Retorno do Brasileirão gera 'surto' de lesões e liga alerta nos clubes
Fisioterapeuta esportivo projeta tempo de recuperação dos atletas e detalha os protocolos para o retorno seguro aos gramados
O Brasileirão mal retornou e já acumula uma lista de desfalques por lesão. Para entender a gravidade do quadro de cada um dos atletas lesionados, o fisioterapeuta esportivo Anderson Dorneles, especialista pela Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física (Sonafe Brasil), analisa cada caso, detalha o processo de reabilitação e projeta os prazos para o seu retorno aos gramados.
Principal vítima da rodada, o atacante cruzeirense Gabriel Pec se contundiu gravemente no vitória da Raposa na última quarta-feira entre Internacional e Cruzeiro, no estádio Beira-Rio. Após entrada forte do zagueiro Victor Gabriel, no início da segunda etapa, o colorado acabou expulso e o cruzeirense gravemente lesionado.
Após os exames realizados pelo clube celeste foi detectada uma fratura na tíbia da perna esquerda do atleta, que terá que passar por um tratamento cirúrgico nos próximos dias.
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Apesar de não ter acesso aos exames de imagem de cada um dos casos, o especialista em fisioterapia esportiva pela Sonafe Brasil, Anderson Dorneles, projeta o tempo de recuperação dos jogadores. Em relação a Pec, que fez sua estreia pelo clube durante a partida, o tempo de recuperação estimado pelo fisioterapeuta pode variar de 4 a 6 meses.
"Nas primeiras semanas, o foco é controlar dor e edema, preservar a mobilidade das articulações, minimizar a perda de força muscular e prevenir complicações decorrentes da imobilização. À medida que a consolidação óssea evolui e a equipe médica libera a progressão de carga, a reabilitação passa a priorizar a recuperação da força, da amplitude de movimento, do equilíbrio, da coordenação e do controle neuromuscular. Na fase final, o trabalho torna-se altamente específico para o futebol, com progressão para corrida, acelerações, desacelerações, mudanças de direção, saltos e gestos técnicos da modalidade. Antes do retorno aos treinamentos e às competições, o atleta deve apresentar evidências clínicas, funcionais e de desempenho que demonstrem capacidade de suportar as exigências do jogo com segurança", explica Dorneles.
São Paulo também já perdeu jogador na retomada do Brasileirão
No Tricolor, o zagueiro Rafael Tolói teve constatada uma lesão na região posterior da coxa direita na derrota do São Paulo por 2 a 1 para o Athletico-PR, na última quarta-feira, em Bragança Paulista, pelo Campeonato Brasileiro. De acordo com o profissional, quando estamos diante de um estiramento muscular de menor gravidade, o retorno ao esporte costuma ocorrer entre duas e quatro semanas.
Nos casos em que existe uma lesão estrutural mais extensa, esse período pode variar entre seis e oito semanas, podendo ser ainda maior conforme a evolução clínica e as características individuais do atleta. O fisioterapeuta Anderson Dorneles também projeta como deve ocorrer o tratamento do defensor são-paulino, que não é mais nenhum garoto e tem convivido nos últimos anos com um quadro frequente de lesões.
"A fisioterapia deve ser iniciada precocemente e evoluir de forma criteriosa, respeitando as diferentes fases da cicatrização muscular. Nas primeiras etapas, o objetivo também deve ser controlar a dor e o edema, preservar a mobilidade, minimizar a perda de força e manter o condicionamento físico sem sobrecarregar o tecido lesionado. Com a evolução da cicatrização, inicia-se uma progressão estruturada do fortalecimento muscular, incluindo exercícios isométricos, isotônicos e excêntricos, seguidos por trabalhos de potência, velocidade e controle neuromuscular. Nas lesões da musculatura posterior da coxa, o fortalecimento excêntrico possui papel importante por contribuir para a recuperação da capacidade do músculo de suportar as elevadas demandas impostas pelo futebol. Na fase final da reabilitação, o tratamento passa a reproduzir progressivamente as exigências da modalidade, com corrida em diferentes intensidades, acelerações, desacelerações, mudanças de direção, sprints e gestos específicos do jogo", observa.
Fluminense também teve baixa importante
Além deles, a dupla de zaga do Fluminense formada pelo colombiano Julián Millán e por Jemmes na partida frente o Red Bull Bragantino, no dia 17 de julho, também virou baixa. Ambos por contusão na coxa, no entanto, em diferentes locais e intensidades.
Enquanto o estrangeiro teve detectada uma lesão de grau 3 no músculo posterior da coxa direita, o brasileiro sofreu uma lesão de grau 1 no adutor da coxa direita. Segundo Dorneles, estima-se que o retorno de uma lesão de grau 1 seja de uma a três semanas, enquanto em uma de grau 3 deve ocorrer entre dois e quatro meses. O fisioterapeuta detalha o passo a passo de como o clube deve seguir no tratamento da dupla de zaga tricolor.
"Independentemente do grau da lesão, a fisioterapia é um dos pilares da recuperação. Nas fases iniciais, o objetivo é o mesmo: controlar a dor, reduzir o edema, proteger o tecido lesionado, preservar a mobilidade e minimizar a perda de força muscular. À medida que a cicatrização evolui, inicia-se uma progressão criteriosa do fortalecimento, respeitando a capacidade biológica de reparo do músculo. Essa evolução inclui exercícios isométricos, isotônicos, excêntricos e, posteriormente, trabalhos de potência, velocidade e controle neuromuscular", disse, antes de seguir detalhando.
"Na sequência, a reabilitação passa a reproduzir as exigências específicas do futebol, com progressão para corrida, acelerações, desacelerações, mudanças de direção, saltos e gestos técnicos da modalidade. Atualmente, o retorno ao jogo não é definido apenas pelo tempo transcorrido desde a lesão, mas principalmente pelo cumprimento de critérios clínicos e funcionais objetivos, como recuperação da força muscular, desempenho em testes específicos, tolerância às cargas de treinamento e ausência de sintomas durante atividades de alta intensidade. Essa abordagem baseada em critérios oferece maior segurança ao atleta e reduz significativamente o risco de recorrência, que continua sendo um dos principais desafios das lesões musculares no futebol profissional", afirma o especialista.
Com a ausência da dupla, quem deve acelerar o processo de retorno é o zagueiro Thiago Silva, que estava em processo de recondicionamento físico e agora, diante da falta de opções para o setor, deve reestrear pelo Tricolor das Laranjeiras.
Pós-Copa preocupa
Dorneles ainda tratou de desmistificar o fato das lesões no retorno do campeonato estarem ligadas à pausa da Copa do Mundo. Segundo ele, "seria uma conclusão simplificada para um problema que é reconhecidamente multifatorial e complexo. O cenário é muito mais complicado e provavelmente resulta da interação entre diversos fatores. A gestão adequada da carga de treinamento, o recondicionamento físico individualizado, o controle da exposição competitiva e o monitoramento contínuo dos atletas são, hoje, as principais ferramentas para reduzir o risco de lesões musculares no futebol de alto rendimento", esclarece.
Rodada do Brasileirão começa neste sábado
Neste final de semana, as equipes voltam a campo para iniciar o segundo turno do Campeonato Brasileiro. Três jogos marcam o sábado: Atlético-PR x Internacional, Santos x Chapecoense e Vasco da Gama e Mirassol. No domingo, mais sete jogos completam a rodada.
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