São Paulo: presidente do Conselho destitui Comissão de Ética horas antes de ter afastamento votado
Olten Ayres de Abreu Jr. deve nomear conselheiros favoráveis a expulsões de Casares, Belmonte e Dedé; ele esta em rota de colisão com presidente Harry Massis e virou alvo de inquérito policial por falsidade ideológica no Conselho Consultivo
Olten Ayres de Abreu Jr, presidente do Conselho Deliberativo (CD) do São Paulo, destituiu toda a Comissão de Ética do clube nesta terça-feira, 12. O órgão recomendou o afastamento do dirigente, cuja votação seria realizada no período da noite pelo CD, mas foi cancelada ainda nesta segunda.
Em nota oficial, Olten Ayres rechaçou tratar-se de "revanchismo" e afirma que a medida ocorre por "necessidade de preservação da credibilidade institucional". Ele nega também os rumores de que será candidato à presidência na eleição marcada para o fim do ano.
"Ao longo das recentes apurações, verificaram-se episódios que comprometeram a necessária percepção de isenção, inclusive com manifestações públicas, vazamentos seletivos, antecipações de julgamento e conduções incompatíveis com o ambiente de equilíbrio e serenidade que se espera de um órgão dessa natureza", diz trecho da nota (veja na íntegra ao fim do texto).
O Estadão apurou que Ayres deve nomear favoráveis às expulsões do ex-presidente Julio Casares, o ex-diretor de futebol Carlos Belmonte e e o ex-diretor administrativo Antonio Donizete (Dedé). O trio é alvo de investigações da Polícia Civil e do Ministério Público por supostas irregularidades.
Ayres é adversário político de Harry Massis Jr, que protocolou um pedido de afastamento de Olten Ayres do quadro associativo. O presidente da diretoria acusa o líder do Conselho de gestão temerária na sua atuação sobre a reforma estatuária do São Paulo, que travou ainda em estágio inicial.
O pedido foi recebido pelo próprio Ayres, enquanto presidente do Conselho Deliberativo. Ele encaminhou a solicitação à Comissão de Ética, a mesma responsável pela indicação das recentes expulsões de Douglas Schwartzmann e Mara Casares. O grupo emitiu um parecer que desconsiderou expulsão, mas sugeriu suspensão de Ayres além de solicitar ao clube um pedido à Polícia Civil para abertura de um inquérito para apurar a suspeita de falsidade ideológica no processo de formação do Conselho Consultivo.
Veja a nota oficial de Olten Ayres Jr.
O Presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube, Olten Ayres de Abreu Junior, comunica que, diante dos fatos ocorridos nos últimos meses envolvendo a condução de procedimentos disciplinares e a atuação da atual Comissão de Ética, deliberou pela reestruturação integral da referida comissão.
A decisão decorre da necessidade de preservação da credibilidade institucional, da imparcialidade dos processos internos e da confiança dos Conselheiros e da comunidade são-paulina nos ritos estatutários do Clube.
Ao longo das recentes apurações, verificaram-se episódios que comprometeram a necessária percepção de isenção, inclusive com manifestações públicas, vazamentos seletivos, antecipações de julgamento e conduções incompatíveis com o ambiente de equilíbrio e serenidade que se espera de um órgão dessa natureza.
Não se trata de perseguição, revanchismo ou qualquer medida de caráter pessoal. Trata-se, exclusivamente, de uma decisão administrativa e institucional voltada à reconstrução da confiança, ao restabelecimento da harmonia entre os poderes do Clube e à garantia de que futuras apurações ocorram com absoluto respeito ao devido rito, à ampla defesa e à independência.
O Presidente também reafirma, de forma clara e definitiva, que não será candidato em futuras eleições do São Paulo Futebol Clube. A medida ora adotada não possui qualquer motivação eleitoral ou projeto de poder.
Ao contrário: o cenário criado após o início das discussões sobre a possibilidade de uma reforma estatutária, somado à condução política observada em determinados episódios, acabou impondo à Presidência do Conselho a responsabilidade de agir institucionalmente para impedir o aprofundamento de divisões internas e preservar a legitimidade dos órgãos do Clube.
O São Paulo Futebol Clube precisa de estabilidade, responsabilidade e respeito às suas instituições. E é com esse espírito que as medidas serão conduzidas.
São Paulo, 12 de maio de 2026.
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