Equipe na Bolívia assume derrota proposital por ameaças de morte
Afirmação sobre situação estarrecedora, em jogo da primeira divisão, foi feita por técnico do Guabirá
Após a goleada de 6 a 0 sofrida diante do Always Ready pelo Campeonato Boliviano, jogadores do Guabirá admitiram ter facilitado a derrota devido a ameaças de morte contra a família do goleiro Manuel Ferrel. O técnico Leonardo Eguez relatou o desespero do time no intervalo após a coação, que exigia que o arqueiro sofresse gols. O caso gerou a abertura de investigações pela Federação Boliviana de Futebol e pelo Ministério Público local por suspeita de manipulação de resultados.
No último domingo (13), o Always Ready se sustentou com autoridade na briga ponto a ponto com o Bolívar pela liderança do Campeonato Boliviano. Isso porque o time radicado em El Alto recebeu o Guabirá e aplicou uma sonora goleada por 6 a 0. Entretanto, o que ninguém imaginava durante o confronto é que o resultado pode ter tido influência do próprio rival.
Na entrevista coletiva após o resultado acachapante, os jogadores do time superado se reuniram na sala de imprensa e assumiram que não atuaram com naturalidade no jogo que ocorreu em Villa Ingenio.
Isso porque o goleiro Manuel Ferrel teve sua família ameaçada de morte caso não colaborasse diretamente com o triunfo do Always Ready. Com direito, inclusive, a deixar passar "três ou quatro bolas", como ratificou o técnico do Guabirá, Leonardo Eguez, em entrevista ao portal de notícias Diez.
O comandante da equipe goleada afirma que não notou nada antes da chegada ao palco do compromisso no fim de semana. Entretanto, bastou a bola rolar para notar situações incomuns em seus atletas. Algo que só conseguiu confirmar no intervalo, oportunidade onde conversou com mais calma com os atletas.
"Ambiente muito pesado"
"Preparamos a partida como sempre, com muito profissionalismo. Tínhamos um plano de jogo. Chegamos ao estádio, dou uma preleção e saímos, tudo corria bem. Estávamos convencidos do que faríamos em campo. (Quando começa o jogo) Vejo que há passes inseguros, domínios ruins, nervosismo, ansiedade e pensei que era a altitude. Mas, depois, notei que eram erros atrás de erros e os jogadores tinham um semblante confuso, impotente, com vontade de chorar", disse Eguez.
"Eu não sabia de nada. Entrei no vestiário chutando a porta e jogando longe as cadeiras, fazendo um escândalo. Perguntei o que estava acontecendo e os jogadores começaram a chorar, alguns gritavam. Foi um ambiente muito pesado. Me disseram: 'Não é nada com você, ameaçaram a mãe do Manuel Ferrel. Tinha que tomar três gols ou pagar um valor porque tinha uma dívida a ser paga com pessoas ruins'", acrescentou.
Com a proporção que tomou a denúncia por parte de representantes do Guabirá, a Federação Boliviana de Futebol (FBF) e a Fiscalia (equivalente ao Ministério Público do país) abriram uma investigação formal sobre o caso. A principal suspeita é que os responsáveis pelas ameaças ao arqueiro do clube goleado estejam ligados a uma rede que busca lucrar com manipulação de resultados.
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