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Recordar é viver! Há 10 anos, Washington estreava no Fluminense

Ao LANCE!, Coração Valente relembra momentos marcantes uma década após o primeiro gol marcado nas Laranjeiras. Ele fala dos Três Tenores, Henrique Dourado, Unimed...

14 jan 2018
06h32
atualizado às 08h23
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Na última sexta, o Fluminense iniciou a temporada 2018 vendo seu camisa 9, insatisfeito, pedir transferência. Mas há exatos dez anos, a situação era bem diferente. No dia 13 de janeiro de 2008, o atacante Washington entrava em campo pela primeira vez com a camisa tricolor. Era o ínicio de uma parceria que deu muito certo dentro e fora dos gramados.

- Rapaz, faz dez anos hoje? Não sabia não! - disse Washington ao LANCE!, feliz em relembrar o dia, que coincide com outra data marcante.

- Achei que você ia me perguntar de aposentadoria. Foi nessa mesma data (13 de janeiro de 2011) que me despedi do Flu pela última vez.

A despedida do futebol, anunciada três anos depois da estreia, veio como um baque para o atacante aos 35 anos, que pretendia jogar mais uma temporada. Ao contrário do que muitos pensam, os problemas cardíacos não tiveram influência. Na verdade, o Fluminense sempre fez bem ao coração do camisa 9. E ele lembra como bateu forte na primeira vez em que vestiu as três cores.

- Lembro, claro. Fui muito bem recebido no primeiro dia. Começamos pré-temporada com um grupo muito bacana, de qualidade. A amizade do grupo facilitou a adaptação. E quando vesti a camisa, já senti que era uma coisa diferente do que tinha sentido antes. Deu tudo certo: combinou meu jeito de jogar, estilo de vida e jeito de pensar o futebol com a camisa do Fluminense. Encaixou mesmo - disse o 'Coração Valente', que não recordava ao certo qual era o adversário da estreia, mas lembrava ter deixado o dele.

A primeira partida de Washington foi ainda na pré-temporada de 2008, dias antes do início do Carioca. O Fluminense foi até o Espírito Santo enfrentar o Desportiva. O centroavante abriu o placar no primeiro tempo em sobra na área e Thiago Neves, de voleio, também deixou sua marca. Lembra como foi?

Washington não era o único estreante naquela tarde. Além dele, o Fluminense havia contratado outros nomes de peso para a disputa da Libertadores: tirando Conca , que chegaria semanas depois, o lateral Gustavo Nery (ex-Corinthians) e os atacantes Leandro Amaral (ex-Vasco) e Dodô (ex-Botafogo) estavam em campo. Era o começo de um trio de ataque que jogou pouco tempo junto, mas que deu muitas alegrias aos tricolores no primeiro semestre daquele ano.

- O entrosamento veio muito rápido, principalmente pela qualidade dos três. Todos chegaram num bom momento. E é muito fácil jogar com Dodô e com Leandro. Quando começamos o Carioca fizemos gols em quase todos os jogos. Quando não era os três marcando, pelo menos dois faziam. O Fluminense tinha um poder ofensivo muito grande. Mas durou pouco, né. Teve a situação do Leandro (por problemas de contrato, voltou ao Vasco) e também a suspensão do Dodô (por doping).

O trio durou pouco, é verdade. Mas teve algum momento que não sai da sua memória quando jogaram juntos?

- Ah, muitos. Teve um jogo contra algum time no Carioca (era o América-RJ) que todos os três fizeram gol. Foi 6 a 1. Esse jogo não esqueço, mostrou todo o poder ofensivo com os três atacantes. Foi quando mostramos a força do Fluminense naquele momento. Se tivesse mantido, daríamos muitas alegrias. Depois daquilo, o adversário vinha jogar contra a gente morrendo de medo.

Naquela época, diferente de hoje, poucos times usavam esquema com três atacantes. Foi uma novidade para vocês?

- Verdade, a maioria dos times brasileiros era armado no clássico 4-4-2. Jogar com três goleadores que marcavam pouco era difícil. Hoje é mais fácil jogar assim. Naquela época ainda não tinha essa história de trio MSN, BBC, nem nada. Nos primeiros jogos juntos, tivemos algum apelido, acho que era ' Três Tenores ', 'Três Mosqueteiros', não lembro. Pro treinador escalar três atacantes juntos tinha que ser corajoso e o time precisava ter qualidade.

Trio MSN ou BBC? Em 2008, quem fazia sucesso eram os 'Três Tenores das Laranjeiras sob o comando de Renato Gaúcho. Mas durou pouco

E o treinador era Renato Gaúcho...

- Isso, Renato Gaúcho. Sempre teve a coragem como diferencial. Muita qualidade no comando, era audacioso.

E como você vê o time de hoje, após perder os principais jogadores de ataque, em comparação com aquela equipe?

- É dificil comparar. Naquela época tinha um patrocinador forte ( Unimed ) e financeiramente não tínhamos problema, ao contrário de hoje que o clube está passando por dificuldades muito grandes. Isso reflete dentro de campo...

Você, como camisa 9 e artilheiro, o que tem a dizer sobre a atual situação de Henrique Dourado pedindo para sair?

- Não dá pra saber... Dourado deu essa entrevista praticamente definindo sua saída. Com certeza são momentos diferentes, então a comparação é difícil. Só estando lá pra saber. O Fluminense era forte economicamente pela patrocinadora e agora não é assim. Tínhamos contratações caras, de estrelas, e hoje não tem tanto isso.

Henrique Dourado também veste a 9 e foi artilheiro do Brasileirão. Mas, por problemas financeiros, pediu para sair do clube

Isso deixa a torcida chateada...

- Não só a torcida, nós que jogamos por lá ficamos chateados também. Quando eu olho, vejo que inverteu. Fluminense criou anos brigando por títulos, teve a final da Libertadores, ganhamos Brasileirão depois, Copa do Brasil antes. Quando não ganhava, estava na briga. Hoje já se pensa diferente. Tentando escapar de rebaixamento.

Então o coração do Coração Valente ainda bate pelo Fluminense, certo?

- Ah sim, foi um dos três clubes clube que mais me marcou. O Atlético-PR e a Ponte Preta também estão no meu coração.

Washington leva o Fluminense no coração. Foi vice da Libertadores, artilheiro do Brasileirão em 2008 e campeão brasileiro em 2010 ...

... assim como o Furacão, onde brilhou no Brasileirão em 2004 com 34 gols marcados. É até hoje o maior artilheiro de uma edição ...

... na Macaca foi onde deslanchou e ganhou espaço no futebol brasileiro. Foi artilheiro do Paulista e da Copa do Brasil em 2001

LANCE!

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