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Análise: Possível último clássico de Messi contra o Real Madrid é um ode à história do argentino no Barcelona

Futuro do camisa 10 barcelonista ainda não foi decidido, mas mudança política traz ares de esperança à torcida. Partida deste sábado será uma das mais importantes dos últimos anos

10 abr 2021
09h02 atualizado às 09h02
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19 de novembro de 2005. A algumas horas para o início de mais um Real Madrid e Barcelona, no Santiago Bernabéu, o técnico Frank Rijkaard divulgava a escalação do Barça com uma novidade. Um jovem argentino de 18 anos, advindo das divisões de base, completaria o poderoso trio de ataque ao lado de Ronaldinho Gaúcho e Samuel Eto'o: Lionel Messi.

Messi celebra de forma icônica após marcar o gol da vitória do Barcelona contra o Real Madrid no Bernabéu em 2017 (OSCAR DEL POZO / AFP)
Messi celebra de forma icônica após marcar o gol da vitória do Barcelona contra o Real Madrid no Bernabéu em 2017 (OSCAR DEL POZO / AFP)
Foto: Lance!

Ao final, os catalães passaram por cima dos madridistas por 3 a 0 em plena capital com uma exibição histórica de Ronaldinho, aplaudido de forma unânime em território inimigo, mas, indiretamente, o superclássico espanhol ganhava um divisor de águas.

10 de abril de 2021. Dezesseis anos depois do triunfo culé naquela tarde de sábado em Madrid, os eternos rivais se encaram mais uma vez com ares de decisão no Campeonato Espanhol, logo mais, às 16h (horário de Brasília), no estádio Alfredo Di Stéfano. Ambos perseguem o líder Atlético de Madrid, e a diferença do Barcelona, 2º colocado, para o Real Madrid, 3º, é de somente dois pontos.

Se, em 2005, o clássico serviu como uma espécie de prefácio para a lendária carreira que Messi viria a construir no Barcelona, o de logo mais pode ser o último capítulo de uma história de vitórias, derrotas, erros, acertos, mas, sobretudo, moldada para tê-lo como catalisador de um período que mudou as trajetórias de Real Madrid e Barcelona para sempre.

Porque cada resposta de Florentino Pérez, quase um Don Corleone de Chamartín, às glórias barcelonistas nos últimos 12 anos foi feita com intuito de estancar a sangria aberta pelo pequeno gênio de Rosário. E o estímulo fez bem ao Real Madrid, que, no ciclo de Messi, conquistou quatro Liga dos Campeões da Uefa, quatro Mundiais de Clubes, três Campeonatos Espanhóis e duas Copas do Rei. Tudo isso sobre a égide de Cristiano Ronaldo, o melhor e mais eficiente antídoto à dominância do camisa 10.

Mas a relação entre Messi e o Real Madrid é um conto à parte. E não seria exagero dizer que este clássico terá um antes e depois da despedida do argentino, seja ela em junho deste ano ou sabe-se lá quando. Visto que será impossível, daqui a 50 anos, não narrar o confronto sem passar pelos três gols de Messi no 3 a 3 de 2007, os dois na goleada por 6 a 2 no Bernabéu em 2009, as duas assistências no 5 a 0 de 2010, a apoteótica atuação na semifinal da Champions de 2011 ou na icônica celebração após o tento no último minuto que deu ao Barça a vitória por 3 a 2 em 2017, quando exibiu para os torcedores merengues a camisa tirada do corpo com a parte onde estava seu nome e número.

Do primeiro toque na bola contra o Real Madrid, lá em 2005, até o então último, em outubro de 2020, Messi virou o maior artilheiro do clássico (26 gols) e o maior assistente (13). Virou também o maior jogador da história do Barcelona: é o maior goleador do clube (663), quem mais vezes entrou em campo (769) e quem mais ganhou troféus (34).

O futuro de Messi segue indefinido. As incertezas já foram maiores, é verdade, dado que as mudanças de ares na turbulenta política barcelonista trouxeram um frescor não sentido nos últimos tempos. A evolução de um Barcelona outrora inconsistente, irregular e visivelmente perdido alavancou uma temporada iniciada sob negativa perspectiva.

Qual torcedor imaginaria, após o empate em casa por 1 a 1 contra o Eibar no último jogo de 2020, que deixou o Barcelona na 7ª colocação, dez pontos atrás de Atlético e Real Madrid, que o time chegaria ao clássico desta tarde podendo assumir a liderança, mesmo que provisoriamente?

E se o Barcelona está bem é porque necessariamente Messi está bem - ou vice-versa, a depender da interpretação. Por mais que Ronald Koeman tenha achado solidez no esquema com três zagueiros, Dembélé e Griezmann cresceram de maneira considerável e jovens como Pedri, Mingueza, Dest e Ronald Araújo correspondam, quem fomentou o progresso catalão foi, previsivelmente, Messi.

Mais uma vez, o argentino vai atrás de um título nacional, que seria o 11º da carreira. Mais uma vez, terá que passar por cima do Real Madrid para permitir que o objetivo continue vivo. De uma forma ou outra, sendo esta a última vez ou não que Messi enfrentará os brancos da capital espanhola como barcelonista, este será um momento para desfrutar. Porque Messi contra Real Madrid é pura fábula deste esporte.

Lance!
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