Morre ex-presidente da CBF Antônio Carlos Nunes, aos 87 anos
Conhecido como Coronel Nunes, o militar esteve por quase duas décadas à frente da Federação Paraense de Futebol (FPF)
O ex-presidente da CBF, Antônio Carlos Nunes, conhecido como Coronel Nunes, faleceu aos 87 anos em Belém após complicações de saúde. Ele presidiu a Federação Paraense por quase duas décadas e liderou a CBF de forma interina entre 2017 e 2019, além de um breve retorno em 2021. Sua gestão ficou marcada por polêmicas, como o voto no Marrocos para a Copa de 2026, que rompeu um acordo da Conmebol com a candidatura norte-americana. A CBF e federações lamentaram sua morte e prestaram homenagens póstumas.
Antônio Carlos Nunes morreu neste domingo (13), aos 87 anos, em Belém. Ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o Coronel Nunes, como era conhecido, também teve uma longa trajetória à frente da Federação Paraense de Futebol (FPF), onde permaneceu por quase 20 anos.
O velório de Nunes acontecerá próximo à sede da federação paraense, em uma capela particular na Avenida José Bonifácio, em Belém, a partir das 13h deste domingo (13). Já o sepultamento ocorrerá na manhã de segunda-feira (14), em um cemitério de Ananindeua. O Coronel comandou a FPF entre 1998 e 2016, mas ganhou projeção nacional ao assumir a presidência da CBF.
Pessoas próximas ao ex-dirigente informaram que Nunes estava internado há mais de seis meses em um hospital particular da capital do Pará, após complicações relacionadas a uma cirurgia na cabeça. Ele realizou o procedimento anos atrás para retirada de um tumor.
Passagem de Antônio Carlos Nune pela CBF
Em 2017, Coronel Nunes assumiu, de forma interina, a presidência da Confederação Brasileira de Futebol devido à suspensão de Marco Polo Del Nero. Ele, então, permaneceu no comando da entidade até 2019. Com o afastamento de Rogério Caboclo, em 2021, ele retornou ao comando da CBF por 30 dias.
A CBF emitiu uma nota de pesar neste domingo e destacou a atuação de Nunes no fortalecimento do futebol brasileiro, especialmente no paranaense. Além da entidade, a FERJ (Federação do Rio de Janeiro) também lamentou a morte e informou que respeitará um minuto de silêncio nas partidas previstas para esta data.
"A CBF lamenta o falecimento do coronel Nunes, com uma história pautada pelo fortalecimento do futebol no seu Estado, Pará, e no Brasil. Neste momento de profunda dor e tristeza, manifestamos nossos sentimentos aos seus familiares e amigos", disse Samir Xaud.
Polêmica do Coronel Nunes
Um dos episódios de maior repercussão envolvendo Coronel Nunes sua trajetória no futebol ocorreu durante a escolha da sede da Copa do Mundo de 2026, em 2018. Isso porque o Brasil fazia parte de um acordo articulado pela Conmebol para que os dez países sul-americanos apoiassem a candidatura conjunta de EUA, México e Canadá.
Esse compromisso ficou formalizado no dia 13 de abril, após uma reunião do Conselho da Conmebol em Buenos Aires. Inclusive, Nunes participou dessas reuniões como um dos integrantes da pasta. A votação, então, ocorreu de forma eletrônica durante o Congresso da Fifa, em Moscou, pouco tempo depois.
Na votação, os membros tinham três opções para decidir: apoio à América do Norte, ao Marrocos ou nenhuma das opções. Nunes, inclusive, foi lembrado pela cúpula da CBF instantes antes do voto de que deveria apoiar Estados Unidos, México e Canadá. No entanto, o Coronel registrou apoio ao Marrocos.
O dirigente acreditava que a escolha seria mantida em sigilo, mas a Fifa já havia determinado anteriormente que divulgaria os votos. Primeiro, ele tentou manter o voto secreto, mas diante da revelação, assumiu sua preferência pelos marroquinos.
"Estados Unidos e México já fizeram Copa, não é? Seria bom se fosse Marrocos", afirmo à época.
Internamente na Conmebol, a posição do Coronel foi vista como uma quebra do compromisso firmado entre os países sul-americanos. Dirigentes brasileiros e latinos evitaram tratar publicamente do episódio, mas nos bastidores a postura provocou críticas e até piadas entre cartolas.
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