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Luiz Gomes: 'O mau exemplo do Flamengo é um alerta para o Palmeiras'

'Durante a gestão do atual presidente, em menos de quatro anos, o Palmeiras teve oito treinadores', recordou o colunista do LANCE!

18 out 2020
08h03
atualizado às 09h57
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Em tese, a argumentação do presidente do Palmeiras Maurício Galiotte, de que é preciso definir antes de um nome um conceito, um estilo de jogo para o Palmeiras, até faz sentido. Ainda que de poucos clubes no mundo se possa dizer que tenham um DNA, um jeito de jogar que vá além do treinador que comanda o time, esse pode ser um objetivo a ser perseguido. Mas, consideremos que o Palmeiras possa se tornar um desses. Cabe então uma pergunta: quem vai definir esse estilo de jogo. O presidente, a toda-poderosa patrocinadora, os conselheiros, a turma do amendoim?

Galiotte disse querer resgatar o DNA do Palmeiras (Foto: Cesar Greco/Palmeiras)
Galiotte disse querer resgatar o DNA do Palmeiras (Foto: Cesar Greco/Palmeiras)
Foto: Lance!

Ora, isso não se impõe. Não é uma canetada ou uma conversa de gabinete que vai decidir o jeito do Palmeiras jogar. Só há uma maneira de chegar-se a isso, de criar um DNA palestrino: é a continuidade de trabalho, a persistência independentemente dos resultados imediatistas, é o investimento em uma base que tenha como objetivo formar talentos, que jogue como o time principal e não para ganhar títulos e pagar bônus a treinadores mal remunerados.

Será que isso tudo faz parte do script proposto por Galiotte? É muito pouco provável. Boa parte dele, aliás, é uma mera repetição do que justificou, tão pouco tempo atrás, a própria contratação de Luxemburgo.

Durante a gestão do atual presidente, em menos de quatro anos, o Palmeiras teve oito treinadores. Gente de estilos e personalidades diferentes, nomes consagrados como Cuca, Mano Menezes, Felipão e Vanderlei Luxemburgo, a elite da velha guarda do futebol tupiniquim. Contratou à baciadas, boa parte das vezes sem nenhum critério técnico, sem nenhum equilíbrio na montagem do elenco, movido tão somente pela visão mercantilistas de Alexandre Mattos. Só nesse último ano, com a corda apertando o pescoço e o bolso, o Palmeiras de Galiotte partiu para aproveitar os meninos da base, e descobriu, sim, gratas surpresas como Gabriel Menino e Patrick de Paula.

Terá o presidente de fato aprendido com seus erros? Ou apenas derrama uma falastrice politicamente correta, porém vazia e inconsequente como sempre?

No futebol brasileiro, desde sempre, treinadores chegam e buscam impor suas crenças, seus métodos a elencos que muitas vezes foram montados pelo antecessor ou pelo antecessor do antecessor para jogar de um jeito bem diferente. Quase nunca têm tempo sequer de treinar, de tentar passar para o time uma nova filosofia de trabalho e de jogo. E, quando perdem duas ou três partidas, às vezes um único jogo contra o principal rival, acabam descartados, formando mais um elo nesse círculo vicioso.

É assim que a banda toca por aqui.

O Palmeiras não precisa ir muito longe para ter um exemplo do quanto custa mudar essa cultura. O Flamengo de Jorge Jesus, ofensivo, com movimentação intensa, alta pressão durante os 90 minutos de jogo ganhou tudo o que tinha para ganhar no ano passado. O português voltou para a terrinha. E o espanhol que chegou com suas ideias bem diferentes, um jogo posicional, de transição mais lenta e marcação mais recuada, vive se equilibrando na corda bamba da má vontade dos críticos, de boa parte da torcida e do apetite das hienas que tentam derrubá-lo antes mesmo que mostre a que veio.

Este não é o jeito do Flamengo jogar, reclamam. Ora, mas qual o é o jeito do Flamengo jogar? O do ano passado era de Jorge Jesus, não do Flamengo. E, se quisessem continuar assim, instituir de fato um estilo, um DNA rubro-negro, que contratassem um treinador como o português, não alguém que, notoriamente, sabia-se que reza por uma cartilha diferente. Mas uma vez o que pesou foi o nome e não o conceito. Como se fosse possível espremer uma laranja e beber uma limonada.

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