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Futebol

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Leonardo Jardim tem responsabilidade em sufoco do Flamengo

Vitória por 3 a 2 sobre o Atlético-MG expõe um time que ainda depende do talento individual

27 out 2026 - 00h39
(atualizado às 00h39)
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Resumo
Apesar de vencer o Atlético-MG por 3 a 2 e retomar a liderança do Brasileirão com 70 pontos, o Flamengo expôs falhas defensivas preocupantes que colocam o técnico Leonardo Jardim sob cobrança. O time contou com o brilho individual de Plata, Arrascaeta e Carrascal para triunfar nos acréscimos, mas sofreu pressão excessiva. O resultado evidenciou a fragilidade tática coletiva da equipe, que precisa de ajustes defensivos urgentes do treinador para manter a consistência na disputa do título.

Leonardo Jardim não pode reivindicar apenas os méritos da vitória do Flamengo sobre o Atlético-MG. Se o treinador tem participação na construção dos resultados, também precisa responder pelas falhas que transformaram um jogo decisivo em um sufoco desnecessário.

Fotomontagem: Vinicius Teixeira/ Agência RTI Esporte
Fotomontagem: Vinicius Teixeira/ Agência RTI Esporte
Foto: Fotomontagem: Vinicius Teixeira/ Agência RTI Esporte / RTI Esporte

O Rubro-Negro venceu por 3 a 2, retomou a liderança do Campeonato Brasileiro, mas voltou a expor uma contradição incômoda: tem elenco para controlar partidas, porém ainda depende demais do talento individual para sobreviver às próprias deficiências coletivas.

O problema não está em sofrer gols ou enfrentar dificuldades em uma partida isolada. Está na maneira como o Flamengo permite que o adversário encontre espaços e ameace um resultado que parecia ao alcance.

O português não controla cada movimento dentro de campo, mas é responsável por organizar a equipe, corrigir posicionamentos e estabelecer mecanismos para proteger a defesa. Quando essas respostas não aparecem, a cobrança sobre o treinador é inevitável.

O talento resolve, Leonardo Jardim precisa explicar

O Atlético-MG encontrou espaços, marcou duas vezes e manteve o Flamengo sob pressão até os acréscimos. Os gols de Bernard e Renan Lodi não devem ser tratados apenas como acidentes de percurso.

A maneira como o adversário conseguiu ameaçar a equipe exige uma análise sobre posicionamento, recomposição e proteção defensiva. É justamente aí que Leonardo Jardim entra na discussão. O treinador não pode impedir todo erro individual, mas precisa construir mecanismos que reduzam a exposição do time.

Quando a equipe oferece espaços em transições e tem dificuldade para controlar os movimentos adversários, a responsabilidade ultrapassa a execução dos jogadores e alcança as escolhas de quem organiza o conjunto.

O Flamengo respondeu com Plata, Arrascaeta e Carrascal, autor do gol da vitória em cobrança de pênalti nos acréscimos. A capacidade de reação merece reconhecimento. Mas há uma diferença entre demonstrar poder ofensivo e apresentar um modelo de jogo consistente.

O primeiro pode decidir uma partida; o segundo é o que sustenta uma campanha de título. A vitória não apaga essa diferença. Ao contrário: o sufoco torna mais evidente o contraste entre a qualidade disponível no elenco e a segurança que a equipe ainda precisa transmitir.

A liderança não absolve o treinador

Com 70 pontos, um à frente do Palmeiras, o Flamengo recuperou a liderança em um momento decisivo. A classificação, entretanto, não pode servir de escudo para o treinador. Quanto menor a margem para erros, maior a necessidade de corrigir problemas que colocam resultados em risco.

Leonardo Jardim tem a obrigação de encontrar respostas táticas, ajustar a ocupação dos espaços e dar ao time condições de administrar partidas sem transformar cada vantagem em uma nova ameaça. Não se trata de exigir uma equipe perfeita, mas de cobrar coerência entre a qualidade do elenco e o desempenho coletivo.

O Flamengo venceu porque teve talento para reagir e insistência para buscar o gol decisivo. Jardim, por sua vez, precisa demonstrar que consegue oferecer mais do que soluções depois do problema instalado. Na disputa pelo Brasileirão, a liderança vale muito. Mas não transforma sufoco em virtude, nem substitui o trabalho que ainda precisa ser feito.

(*) Wilson Pimentel é jornalista, radialista, empresário e sócio-fundador da Agência RTI Esporte.

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