MotoGP: Michelin retira pneu macio após problemas na Sprint e deixa pilotos diante de escolha em Motegi
Problemas no pneu traseiro aumentam a preocupação para a prova de 24 voltas e colocam o composto duro no centro da estratégia
A Michelin mudou sua estratégia de pneus para o GP do Japão depois dos problemas registrados na Sprint de Motegi. A fabricante retirou o pneu traseiro macio da escolha para a corrida principal e passou a recomendar o uso do composto duro reforçado, depois que vários pilotos apresentaram formação de bolhas e perda de material na região central do pneu durante as 12 voltas da prova.
O problema chamou a atenção principalmente porque as condições do circuito de Motegi, que está com um novo asfalto, elevaram consideravelmente as temperaturas dos pneus. O calor da pista, próximo dos 40°C, combinado com o ritmo mais rápido das motos, aumentou a carga sobre o pneu traseiro e provocou sinais de deterioração que não haviam aparecido de maneira tão evidente antes da Sprint.
Jorge Martín esteve entre os pilotos que enfrentaram problemas e admitiu que não havia recebido nenhum aviso claro antes da largada.
“Nada. Nenhum sinal desse problema. Então, com certeza, é preocupante para amanhã. Precisamos tentar alguma coisa no warm-up. Parece que o macio não é uma opção.” afirmou o espanhol
Bagnaia foi outro piloto afetado e acabou abandonando na última volta da Sprint depois que seu pneu traseiro apresentou uma deterioração severa. A situação fez com que a Michelin decidisse retirar o composto macio para a corrida principal de domingo, mas a alternativa disponível também não oferece total garantia de tranquilidade.
O pneu médio continua liberado, porém ele também apresentou sinais de superaquecimento. Jack Miller foi um dos dois pilotos que escolheram esse composto e terminou a prova preocupado com o nível de bolhas encontradas no pneu.
“Eu fui com a opção média. Ela também tinha bolhas por toda parte.”
Miller explicou que o desgaste foi particularmente evidente na região central do pneu. O piloto chegou a considerar que a situação poderia transformar a corrida em uma espécie de loteria, principalmente porque o composto duro reforçado, que passou a ser recomendado pela Michelin, ainda não havia sido utilizado em condições de corrida em Motegi.
Marco Bezzecchi, que também utilizou o pneu médio, teve uma experiência menos problemática que Miller. Mesmo assim, o italiano reconheceu que a distância maior da corrida representa uma incógnita.
“Meu desgaste no médio não pareceu tão ruim, mas 12 voltas a mais com o médio amanhã ainda é muita coisa. Então é um pouco como um salto no desconhecido.” disse
Diante dos dados coletados na Sprint, a Michelin decidiu recomendar o pneu traseiro duro reforçado. Piero Taramasso, responsável pela fabricante na MotoGP, reconheceu que o médio representa uma opção mais arriscada para a corrida e explicou que os pilotos precisarão controlar especialmente a patinagem da roda traseira para evitar um aumento excessivo da temperatura.
“Sabemos que o médio é mais arriscado” afirmou Taramasso.
“A sugestão da Michelin é usar o pneu duro.”
Segundo ele, essa orientação é feita justamente pela capacidade do pneu de suportar melhor as condições térmicas encontradas no Japão. O problema é que o composto recomendado chega à corrida sem referências.
Nenhum piloto havia completado uma distância de corrida com o pneu duro reforçado no circuito japonês, deixando as equipes diante de uma escolha entre um pneu conhecido, mas com sinais de superaquecimento, e outro mais resistente, porém sem dados suficientes sobre seu comportamento ao longo das 24 voltas.
A construção do pneu duro reforçado é semelhante à utilizada pela Michelin na Áustria e foi desenvolvida para melhorar a capacidade de dissipação de calor. Ainda assim, algumas equipes já haviam enfrentado dificuldades com a aderência desse tipo de pneu no Red Bull Ring, o que aumenta a incerteza para esse domingo.
O warm-up, portanto, ganhou importância adicional antes da corrida. Com apenas dez minutos disponíveis, pilotos e equipes terão uma das últimas oportunidades para avaliar o comportamento do pneu duro antes da largada e decidir qual estratégia seguir.
Luca Marini, por outro lado, conseguiu escapar dos problemas observados por outros pilotos e ainda brincou com a situação. Questionado sobre o estado de seu pneu após o Sprint, o italiano respondeu:
“Não, não, nada. Para mim, funciona perfeitamente. Muito bom. Eu não tenho aderência, nunca, então não estresso muito o pneu!”
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