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Seleção Brasileira

'Preparação da Seleção de 1970 se tornou uma referência', recorda Carlos Alberto Parreira

Preparador físico no Mundial, primeiro entrevistado do 'Especial LANCE! na Copa de 1970' detalha trabalho minucioso para dar fôlego a uma equipe que já esbanjava categoria

8 jun 2020
07h35
atualizado às 11h28
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O casamento entre a categoria de uma legião de craques e o fôlego adquirido em uma preparação intensa foram cruciais para que a Seleção Brasileira de 1970 lutasse pelo tricampeonato mundial. Preparador físico do escrete canarinho no Mundial, Carlos Alberto Parreira destacou que a conquista no México passou também por uma "revolução" fora de campo.

- Fizemos um trabalho inovador desde o início da preparação até o último jogo do Mundial. Acabou se tornando referência para atividades no futebol. Até hoje me perguntam sobre o trabalho que fizemos... - recordou, ao LANCE!.

Na primeira da série de entrevistas do Especial "LANCE! na Copa de 70", Parreira detalha como a comissão técnica deixou nomes como Pelé, Jairzinho, Tostão, Gerson e Rivellino chegarem ao Mundial com ainda mais vigor para lutar contra adversidades climáticas e garantir que a Seleção estivesse bem fisicamente nos 90 minutos.

Do 'Teste de Cooper' aos desafios da altitude: Parreira não esconde que trabalho foi árduo (Foto: Divulgação)
Do 'Teste de Cooper' aos desafios da altitude: Parreira não esconde que trabalho foi árduo (Foto: Divulgação)
Foto: Lance!


LANCE!: A preparação física da Seleção Brasileira para a Copa de 1970 é muito elogiada. Como foi o planejamento até a disputa do torneio?

Carlos Alberto Parreira: O (Admildo) Chirol, o capitão (Claudio) Coutinho e eu fizemos um trabalho meticuloso para que tudo já estivesse montado na chegada dos jogadores. Como ainda não havia vídeos, recorríamos a slides, com imagens de como cada jogador estavam atuando nos clubes. Analisamos cada atleta e a partir daí programamos os exercícios.

L!: A concentração da Seleção também ocorreu com bastante antecedência. Por que acha que aconteceu isto?

A Seleção vinha de uma eliminação na Copa de 1966 na qual foi perdeu dois jogos na primeira fase e teve uma preparação muito confusa. Para a Copa de 1970, veio esta organização maior. Já para o Mundial, foram em torno de quatro meses de trabalho, a começar pela chegada ao Retiro dos Padres Jesuítas (onde a Seleção se apresentou para o torneio).

L!: Como era a programação que vocês tinham para este período de trabalho?

Nossa ideia ao avaliar cada jogador era propor atividades individualizadas. Cada jogador recebia uma carga de trabalho específica. Também tivemos bateria de testes, flexibilidade... O Cláudio Coutinho, que era do Exército, trouxe o "Teste de Cooper" (método criado em 1968 pelo médico norte-americano Kenneth H. Cooper, no qual o condicionamento físico do atleta é avaliado por meio da velocidade constante que consegue alcançar em uma corrida) para ser feito nos jogadores.

L!: Durante a preparação houve a mudança de comando na Seleção Brasileira. Vocês sentiram alguma diferença no trabalho?

Na verdade, o (João) Saldanha dava muita liberdade para a gente fazer nosso trabalho. O Zagallo, por já ter jogado com o Pelé, foi importante para assegurar que o bom ambiente na Seleção fosse mantido.



L!: O fato da delegação ter embarcado com antecedência para o México foi importante para a luta pelo título?

Sem dúvida. A adaptação à altitude é de 21 dias prescritas pela ciência. O doutor Lamartine (Pereira Da Costa) deu uma aula sobre altitude e o Chirol fez o planejamento para adequar a Seleção ao clima que nos esperava no México.

L!: Quem chamava mais a atenção durante os treinos?

O Pelé era o "Rei" e se comportava com o brio de um rei. Uma dedicação exemplar, um capitão. Jairzinho e Brito, por sua vez, sobravam fisicamente. Foi uma equipe que batalhou incansavelmente a cada atividade.

L!: A aclimatação ao México foi crucial para encarar percalços como os jogos em horários adversos na Copa?

Sim. Mesmo tendo de enfrentar desafios como jogar no calor, na altitude, ao meio-dia, a Seleção teve fôlego e soube se impor graças ao seu preparo físico. Isto ficou nítido na vitória sobre a Inglaterra (por 1 a 0, pela fase de grupos, com gol de Jairzinho), mas também em muitos jogos nos quais a equipe mantinha sua força no segundo tempo.

L!: Foi seu primeiro trabalho com Zagallo na Seleção Brasileira. O que chamou sua atenção na maneira como ele formou a equipe?

É um grande estrategista. Taticamente, Zagallo mudou a Seleção de uma forma que ninguém imaginava e deu à equipe equilíbrio, que foi o primordial para a conquista.

L!: Passados 50 anos do tri, o que fica de mais marcante do título de 1970?

Ah, que esta Seleção tem uma história muito bonita. Um time sobrando em campo, que tinha um grande treinador e, principalmente, era equilibrado. Afinal, ia muito para a frente, balançava as redes e, enquanto isto, sofria poucos gols, era sólido defensivamente. Para mim é uma honra fazer parte desta história. Eu tinha 27 anos neste meu primeiro trabalho e já comecei em grande estilo.

NÃO PERCA: nesta quinta-feira, o "Especial LANCE! na Copa de 1970" abre espaço para Dadá Maravilha.

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