Fifa identifica 240 mil mensagens ofensivas durante a Copa de 2026
Relatório aponta que 20% dos ataques classificados continham expressões racistas; entidade encaminhou 786 contas às autoridades policiais
Durante a Copa de 2026, a Fifa identificou 240 mil mensagens ofensivas nas redes sociais, com 20% dos casos envolvendo racismo, além de ameaças violentas e xenofobia. Com apoio de inteligência artificial e revisão humana, o serviço de proteção bloqueou preventivamente 9,2 milhões de conteúdos nos canais oficiais e atuou contra o vazamento de dados de árbitros. Ao todo, 786 contas foram enviadas às autoridades policiais para investigação criminal por apresentarem riscos graves à segurança.
A Fifa identificou 240 mil publicações e comentários ofensivos relacionados à Copa do Mundo de 2026. O levantamento, divulgado às vésperas do Dia Mundial da Saúde Mental, celebrado em 10 de outubro, mostra que um em cada cinco conteúdos ofensivos classificados durante o torneio continha expressões racistas. Ao todo, o serviço de proteção da entidade analisou mais de 17 milhões de publicações e comentários.
De acordo com o relatório, mais da metade das pessoas que receberam apoio do serviço de proteção nas redes sociais foi alvo de pelo menos uma mensagem ofensiva durante a competição, disputada entre 11 de junho e 19 de julho, no Canadá, no México e nos Estados Unidos. Além dos ataques racistas, 14% dos casos envolviam ameaças violentas, enquanto 12% apresentavam conteúdo xenofóbico.
A ferramenta de proteção da Fifa também moderou automaticamente 60,7 milhões de mensagens publicadas nas plataformas oficiais da entidade e nos canais das federações participantes. Desse total, 9,2 milhões de interações, o equivalente a 15%, foram bloqueadas antes de ficarem visíveis ao público. O sistema identifica desde mensagens ofensivas até spam e atividades suspeitas de contas automatizadas.
A entidade atribui parte do avanço à evolução da tecnologia de inteligência artificial utilizada na moderação. Na Copa de 2022, no Catar, a ferramenta analisou 13,7 milhões de mensagens. Em 2026, o número chegou a 60,7 milhões. Além disso, a revisão humana também aumentou, passando de 434 mil para 477 mil publicações e comentários.
O trabalho ainda permitiu identificar 2.905 contas que poderiam ser alvo de investigação criminal. Desse total, 786 foram encaminhadas às autoridades policiais, incluindo 232 casos considerados especialmente graves por envolverem ameaças com potencial de representar riscos à segurança.
Combate ao discurso de ódio no ambiente digital
Em declaração divulgada pela entidade, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, reforçou o compromisso de combater o discurso de ódio no ambiente digital.
"Por ocasião do Dia Mundial da Saúde Mental, reafirmamos o compromisso da FIFA de proteger a comunidade do futebol contra mensagens de ódio nas redes, com o apoio de tecnologias de última geração capazes de combater tanto os conteúdos criados por pessoas quanto as imagens geradas por inteligência artificial", afirmou.
Além disso, Infantino também destacou que centenas de contas foram comunicadas às autoridades por disseminarem ameaças. De acordo com ele, o serviço de proteção está disponível para apoiar as 211 federações-membro e as confederações ligadas à entidade.
A Fifa também relatou casos de imagens ofensivas produzidas por inteligência artificial que não haviam sido detectadas inicialmente pelos sistemas das próprias plataformas. Após a intervenção da entidade, as redes sociais removeram o material.
Proteção aos árbitros
O relatório ainda chama atenção para os ataques contra integrantes da arbitragem. Durante a Copa, o serviço da Fifa atuou para impedir a divulgação maliciosa de informações pessoais e privadas dos árbitros, prática conhecida como doxing, que pode incentivar perseguições e ameaças.
Pierluigi Collina, diretor da Subdivisão de Arbitragem da Fifa, ressaltou a importância de garantir que os profissionais possam exercer suas funções sem sofrer assédio nas redes sociais.
"Nosso objetivo é garantir que os integrantes da arbitragem possam se concentrar plenamente no que acontece dentro de campo, sem precisar se preocupar com o que se publica sobre eles nas redes sociais", declarou.
Por fim, Collina também defendeu medidas para combater o assédio no futebol e fora dele. Dessa maneira, para o dirigente, ferramentas que permitem identificar ameaças e encaminhar casos para investigação são fundamentais para proteger árbitros, jogadores, treinadores e demais profissionais envolvidos no esporte.
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