Fifa sabia de goleiro irregular e não puniu Congo antes da Copa do Mundo
A entidade sabia da irregularidade da situação do jogador
Mesmo ciente de que o goleiro Lionel Mpasi jogou de forma irregular por não concluir a mudança de vínculo após defender a base da França, a Fifa não puniu a República Democrática do Congo. Seus advogados recomendaram suspensão e derrotas por W.O., o que daria a vaga na Copa à Nigéria, mas a entidade rejeitou a denúncia nigeriana. A decisão garantiu a classificação histórica do Congo, gerando fortes questionamentos éticos e o risco de futuras sanções nas Eliminatórias para 2030.
A Fifa sabia que Lionel Mpasi, goleiro da República Democrática do Congo, jogou a Copa do Mundo em situação irregular. Segundo o jornal "New York Times", os Leopardos não haviam concluído os procedimentos necessários para que o arqueiro disputasse as eliminatórias e o mundial.
O goleiro defendeu a França nas categorias de base e havia iniciado o processo de mudança de vínculo internacional em 2021. No entanto, de acordo com a imprensa europeia, o procedimento nunca chegou a ser concluído e o arqueiro passou a defender a seleção congolesa regularmente.
Logo após ficar de fora da Copa do Mundo, a Nigéria, que perdeu a vaga para a disputa da repescagem intercontinental para o Congo, representou uma reclamação formal à FIFA após ser eliminada. Durante a análise do caso, os próprios advogados da Fifa concluíram que Mpasi não poderia defender o Congo.
Segundo o jornal "Le Monde", juristas alertaram que o goleiro poderia comprometer a campanha dos Leopardos. Além disso, apontaram que as quatro partidas disputadas pelo jogador nas eliminatórias poderiam estar em questionamento por conta das regras do órgão máximo do futebol.
O regulamento disciplinar da Fifa prevê que, caso isso aconteça, as seleções sejam punidas com derrota por W.O. e uma multa seja aplicada à seleção. Os advogados do órgão máximo do futebol recomendaram uma punição à federação congolesa e que Mpasi fosse suspenso por seis meses.
No entanto, nada foi feito. A Fifa decidiu não aplicar a punição e afirmou que a reclamação apresentada pela Federação Nigeriana era considerada inadmissível por sua comissão disciplinar e que a decisão se tornou definitiva após não ter recursos.
Mpasi disputou a reta final das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026 e ajudou o Congo a voltar a disputar um mundial depois de 56 anos. A primeira, desde que passou a competir como República Democrática do Congo e não como Zaire.
Na Copa do Mundo, o Congo terminou em terceiro lugar na fase de grupos, empatando com Portugal, mas foi eliminado na fase de oitavas de final ao perder por 2 a 1, de virada, para a Inglaterra.
A controvérsia agora levanta questionamentos sobre a condução da Fifa no caso e sobre o impacto que uma eventual aplicação das regras teria tido na classificação do Congo. Além disso, outra possibilidade é que o Congo tenha pontos retirados nas Eliminatórias Africanas para a Copa de 2030.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.