Abel Ferreira desabafa após Palmeiras x Vasco
Após a vitória do Palmeiras por 4 a 1 sobre o Vasco, o técnico Abel Ferreira desabafou sobre as críticas à oscilação de rendimento da equipe. O treinador destacou que as análises ignoram o contexto desgastante do futebol brasileiro, marcado por viagens, falta de treinos e pouco descanso. Segundo Abel, a sobrecarga física e mental inviabiliza atuações consistentes no seu potencial máximo durante todo o ano, ressaltando que oscilações são normais e afetam todos os clubes.
Abel Ferreira desabafou após a vitória por 4 a 1 sobre o Vasco da Gama, no domingo (23), no Nubank Parque, pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro. Questionado sobre a discrepância entre o desempenho da equipe de um tempo para o outro da partida, o treinador do Palmeiras relatou que analisar o rendimento dos jogadores no Brasil é 'muito difícil'.
"É muito difícil aqui no Brasil falar em rendimento, porque de uma forma geral vocês nunca fazem o contexto, nunca fazem o contexto de semanas para treinar, nunca fazem o contexto de tempo para recuperar, e onde se nota isso? Quando vês uma equipa que falha cruzamento, que falha passe, que não chega na pressão no tempo certo, há uma coisa que falta: falta energia física e clarividência mental", disse.
Ele afirmou que todas as equipes vão passar por momentos complicados durante o ano, não só o Palmeiras. Mas que a análise estrita sobre o desempenho muitas vezes deixa de lado o contexto que os times têm que suportar.
"No Brasil, todas as equipas, não é o Palmeiras, são todas as equipas, vão passar por períodos durante o ano bons e ruins. E quando aparecer esses ruins, quando não der para ganhar com essa criatividade, com essa magia que os jogadores do Palmeiras têm, porque eu não digo, 'olha, hoje tome lá a magia, treinador, agora tira'. Não, o próprio contexto do futebol brasileiro proporciona que os jogadores muitas vezes joguem cansados. Já falei nisso 500 vezes, viagens, tempo de descanso, falta de treino, gramados diferentes, não há como", disse.
Abel falou que essa descontextualização somada à necessidade de fazer alterações nas equipes acabam se tornando críticas diante de desempenhos que não vão de encontro às expectativas.
"E depois tu tens que tentar trocar um ou dois para jogar na máxima, fazer gestão de energia para tentar jogar na máxima força. Por isso é que é, eu falo, mas quem é que no futebol brasileiro consegue manter uma consistência o ano todo e jogar sempre bem? Nem o Chelsea, nem o City, nem o Barcelona conseguem. Isso é normal. Eu digo aos jogadores: não se desesperem, estamos a jogar mal, estamos, fiquem calmos, fiquem tranquilos, vamos trabalhar, vamos recuperar, vamos ganhar, mesmo quando as coisas não estiverem a correr tão bem em termos dessa criatividade que nós sabemos que o Palmeiras tem. Mas não é porque o treinador lhes tira, é porque o contexto do futebol brasileiro faz com que as equipas muitas vezes não consigam jogar no seu potencial máximo", disse.
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