CAS definirá em outubro recurso de Senegal por título da Copa Africana de Nações
Seleção senegalesa teve a conquista revogada após abandonar o gramado na polêmica final contra o Marrocos
A Corte Arbitral do Esporte (CAS) anunciou oficialmente que avaliará, no dia 8 de outubro, o recurso de Senegal envolvendo o desfecho da Copa Africana de Nações. Em janeiro, os senegaleses superaram o Marrocos por 1 a 0 dentro das quatro linhas, mas acabaram punidos com a perda do título por abandonarem o campo de jogo. O comitê da Confederação Africana de Futebol (CAF) acatou a contestação dos marroquinos baseando-se no regulamento que proíbe a saída de atletas durante o andamento de um confronto.
A decisão administrativa acabou revertendo o placar final para 3 a 0 a favor dos donos da casa, que herdaram a taça de campeões. A Federação Senegalesa de Futebol contestou a medida imediatamente e acionou a última instância jurídica internacional. A audiência decisiva ocorrerá em Lausanne, na Suíça, sob sigilo e com portas fechadas. A entidade máxima do direito desportivo confirmou que a sentença definitiva não sairá na mesma data do julgamento.
Polêmicas de arbitragem marcaram final caótica em Rabat
O duelo decisivo no Estádio Príncipe Moulay Abdellah teve contornos dramáticos e ficou marcado pela atuação polêmica do árbitro Jean-Jacques Ndala. As primeiras grandes reclamações aconteceram ainda no tempo normal devido à anulação de um gol da equipe visitante. Mas a situação saiu do controle nos acréscimos, quando o juiz assinalou uma penalidade máxima muito questionável a favor da seleção marroquina.
A revolta tomou conta da delegação de Senegal, que decidiu recolher os jogadores e descer para os vestiários em sinal de protesto. O craque Sadio Mané assumiu a responsabilidade nos bastidores e convenceu os companheiros de equipe a retornarem ao gramado para o encerramento da partida. Na cobrança do pênalti, Brahim Díaz tentou uma cavadinha e facilitou a intervenção do goleiro Édouard Mendy, forçando a disputa da prorrogação.
Gol de Pape Gueye garantiu vitória de Senegal na prorrogação
Senegal manteve a concentração no tempo extra mesmo sob forte pressão das arquibancadas rivais na capital do país vizinho. A recompensa surgiu em uma jogada rápida de contra-ataque construída pelo setor de meio-campo. O volante Pape Gueye finalizou com força de fora da área para superar o goleiro Yassine Bono, assegurando o placar de 1 a 0 na bola rolando.
A batalha migrou para os tribunais logo após a cerimônia de premiação e arrasta-se por meses nos bastidores do futebol africano. Os dirigentes senegaleses sustentam que o retorno ao jogo após o incidente anula o argumento de abandono definitivo da partida. O veredito do tribunal suíço colocará um ponto final na disputa jurídica mais longa da história recente do torneio de seleções.
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