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São Paulo: presidente do Conselho destitui Comissão de Ética horas antes de ter afastamento votado

Olten Ayres de Abreu Jr. deve nomear conselheiros favoráveis a expulsões de Casares, Belmonte e Dedé; ele esta em rota de colisão com presidente Harry Massis e virou alvo de inquérito policial por falsidade ideológica no Conselho Consultivo

12 mai 2026 - 11h26
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Olten Ayres de Abreu Jr, presidente do Conselho Deliberativo (CD) do São Paulo, destituiu toda a Comissão de Ética do clube nesta terça-feira, 12. O órgão recomendou o afastamento do dirigente, cuja votação seria realizada no período da noite pelo CD, mas foi cancelada ainda nesta segunda.

Em nota oficial, Olten Ayres rechaçou tratar-se de "revanchismo" e afirma que a medida ocorre por "necessidade de preservação da credibilidade institucional". Ele nega também os rumores de que será candidato à presidência na eleição marcada para o fim do ano.

"Ao longo das recentes apurações, verificaram-se episódios que comprometeram a necessária percepção de isenção, inclusive com manifestações públicas, vazamentos seletivos, antecipações de julgamento e conduções incompatíveis com o ambiente de equilíbrio e serenidade que se espera de um órgão dessa natureza", diz trecho da nota (veja na íntegra ao fim do texto).

Olten Ayres de Abreu Júnior, presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, destituiu Comissão de Ética após ter afastamento sugerido.
Olten Ayres de Abreu Júnior, presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, destituiu Comissão de Ética após ter afastamento sugerido.
Foto: Daniel Teixeira/Estadão / Estadão

O Estadão apurou que Ayres deve nomear favoráveis às expulsões do ex-presidente Julio Casares, o ex-diretor de futebol Carlos Belmonte e e o ex-diretor administrativo Antonio Donizete (Dedé). O trio é alvo de investigações da Polícia Civil e do Ministério Público por supostas irregularidades.

Ayres é adversário político de Harry Massis Jr, que protocolou um pedido de afastamento de Olten Ayres do quadro associativo. O presidente da diretoria acusa o líder do Conselho de gestão temerária na sua atuação sobre a reforma estatuária do São Paulo, que travou ainda em estágio inicial.

O pedido foi recebido pelo próprio Ayres, enquanto presidente do Conselho Deliberativo. Ele encaminhou a solicitação à Comissão de Ética, a mesma responsável pela indicação das recentes expulsões de Douglas Schwartzmann e Mara Casares. O grupo emitiu um parecer que desconsiderou expulsão, mas sugeriu suspensão de Ayres além de solicitar ao clube um pedido à Polícia Civil para abertura de um inquérito para apurar a suspeita de falsidade ideológica no processo de formação do Conselho Consultivo.

Veja a nota oficial de Olten Ayres Jr.

O Presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube, Olten Ayres de Abreu Junior, comunica que, diante dos fatos ocorridos nos últimos meses envolvendo a condução de procedimentos disciplinares e a atuação da atual Comissão de Ética, deliberou pela reestruturação integral da referida comissão.

A decisão decorre da necessidade de preservação da credibilidade institucional, da imparcialidade dos processos internos e da confiança dos Conselheiros e da comunidade são-paulina nos ritos estatutários do Clube.

Ao longo das recentes apurações, verificaram-se episódios que comprometeram a necessária percepção de isenção, inclusive com manifestações públicas, vazamentos seletivos, antecipações de julgamento e conduções incompatíveis com o ambiente de equilíbrio e serenidade que se espera de um órgão dessa natureza.

Não se trata de perseguição, revanchismo ou qualquer medida de caráter pessoal. Trata-se, exclusivamente, de uma decisão administrativa e institucional voltada à reconstrução da confiança, ao restabelecimento da harmonia entre os poderes do Clube e à garantia de que futuras apurações ocorram com absoluto respeito ao devido rito, à ampla defesa e à independência.

O Presidente também reafirma, de forma clara e definitiva, que não será candidato em futuras eleições do São Paulo Futebol Clube. A medida ora adotada não possui qualquer motivação eleitoral ou projeto de poder.

Ao contrário: o cenário criado após o início das discussões sobre a possibilidade de uma reforma estatutária, somado à condução política observada em determinados episódios, acabou impondo à Presidência do Conselho a responsabilidade de agir institucionalmente para impedir o aprofundamento de divisões internas e preservar a legitimidade dos órgãos do Clube.

O São Paulo Futebol Clube precisa de estabilidade, responsabilidade e respeito às suas instituições. E é com esse espírito que as medidas serão conduzidas.

São Paulo, 12 de maio de 2026.

Estadão
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