Polícia Civil abre inquérito para investigar presidente do Conselho do São Paulo
Comissão de Ética do clube apontou possível falsidade ideológica em documento ligado à proposta de reforma do estatuto
A Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar uma possível falsidade ideológica envolvendo Olten Ayres, presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo. A apuração está sob responsabilidade do delegado Tiago Fernando Correia, do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC).
A investigação começou após um pedido formal da Comissão de Ética do clube. Em relatório elaborado no dia 29 de abril, o órgão interno apontou indícios de possível irregularidade em um documento relacionado à proposta de reforma estatutária apresentada no fim de 2025.
O foco da investigação envolve um parecer datado de 17 de dezembro daquele ano e assinado por Sérgio Pimenta e Ives Granda da Silva Martins, integrantes do Conselho Consultivo do clube. A suspeita é de que o documento tenha sido entregue pronto por Olten Ayres apenas para coleta das assinaturas.
A investigação conduzida pela Polícia Civil não possui relação com a força-tarefa formada pelo Ministério Público e pela própria polícia para analisar outros casos envolvendo a gestão de Julio Casares, como suspeitas de lavagem de dinheiro, exploração irregular de camarotes no Morumbis e possíveis irregularidades no departamento social.
Reforma estatutária no São Paulo virou alvo de investigação
O episódio teve início quando Julio Casares encaminhou ao Conselho Deliberativo uma proposta de reforma do estatuto do São Paulo. Entre os principais pontos estavam a flexibilização do quórum necessário para aprovação de uma eventual SAF e a separação entre futebol e clube social.
Seguindo o rito, Olten Ayres enviou a proposta ao Conselho Consultivo no mesmo dia. Horas depois, surgiu um parecer favorável às mudanças estatutárias.
"Esta reforma não é apenas pertinente, mas, sobretudo, vital para a salvaguarda e o crescimento futuro do São Paulo Futebol Clube", dizia trecho do documento assinado por Sérgio Pimenta e Ives Granda.
Posteriormente, a Comissão Legislativa emitiu parecer contrário à reforma estatutária. No entanto, Olten Ayres invalidou o documento sob alegação de que o prazo regimental para manifestação havia sido ultrapassado.
A partir daí, a Comissão de Ética aprofundou a análise do caso e ouviu integrantes do Conselho Consultivo. Segundo o relatório interno, não houve reunião formal para discutir o tema, nem deliberação coletiva entre os conselheiros.
O documento ainda aponta que o parecer favorável à reforma não refletia uma posição oficial do colegiado.
"Após um detido exame do teor da proposição, cujos fundamentos se alicerçam no artigo 145, alínea 'c' do Estatuto Social, ESTE CONSELHO CONSULTIVO manifesta seu mais absoluto e irrestrito endosso às modificações estatutárias ali preconizadas", afirmava o texto investigado.
Segundo a Comissão de Ética, a declaração não correspondia ao que realmente aconteceu internamente.
E-mail de conselheiro reforçou suspeitas
Durante a apuração, a Comissão de Ética também mencionou um e-mail enviado por Ives Granda. Na mensagem, o advogado afirmou que o documento refletia "apenas conversas isoladas com alguns conselheiros".
Ainda de acordo com o relatório, Ives reconheceu que a "carta" sobre a reforma estatutária "terminou não refletindo, exatamente, o tipo de discussão que resultou na referida sugestão".
A investigação interna também concluiu que o texto teria sido redigido por um advogado ligado ao clube, e não pelos integrantes do Conselho Consultivo.
Diante disso, a Comissão de Ética afirmou que "se corporifica nesse documento utilizado pelo representado (Olten Ayres) para respaldar a proposta de alteração estatutária e encaminhá-la à comissão legislativa, inegavelmente, um eventual falso ideológico, pois o teor do documento não condiz com a realidade e a lealdade dos fatos."
Conselho do São Paulo votará possível afastamento
Aliás, o caso aumentou a pressão política dentro do São Paulo. Na próxima terça-feira, os conselheiros do clube votarão um possível afastamento preventivo de Olten Ayres da presidência do Conselho Deliberativo. Enquanto isso, o processo segue em análise tanto pela Comissão de Ética quanto pela Polícia Civil.
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