Morre Laura Cardoso; atriz fez filmes de ídolos do futebol brasileiro
Atriz que marcou gerações também levou às telas histórias de Pelé e Zico e nasceu antes mesmo da primeira Copa do Mundo
A atriz Laura Cardoso morreu aos 98 anos, deixando uma trajetória de mais de sete décadas na dramaturgia brasileira. Dona de uma das carreiras mais longevas da televisão nacional, ela também teve uma ligação curiosa com o futebol: participou de produções cinematográficas relacionadas a Pelé e Zico, dois dos maiores ídolos da história do esporte brasileiro.
A morte foi comunicada na madrugada desta terça-feira (18) pelo perfil oficial da atriz nas redes sociais. Segundo o g1, a filha, Fátima Cardoso, confirmou que Laura passou mal em casa, no bairro de Sumaré, em São Paulo, na noite de segunda-feira (17).
O velório acontece nesta terça, das 8h às 14h, no Funeral Home, localizado na Rua São Carlos do Pinhal, 376, na Bela Vista, região central da capital paulista.
Laura Cardoso esteve em filme sobre Pelé
Ainda na década de 1960, Laura Cardoso integrou o elenco de "O Rei Pelé", produção dirigida por Carlos Hugo Christensen que retrata a trajetória do craque desde a infância em Três Corações (MG) até os primeiros passos de sua consagração no futebol.
Na obra, a atriz interpretou a professora de Pelé. O filme foi lançado em um período em que o jogador já começava a se transformar em um fenômeno mundial e ajudou a levar parte de sua história para o cinema.
Décadas depois, Laura voltaria a dividir uma produção cinematográfica com outro personagem histórico do futebol brasileiro.
Em "Uma Aventura do Zico", de 1998, dirigido por Antonio Carlos da Fontoura, a atriz participou da comédia infantojuvenil protagonizada pelo próprio Zico. Na história, o ídolo do Flamengo interpreta a si mesmo enquanto trabalha com jovens em uma escolinha de futebol.
Assim, a carreira de Laura Cardoso acabou cruzando duas gerações de grandes nomes do futebol brasileiro: Pelé nos anos 1960 e Zico nos anos 1990.
Atriz viveu todas as Copas do Mundo
A ligação de Laura com o futebol vai além do cinema. Nascida em 1927, três anos antes da primeira Copa do Mundo, disputada em 1930, no Uruguai, a atriz atravessou toda a história do Mundial.
Ela estava viva quando o Brasil conquistou seus primeiros títulos, acompanhou a ascensão de Pelé, viu a Seleção levantar a taça em 1994 e 2002 e testemunhou todas as outras edições do torneio.
Poucas pessoas podem dizer que acompanharam todas as Copas do Mundo desde a primeira edição. Laura Cardoso estava entre elas.
Uma das maiores carreiras da dramaturgia brasileira
Nascida Laurinda de Jesus Balleroni, Laura Cardoso começou a atuar aos 15 anos. Sua estreia na televisão aconteceu em 1952, aos 25, em "Tribunal do Coração", da TV Tupi.
Ao longo da carreira, participou de mais de 60 novelas e se tornou uma das atrizes com maior número de trabalhos na televisão brasileira.
Na TV Globo, onde estreou em 1981 com "Brilhante", Laura construiu alguns de seus personagens mais lembrados. Entre eles está Dona Isaura, mãe das gêmeas Ruth e Raquel em "Mulheres de Areia", exibida em 1993.
Seu último trabalho em uma novela foi "A Dona do Pedaço", em 2019. No cinema, ainda participou de "Dona Rosinha", lançado em 2025.
Ao longo de décadas, recebeu importantes reconhecimentos por sua contribuição às artes, incluindo cinco prêmios da APCA, o Oscarito do Festival de Gramado e a Ordem do Mérito Cultural, concedida em 2006.
Laura Cardoso deixa uma trajetória que atravessou gerações, e que, de forma curiosa, também se encontrou com a história de alguns dos maiores ídolos do futebol brasileiro.
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