Ao contrário de Tevez, Dzeko pede desculpas para Mancini
30 set2011 - 18h15
(atualizado às 19h01)
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Se o técnico do Manchester City, Roberto Mancini, negou que a última semana foi a mais difícil da sua carreira, certamente não foi a mais fácil. Além de lidar com a insubordinação de Carlos Tevez e a derrota para o Bayern de Munique por 2 a 0, precisou desculpar o bósnio Edin Dzeko, que demonstrou publicamente sua insatisfação por ter sido substituído no começo do segundo tempo do confronto europeu.
Atacante reclamou de ser substituído contra o Bayern de Munique
Vice-artilheiro da equipe no Campeonato Inglês com seis gols, ele levantou o polegar de forma irônica e teve um acesso de raiva. Mancini havia dito que o atacante assistiria à partida de sábado contra o Blackburn "ao seu lado" e informou seus atletas durante o treino de quinta-feira que não vai mais aceitar que eles contestem suas decisões. "Eu sei que minha reação foi ruim e eu conversei com o pessoal e com o treinador. Pedi desculpas, Roberto as aceitou, disse que estava tudo ok e que precisávamos pensar positivo para o próximo jogo", explicou.
Dzeko argumentou que sua insatisfação era mais pela derrota por 2 a 0 que pela substituição. "Eu estava infeliz e queria ganhar o jogo. Foi algo especial para mim voltar à Alemanha, onde eu joguei por um longo tempo e eu queria ir bem. Por isso eu estava extra-frustrado", comentou o ex-jogador do Wolfsburg entre 2007 e 2001.
"Todos durmiram e descansaram após o jogo do Bayern e nós sabemos que poderíamos ter ido melhor, mas assim é o futebol, você não pode ganhar todos os jogos. O Bayern de Munique é passado e estamos positivos em relação ao próximo jogo", encerrou.
Carlos Tevez criou polêmica na Inglaterra ao se negar a entrar em campo diante do Bayern de Munique, na última terça-feira, pela Liga dos Campeões da Europa. O argentino não é o primeiro a tomar essa atitude e provavelmente não será o último. Relembre nas próximas páginas outros jogadores "rebeldes" que se recusaram a atuar, incluindo Adriano, Robinho, Eto'o e Petkovic
Foto: Getty Images
Tevez negou a versão, mas o técnico do Manchester City, Roberto Mancini, confirmou a história, dizendo que o atacante não quis sair do banco de reservas quando foi chamado. Na quarta, o clube anunciou uma suspensão de até duas semanas para o atacante. Segundo o diário inglês Daily Star, em caso de demissão do jogador a Fifa ainda pode impedi-lo de defender outro clube por um determinado período e fazê-lo pagar uma multa de 32 milhões de libras (R$ 91,6 milhões) ao City
Foto: Getty Images
Ídolo do Flamengo, Dejan Petkovic teve sua fase "rebelde" em 1994. Aos 22 anos, ele integrou o grupo da Iugoslávia em dois amistosos contra Brasil e Argentina. Diante da equipe alviceleste, foi chamado por Slobodan Santrac a deixar o banco aos 44min do segundo tempo, mas não quis. Petkovic lembra que mesmo após a polêmica foi convocado outras cinco vezes pelo mesmo treinador, porém a verdade é que o meia nunca conseguiu ter uma sequência pela seleção de seu país
Foto: Getty Images
Ainda por seleções destaca-se o caso do lateral esquerdo Eric Abidal (camisa 3). Durante a Copa do Mundo de 2010, os jogadores da França fizeram uma greve e não treinaram por um dia em solidariedade ao corte do atacante Nicolas Anelka, que teria ofendido o técnico Raymond Domenech no intervalo da partida contra o México, perdida por 2 a 0. O jogo seguinte seria contra a África do Sul e Abidal pediria para não atuar por estar se sentindo "vazio" em meio à polêmica
Foto: Getty Images
Atualmente no Corinthians, Adriano teve uma passagem curta de nove meses e nenhum gol marcado pela Roma. Mas ele encontrou tempo para se envolver em uma discussão com o técnico Claudio Ranieri. Em setembro de 2010, após ficar bastante tempo aquecendo o centroavante foi chamado para entrar em campo aos 40min do segundo tempo diante da Inter de Milão, pelo Campeonato Italiano. Bastante irritado, respondeu jogando sua caneleira para longe e não quis atuar
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Destaque do Barcelona entre 2004 e 2009, Samuel Eto'o teve alguns problemas na Catalunha. Um deles ocorreu em 2007, quando não atendeu o pedido de se levantar do banco no segundo tempo do duelo com o Racing Santander, pelo Campeonato Espanhol. Depois da partida, o técnico Frank Rijkaard colocaria panos quentes na polêmica, apontando que o camaronês não se sentia 100% fisicamente por estar retornando de lesão
Foto: Getty Images
No Brasil, Deco também já aprontou algo parecido. Em maio de 2011, o meia via do banco de reservas o Fluminense ser eliminado da Copa Libertadores, perdendo por 3 a 0 para o Libertad em Assunção. O treinador interino da época, Enderson Moreira, pediu aos 43min do segundo tempo a ajuda de Deco, que não quis jogar, segundo jornalistas presentes no local. O ex-atleta da seleção portuguesa negou a versão
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Em 2005, Robinho havia acabado de ser campeão da Copa das Confederações pela Seleção Brasileira quando estremeceu o Santos dizendo que sairia para o Real Madrid. Mesmo sem os clubes terem fechado a transferência, o atacante não se reapresentou na Vila Belmiro e ficou fora dos campos até que o negócio fosse fechado, cerca de um mês depois. A estrela ainda fez uma turnê de despedida pelo Santos, fechando sua passagem com uma vitória sobre o Paysandu, em Belém, no fim de agosto
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O Palmeiras contava com Kléber para o clássico diante do Santos, em julho passado, mas um dia antes do duelo ficou sabendo que não teria o seu destaque. Liberado para jogar pelos médicos após sofrer uma contusão, o atacante alegou que ainda sentia um incômodo na coxa e não se juntou à concentração alviverde. Em meio a boatos de que não pretendia completar sete jogos no Campeonato Brasileiro para poder defender o Flamengo, Kléber acabou permanecendo no Palestra Itália
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Neste ano, a Portuguesa também teve de lidar com um ato de indisciplina cometido por dois jogadores ao mesmo tempo. Insatisfeitos, os meias Fabrício e Heverton (à dir.) pediram para não enfrentar a Ponte Preta em janeiro, pelo Campeonato Paulista. Eles acabaram multados em 20% dos salários pela diretoria, mas conseguiram forçar a saída: Fabrício foi emprestado ao Internacional e Heverton, ao Atlético-PR - o segundo não está mais em Curitiba e já se transferiu ao Seongnam, da Coreia
Foto: Reinaldo Marques / Terra
Mas atitudes desse tipo são mais populares mesmo na Inglaterra Na temporada 2007/08, o treinador do Tottenham, Martin Jol, chamou Dimitar Berbatov (à esq.) para entrar logo depois do intervalo da partida contra o Newcastle, que vencia por 2 a 0. O búlgaro a princípio disse que não, cedendo à ordem a contragosto. Mais tarde, ainda em 2008, o centroavante decidiu deixar o Tottenham e forçou sua venda para o Manchester United, concretizada no último dia da janela de transferências europeia.
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Ex-volante da seleção inglesa, Kieron Dyer (centro) recentemente admitiu que o maior arrependimento da sua carreira foi não ter aceitado atuar como meia direita pelo Newcastle contra o Middlesbrough, em 2004. Na época, o técnico Bobby Robson preferiu proteger Dyer dizendo que o jogador tinha uma lesão muscular e não estava disponível
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Uma polêmica ainda maior que a de Tevez envolveu Alex Kolinko em 2002. Depois que o Cristal Palace sofreu um gol contra o Bradford, o goleiro reserva Kolinko foi flagrado dando risadas no banco de reservas. Em uma reação intempestiva, o treinador Trevor Francis deu um soco no jogador da seleção da Lituânia. Mais tarde, na mesma temporada da segunda divisão inglesa, o arqueiro diria não ao ser convocado para enfrentar o Leicester
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Sebastien Squillaci não quis encarar o Braga na preliminare da Liga dos Campeões da Europa na temporada passada. O zagueiro francês estava em negociações para se transferir ao Arsenal e sabia que, caso atuasse, não poderia disputar a competição pelo clube inglês. Squillaci, que pouco tempo depois veria o negócio ser concretizado, colocou seu então técnico Antonio Alvarez em uma saia-justa, visto que ele já havia anunciado o time titular (incluindo do francês), aos jogadores
Foto: Getty Images
Ex-atleta da seleção holandesa, Pierre van Hooijdonk liderou o Nottingham Forest rumo à primeira divisão inglesa em 1998. Porém, ele ficou tão irritado com a venda de seu companheiro de ataque Kevin Campbell na temporada seguinte que fez uma greve. O clube não aceitou vendê-lo e o jogador ficou fora dos gramados por cinco meses, só trabalhando a parte física no Breda, da Holanda. De volta em novembro, foi escalado, mas já era tarde para evitar o rebaixamento do Forest