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Título, dívida e polêmicas: relembre a passagem de Daniel Alves pelo São Paulo

11 set 2021 06h20
| atualizado às 06h20
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A passagem de Daniel Alves pelo São Paulo chegou ao fim. Na sexta-feira, o Tricolor comunicou que o jogador se recusou a se reapresentar após defender a Seleção Brasileira até que a dívida do clube com ele, de aproximadamente R$ 11 milhões, seja paga. Por conta da atitude do lateral-direito, a diretoria decidiu que o camisa 10 não jogará mais pelo time do Morumbi.

Sendo assim, a trajetória de Dani Alves pelo São Paulo durou pouco mais de dois anos. Contratação mais badalada do Tricolor nos últimos anos, o vitorioso jogador de 38 anos ajudou o clube a encerrar seu jejum de títulos, mas também colecionou polêmicas fora de campo, além de altos e baixos dentro dele.

Euforia na contratação e apresentação para 44 mil pessoas no Morumbi

Daniel Alves foi anunciado oficialmente pelo São Paulo no dia 1º de agosto de 2019. O lateral, então com 36 anos, vinha de uma Copa América de destaque pela Seleção Brasileira. Além da conquista continental, ele ainda foi eleito o melhor jogador do torneio.

Logo no anúncio, o defensor reforçou o desejo antigo de vestir a camisa tricolor. Torcedor são-paulino desde a infância, Daniel tinha propostas de times europeus, mas optou pela equipe brasileira para chegar em 2022 com condições de disputar a Copa do Mundo e realizar o antigo sonho.

Maior vencedor de títulos da história do futebol, o lateral-direito foi apresentado no dia 6 de agosto para cerca de 44 mil torcedores no Morumbi. O reforço foi recepcionado por ídolos do clube, como Hernanes, Raí, Lugano, Kaká e Luís Fabiano, e recebeu a camisa 10.

Estreia com gol e nova posição

A estreia pelo clube de coração veio 10 dias depois da apresentação. Diante do Ceará, no Morumbi, pela 15ª rodada do Brasileirão de 2019, Daniel Alves foi titular do São Paulo, mas como meio-campista. Mesmo se adaptando ao novo papel em campo, ele marcou o gol da vitória do Tricolor aos 39 minutos.

O novo posicionamento não foi algo momentâneo. Apesar de ter se destacado no futebol europeu como lateral-direito, Dani Alves foi utilizado como segundo volante em seu primeiro ano e meio de São Paulo. A mudança foi resultado da chegada do espanhol Juanfran, também lateral-direito, e do desejo do atleta em atuar na função.

Apesar da boa estreia, a primeira temporada do craque pelo Morumbi foi apagada. Mesmo com a qualidade técnica acima da média e já usando a faixa de capitão, o camisa 10 não conseguiu ser protagonista das equipes de Cuca e Fernando Diniz. Em 2019, o São Paulo teve o pior ataque de sua história, com média de 0,95 gol por jogo. Já Daniel Alves somou dois tentos e três assistências em 20 partidas.

Temporada de 2020 com altos e baixos

Assim como o próprio São Paulo, Daniel Alves oscilou em 2020. O início de temporada foi o melhor da carreira do jogador, com cinco gols em dez jogos. Até a paralisação do futebol brasileiro por conta da pandemia do novo coronavírus, ele comandou o Tricolor, que chegou a empolgar o torcedor com boas atuações.

Após a pausa de mais de quatro meses, no entanto, Daniel caiu de produção junto com o time. Em pleno Morumbi, o São Paulo foi eliminado para o Mirassol nas quartas de final do Paulistão. Pouco tempo depois, o camisa 10 sofreu uma fratura no antebraço direito e precisou passar por cirurgia, sendo desfalque durante um mês.

Primeira polêmica

A fratura no braço foi justamente o que gerou a primeira polêmica de Daniel Alves no São Paulo. Enquanto se recuperava da lesão, o lateral publicou vídeo nas redes sociais tocando percussão com amigos em sua residência. As imagens não repercutiram bem entre os torcedores. Posteriormente, o camisa 10 fez algumas postagens "enigmáticas" ironizando a situação.

Na época, o Tricolor passava por um momento conturbado dentro de campo. Entre setembro e começo de outubro de 2020, o time do Morumbi ficou sete jogos consecutivos sem vencer, sequência que culminou em eliminação na fase de grupos da Libertadores e protestos de torcedores em frente ao CT da Barra Funda, com Dani Alves como alvo.

De outubro a dezembro, no entanto, o São Paulo atingiu seu melhor futebol na temporada. Com Daniel Alves ditando o ritmo da equipe, ajudando na criação das jogadas, o Tricolor, então sob o comando de Fernando Diniz, chegando até as semifinais da Copa do Brasil e alcançando a liderança do Campeonato Brasileiro, chegando a ficar invicto por 10 jogos.

O bom momento acabou na virada do ano. Depois da eliminação na Copa do Brasil para o Grêmio, o São Paulo ficou oito partidas sem triunfar e despencou na tabela do Brasileirão. Os resultados ruins resultaram na demissão de Diniz e em mais cobranças sobre Daniel Alves.

Depois da derrota por 5 a 1 para o Internacional, maior goleada da história do clube no Morumbi e que marcou a perda da liderança da competição nacional, muitos torcedores cobraram respostas de Daniel, capitão da equipe. Um dia depois do revés, o jogador deu entrevista coletiva e minimizou as críticas sofridas.

"Às vezes você erra, acerta, mas eu acabei de falar. Eu posso pecar por excesso, nunca por omissão. Sempre estarei exposto, no olho do furacão, eu vou ser o que vai sangrar mais, que vai ser o colete, e eu sempre quis ter esse papel na minha vida. Evidente que quando os resultados não vêm, aqui no São Paulo sempre que juntou Diniz com Dani a culpa é minha, dele ou dos dois", disse na ocasião.

Dani Alves terminou a temporada de 2020 com sete gols, maior marca da carreira, e sete assistências em 53 partidas.

Volta para lateral e título

A atual temporada pode ficar marcada por ter sido a última de Daniel Alves pelo São Paulo, mas foi também a única em que ele conquistou um título. Com a saída de Fernando Diniz, chegada de Hernán Crespo e implementação do esquema com três zagueiros, o camisa 10 virou ala-direita.

Jogando pelo antigo setor, foi um dos principais destaques do Tricolor na grande campanha do Campeonato Paulista. Por conta de um trauma no joelho esquerdo, ele não participou do segundo jogo da final do Estadual, vencida pelo time de Crespo sobre o Palmeiras, mas ajudou o clube a encerrar um jejum de quase nove anos sem levantar um troféu.

Olimpíadas, dívida e nova polêmica

Os Jogos Olímpicos de Tóquio motivaram novo atrito de Daniel Alves com a torcida são-paulina. Convocado como um dos três  jogadores acima de 24 anos para representas o Brasil, o lateral acabou desfalcando o Tricolor em nove partidas enquanto disputava o torneio no Japão, incluindo duelos de oitavas de final da Libertadores e Copa do Brasil.

Como os Jogos Olímpicos não são realizados durante Data Fifa, o São Paulo não era obrigado a liberar o atleta. No entanto, o clube não vetou o jogador, fato que não repercutiu bem.

Em Tóquio, Daniel Alves faturou o ouro olímpico junto da Seleção Brasileira. Na comemoração, o defensor polemizou mais uma vez ao dizer que o clube do Morumbi havia falhado diversas vezes com ele.

"O São Paulo falhou muito comigo e era um momento que eu tinha de escolher pelo São Paulo e por defender meu país, e sempre vou representar meu país e por tabela representar o time. As pessoas falam porque não conhecem minha dedicação, entrega e respeito com o São Paulo, sendo que o São Paulo muitas vezes falhou comigo, e eu não falho com o São Paulo", disse em entrevista ao Uol.

"O São Paulo tem pendências comigo e não fui à imprensa falar disso, porque respeito o momento do clube, respeito o que o São Paulo está atravessando, mas também gostaria que o São Paulo e os são-paulinos me respeitassem, porque tudo que se fala são inverdades. Tenho muito orgulho de vestir a camisa do São Paulo, trabalho muito para isso e gostaria que respeitassem minhas decisões às vezes. É muito difícil estar no São Paulo, representando o São Paulo, sendo que o São Paulo não se comporta como eu me comporto. Mas nunca vou expor o São Paulo", concluiu.

Nas declarações, Daniel se refere a dívida de cerca de R$ 11 milhões que o clube possui com ele.

Eliminação na Libertadores e fim de ciclo

O término da passagem de Daniel Alves pelo São Paulo foi de forma melancólica. Após retornar das Olimpíadas, disputou somente mais quatro partidas, mas todas sem destaque. Ainda acabou eliminado nas quartas de Libertadores com a derrota por 3 a 0 para o Palmeiras, no Allianz Parque.

Pelo clube do Morumbi, Dani Alves somsou 10 gols e 14 assistências em 95 jogos, além de 221 assistências para finalizações, 92% de acerto nos passes, 30% de acerto no cruzamentos e 178 desarmes. Os números são do Footstats.

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