Kilt, cerveja e rúgbi: o que a Escócia, rival do Brasil, ama fora do futebol
País de 5.5 milhões de habitantes tem cultura característica no Reino Unido e vive euforia por voltar a uma Copa
É difícil imaginar a Escócia como um país do futebol. Afinal, a seleção nunca passou da primeira fase da Copa do Mundo e revela poucos talentos no decorrer dos anos. Então, do que os escoceses realmente gostam, fora das quatro linhas? A resposta vem da cultura, com o kilt e a gaita de fole, dos excessos nos bares e de outro esporte badalado no Reino Unido.
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A nação de 5.5 mihões de habitantes está em festa com o retorno ao torneio mundial. Desde 1998, a Escócia não conseguia a classificação. Na ocasião, inclusive, enfrentou o Brasil, a exemplo desta edição. A bola rola nesta quarta-feira, às 19h, em Miami. Mas o envolvimento com o futebol nunca deixou de ser muito intenso, já que a rivalidade entre os dois maiores clubes - Celtic e Rangers - é tratada até como instrumento político e social.
A famosa saia
O kilt, que nós conhecemos apenas como saia ou "saiote", é um acessório tradicionalíssimo entre os nativos. É um símbolo de identidade cultural e orgulho. Costuma ser feita de lã grossa e tem o estilo xadrez. Foi criada para conter o frio no período de outono e inverno escocês e veste os homens há cinco séculos.
Após a vitória na Batalha de Culloden, o Governo Britânico ordenou que o kilt fosse banido, com o objetivo de enfraquecer a identidade local. No entanto, na geração seguinte, os ativistas criaram o movimento contrário e tornaram a vestimenta um marco de resiliência na história.
Outro elemento "muito escocês" é a gaita de fole. O instrumento não é criação nativa, mas se tornou relevante também em contexto de guerra. Afinal, o som agudo e característico era utilizado para coordenar as tropas. E nunca mais deixou a tradição das famílias da Escócia.
Cerveja ou uísque?
No Brasil, a fama do rival desta quarta quando o assunto é a bebida alcóolica sempre será o uísque. A qualidade da produção é referência por aqui e pelo mundo. Mas, nas últimas décadas, a cerveja vem sendo muito mais consumida entre os escoceses. Inclusive, donos de bar nos Estados Unidos já relataram que tiveram que repor o estoque depois de uma visitinha de um grupo do país europeu. "Nunca vi nada igual", disse um deles.
Nos números, o Reino Unido surge no top 10 dos rankings de maiores bebedores por cerveja. Inglaterra e Escócia, claro, são os responsáveis pela maior parcela do consumo. No total, são 77 litros de média, por ano, por habitante. O Brasil, por exemplo, é só o 17º desta lista.
According to reports, bars and liquor stores across Boston have been running out of beer after the Tartan Army arrived for the World Cup with bars saying they had "never seen anything like it."
No Scotland, no party 🏴🍻 pic.twitter.com/g0699TI10s
— Scottish Banter (@1scottishbanter) June 16, 2026
Na dúvida, muitos encaram um pouco de cada. É o chamado "half and half", ou seja, uma dose de uísque acompanhada de uma "pint" (copo grande) de cerveja.
Rúgbi é o segundo esporte
Além do futebol, um esporte jogado com as mãos é febre por lá. Afinal, a Escócia é forte no rúgbi, tradicional do Reino Unido. Frequentemente, se qualifica para a Copa do Mundo e tem bons resultados na Europa.
O golfe também sempre teve espaço. Mas é por uma questão cultural. Os escoceses se gabam de serem o "berço" do esporte e, por isso, ainda abriga alguns dos eventos com mais prestígio do tour profissional.
Rivais e… fãs do Brasil
Os jogadores da seleção estão empolgados em enfrentar o Brasil mais uma vez. O zagueiro Jack Hendry, do Al Ettifaq-ARA, sonha em passar de fase contra o adversário mais icônico da história do futebol.
"Se você perguntar a alguém na rua uma memória de Copa do Mundo, provavelmente será uma que envolve o Brasil. É um ícone da Copa. Jogar contra uma seleção como essa vai ser incrível. E, quem sabe, fazer história contra eles? Seria ainda mais especial", ressaltou.
Já o técnico Steve Clarke, com passagens pelos ingleses West Bromwich e Reading, lembrou de quando era criança e viu o Brasil ser tricampeão, em 1970.
"Minhas primeiras memórias de uma Copa do Mundo foram provavelmente da Seleção Brasileira de 1970, que era absolutamente fantástica. E você cresce com esse amor pelo Brasil. Mas amanhã à noite nós temos que não amar o Brasil, e amar mais a Escócia".
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