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Manifestações políticas estão liberadas nos Jogos? Entenda

Regra da Carta Olímpica que proíbe manifestações é afrouxada, mas não revogada

19 jul 2021 05h20
| atualizado às 07h38
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A Olimpíada de Tóquio está para começar e, além de acontecer em meio a uma pandemia, também será realizada em um momento de crescentes movimentos sociais e políticos. Movimentos esses, como o Black Lives Matter, que chegaram também à classe esportiva e contam com apoio de atletas de diversas categorias e países.

Logo da Olimpíada Tóquio 2020 em Tóquio
22/01/2021 REUTERS/Issei Kato
Logo da Olimpíada Tóquio 2020 em Tóquio 22/01/2021 REUTERS/Issei Kato
Foto: Reuters

Nesse contexto, o Comitê Olímpico Internacional afrouxou a regra 50 da Carta Olímpica que consiste em proibir as manifestações políticas por parte dos atletas nos Jogos. "Nenhum tipo de manifestação ou propaganda política, religiosa ou racial é permitida em locais, instalações ou outras áreas olímpicas", diz a regra.

Neste mês, o COI decidiu que permitirá que os atletas expressem suas opiniões políticas nas zonas mistas ou em redes sociais, além dos locais de competição onde poderão se manifestar antes do início das competições desde que não sejam atos contrários aos "princípios fundamentais do olimpismo", que visam contribuir na construção de um mundo melhor, sem qualquer tipo de discriminação, e assegurar a prática esportiva como um direito de todos.

Apesar da mudança, o presidente da entidade, Thomas Bach, reforçou que os atos estão expressamente proibidos nos momentos de pódio. "O pódio e as cerimônias de medalha não são feitas para uma manifestação política ou outra. Ele é feito para homenagear os atletas e os vencedores de medalhas por conquistas esportivas e não por suas suas visões particulares", afirmou ele ao jornal Financial Times.

Com isso, atos como o de Tommie Smith e John Carlos nos Jogos do México em 1968 continuam proibidos. Os velocistas negros norte-americanos abaixaram as cabeças e ergueram os punhos com luvas negras durante o momento do pódio em gesto característico dos Panteras Negras, partido que lutava contra o racismo nos Estados Unidos, assim como o movimento Black Lives Matter.

Bach justificou que o afrouxamento, mas também a não a exclusão da regra, é para "manter a paz" durante os Jogos. "A missão é ter o mundo inteiro junto em um lugar e competindo pacificamente um com o outro. Isto você nunca conseguiria se os Jogos se tornassem polarizadores", disse o dirigente do COI.

Ainda prezando pela pacificidade da Olimpíada e com base na regra 50, nesta semana, o COI pediu que a Coreia do Sul retirasse de suas instalações na Vila Olímpica, bandeiras que faziam referência à Guerra Imjin com o Japão entre 1592 e 1598.

"Nossas regras dizem que a Vila Olímpica é uma das áreas protegidas onde os atletas devem ter uma convivência pacífica, sem qualquer tipo de mensagem desagregadora. Os atletas sabem seus direitos e podem expressar suas opiniões nas redes sociais, zona mista, muitos outros lugares. Há liberdade de expressão. Mas existem áreas protegidas como as cerimônias e a Vila Olímpica, que devem ser preservadas", disse Thomas Bach sobre o caso.

Estadão
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