras de equipe.
Você chegou ao Osasco em uma temporada cheia de expectativas, com um elenco forte e atacantes de características muito diferentes. Em que momento percebeu que havia encontrado o ritmo ideal para comandar essa equipe?
Acho que começamos realmente a encontrar nosso ritmo em dezembro, especialmente durante o Mundial de Clubes. Ver que tínhamos capacidade de competir contra as melhores equipes do planeta nos deu uma confiança que nos acompanhou pelo restante da temporada.
Uma levantadora precisa equilibrar estratégia e sensibilidade. Saber quando acelerar o jogo, quando continuar confiando em uma determinada atacante, quando tirar o bloqueio adversário da zona de conforto e quando simplificar. Qual foi o momento mais difícil de administrar ao longo desta temporada?
Nós disputamos todas as competições da temporada, o que representou quase 60 jogos no total. Em alguns momentos, chegamos a jogar cinco partidas em seis dias. Para mim, o maior desafio foi conseguir se recuperar física e emocionalmente depois de grandes vitórias ou derrotas importantes.
Você chegou ao Brasil com uma carreira sólida. O que o vôlei brasileiro acrescentou ao seu repertório como levantadora, especialmente nesta temporada com o Osasco?
Acho que jogar no Brasil me mostrou como ser mais criativa e resiliente. Tive liberdade para conduzir sistemas ofensivos muito dinâmicos e assumir riscos que eu ainda não havia experimentado antes.
Você trabalhou com Luizomar, um técnico conhecido por sua intensidade, leitura tática e histórico de desenvolvimento de grandes equipes. Como foi trabalhar com ele e de que forma essa relação influenciou sua maneira de conduzir o time?
Sou muito grata pela oportunidade de trabalhar com o Luizomar. Ele nunca deixou de demonstrar confiança em mim, e isso significou muito. Todos os dias, ele trazia uma energia positiva e encorajadora. Acho que o Osasco é um clube tão especial porque ele cria um ambiente sem julgamentos. Isso me permitiu não ter medo de errar e jogar sendo verdadeiramente eu mesma. A confiança que ele construiu em mim me ajudou a estar melhor a cada dia para as minhas companheiras.
Fale um pouco sobre sua relação com suas companheiras de equipe.
Acho que palavras não conseguem expressar todo o carinho que sinto pelas minhas companheiras. As meninas desta temporada foram muito especiais. Todos os dias, elas encontravam uma forma de manter uma atitude positiva, mesmo quando estávamos exaustas. Nos momentos difíceis, nunca nos desunimos e sempre tratamos umas às outras com respeito. Foi um dos grupos mais acolhedores dos quais já fiz parte. Todos os dias eu me via rindo com elas.
A torcida de Osasco costuma criar uma relação muito forte com jogadoras que demonstram identificação, competitividade e presença em quadra. Depois desta temporada, que lembrança você gostaria que ficasse da Jenna Gray para os torcedores de Osasco?
Espero que os torcedores de Osasco saibam que entreguei tudo o que podia nesta temporada. Eles me acolheram desde o primeiro momento, e esse apoio nunca enfraqueceu. Isso significa muito para mim, e serei eternamente grata pela lealdade que demonstraram comigo.
A torcida pode esperar ver Jenna Gray novamente com a camisa do Osasco no futuro?
Existe uma boa possibilidade.
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