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Ítalo Ferreira destaca conquista do Mundial e exalta surfe no Brasil: 'Hoje, as pessoas param para assistir'

Em coletiva no aeroporto de São Paulo, o potiguar também comentou sobre as dificuldades durante o período do Circuito Mundial, a vaga olímpica e agradeceu carinho de torcedores

22 dez 2019
12h32
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Depois que Gabriel Medina começou a se sobressair, o Brasil olhou para o surfe de maneira diferente. Com o passar dos anos, a modalidade ganhou importância e evoluiu. Em seis anos, foram quatro títulos do Mundial de surfe para o país verde e amarelo. E, em 2019, mais um brasileiro entrou para a lista. Depois de Adriano de Souza (2015) e Gabriel Medina (2014 e 2018), Ítalo Ferreira comemorou pela primeira vez a conquista. Neste domingo, o potiguar deu coletiva no aeroporto de São Paulo e destacou a importância do surfe.

Ítalo Ferreira venceu o compatriota Gabriel Medina em Pipeline (Foto: Cestari/WSL/Divulgação)
Ítalo Ferreira venceu o compatriota Gabriel Medina em Pipeline (Foto: Cestari/WSL/Divulgação)
Foto: Lance!

- A gente conseguiu quatro títulos em seis anos. Essa galera mudou o surfe como é visto no Brasil. Não é coisa mais de maloqueiro. Hoje, as pessoas vão e parar diante da TV para assistir - disse.

Ítalo Ferreira afirmou que foi uma luta 'psicológica' para conseguir se destacar sobre Gabriel Medina na final da competição. A

- Era a bateria da minha vida. Se ele (Gabriel) fosse campeão, seria tri. Eu estava atrás do meu primeiro. Comecei com uma onda boa, você conta com sorte, mas é como eu falei: quando está escrito, não tem jeito. Depois, peguei uma onda que me deu uma nota maior, me deixou confortável. Foi um jogo, psicológico até. A praia inteira estava torcendo por mim. Só via camisa azul (da torcida dele) na praia. Quando ele pegou a última onda e não deu, só pensei na minha avó ali.

Além do troféu pela conquista, Ítalo ainda garantiu a vaga nas Olimpíadas de Tóquio em 2020 ao lado de Gabriel Medina, vice-campeão da temporada. O potiguar já foca na vitória no Japão na primeira participação do surfe na história dos Jogos Olímpicos.

- Muito grato pela oportunidade de participar da Olimpíada. Brasil muito bem representado por mim e pelo Gabriel. Queria muito que o Filipe (Toledo) estivesse também. Aí a gente ia ser ouro, prata e bronze. Mas agora vamos ser ouro e prata. Ouro comigo e prata com o Gabriel (risos) - disse.

Nesta segunda-feira, Ítalo Ferreira segue para Natal, no Rio Grande do Norte, onde vai desfilar em carro aberto do corpo de bombeiro.
OUTROS TRECHOS DA COLETIVA:

RECUPERAÇÃO
Foi incrível o que aconteceu no campeonato, a recuperação no campeonato. Quando eu fui para o Havaí, minha avó faleceu. Sempre quis me ver campeão do mundo. Mas de onde ela está com certeza está no melhor assento. Eu não era o favorito para ganhar esse título. Cheguei à Europa meio apagado, como muitos sites disseram mas isso me deu mais gana ainda. Na França, fiz final, perdi do Jeremy. Ali comecei a me recuperar.

PIPELINE
Havaí, este ano, foi diferente para mim. Outros anos sempre foi um saco. Tinha que pegar ondas com esses caras. Energia foi muito diferente. Estava me sentindo bem. Ficava com a galera, atletas locais eu sentia aquela energia boa que eles estavam passando.

COMO ENFRENTAR SLATER?
Deus escreveu a melhor história possível. Contra o Yago (Dora) foi difícil, era um cara de quem já tinha perdido. Fui para a semifinal e peguei o Kelly (Slater), um cara que gosta de botar muita pressão desde o começo. Na bateria, ele chegou e me disse: boa sorte, boss. Mas o Shane (Dorian, ex-surfista que ajudou a preparação de Ítalo em Pipeline) me disse que o Kelly gosta muito de conversar na bateria. Fiquei quieto, não falei nada com ele a bateria inteira.

FAMÍLIA
É um combustível até hoje. Tudo o que vivi com minha família, poder ajudar o próximo, isso até hoje me inspira até hoje. Início foi bem difícil, eu pedia dinheiro nos mercados, para as pessoas para conseguir dinheiro e poder competir. Depois, o dinheiro que meu pai ganhava vendendo peixe. Lembro uma vez uma pousada em que fui pedir dinheiro para competir, pagar passagem, alimentação. Aí o cara virou e gritou "não". Claro que isso machucou, mas fortalece. Acabou que meu pai conseguiu dinheiro e venci aquele campeonato. São coisas que machucam mas dão força também.

TÓQUIO-2020
Vai ser um ano de correria. Pode ser um ano incrível se eu conquistar meu objetivo: ganhar a medalha olímpica. Começo minha preparação já em janeiro. Sempre fiz isso, dar um passo sempre à frente. Foi assim quando entrei no circuito em 2015 e quis ser o rookie of the year (novato do ano). O circuito desgasta muito.

CARINHO DA TORCIDA
Gostaria de agradecer por todas as mensagens que me mandaram. Antes, depois da conquista, não deu para responder todo mundo. Anteontem acordei às três da manhã, o coração estava batendo mais acelerado. É a emoção de perceber que ganhei o título, ganhei o Pipe Masters, um dos maiores campeonatos do circuito. Agora, vou botar as ilhas do Havaí no meu corpo (numa tatuagem). Agradeço à minha família. Feliz de fazê-los sorrir em meio a todo o caos, à perda da minha avó e do meu tio. Mas hoje a gente pode sorrir. Agradeço aos meus amigos, à minha namorada, que me ajudou muito com as perdas nos últimos meses. Hoje, a avózinha dela está no hospital, ana UTI, hoje minha energia vai para ela, para a família dela, que é minha família agora.

Lance!
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