Conto de fadas japonês na Copa SP acaba com vaias e chaveiros a torcida
A Vila Belmiro ainda estava apagada pela tempestade que havia caído minutos antes de a bola rolar, mas os japoneses foram logo a campo dispostos a enfrentar o Santos. Pouco importava se estavam longe de seu país, debaixo de uma forte chuva e diante do atual campeão da Copa São Paulo. O Kashiwa Reysol foi a campo realmente confiante na vitória...
O resultado ficou distante do que os jovens japoneses esperavam. Já aos 3min, Stéfano Yuri abriu caminho com gol de cabeça e o Santos, sem forçar, venceu por 4 a 0 para ir às oitavas de final. Se não foi possível vencer, o Kashiwa Reysol se deu por satisfeito em controlar o jogo, tocar a bola com paciência e até insistência. Para a irritação dos torcedores. Em vários momentos, os santistas vaiaram o rival.
"O mais importante é que conduzimos o adversário, levamos o jogo para o nosso lado", conta o treinador Takahiro Shimotaira, ex-jogador, hoje com 42 anos. "Nesse sentido, podemos dizer que conseguimos o que queríamos. Precisamos é melhorar a qualidade da nossa finalização", emendou o japonês como justificativa para que o irritou os torcedores da casa. "O importante era fazer nosso jogo independente de vaias", lembrou o zagueiro Nakatani.
De modo geral, apesar das reclamações pelo toque de bola insistente, é possível dizer que os japoneses conquistaram o carinho da torcida. Desde Barueri, onde jogaram a primeira fase, até Santos, onde foram eliminados, eles arrancaram aplausos e despertaram simpatia.
"Quando começamos a tocar bem a bola, em Barueri (primeira fase), começamos a receber o carinho da torcida brasileira", lembrou o meia Kobayashi, destaque do Kashiwa. "Isso é algo surpreendente e que não tem no Japão. Rigorosamente não tem. A torcida adversária nunca torce para o nosso time. Isso foi bastante interessante", disse após os 4 a 0.
Na Vila Belmiro, já alguns minutos ao fim do jogo, o zagueiro Nakatani tentava atender aos vários apelos que vinha das arquibancadas. Dos bolsos do intérprete Motoharu Takimoto, ele tirou chaveiros e tentou jogar até o anel superior da Vila. Por lá, cerca de 20 santistas pediam qualquer tipo de lembrança do Kashiwa. Já no vestiário, outros torcedores do time da casa também suplicavam por uma camisa.
Antes ansiosos em conhecer o Brasil e até as mulheres brasileiras, os japoneses voltam a Kashiwa com um saldo bastante positivo na bagagem. Eles venceram o Auto Esporte-PB, o Grêmio Barueri-SP e empataram com o favorito São Paulo na estreia. Foi o 15º time estrangeiro na história da Copa São Paulo, mas o primeiro a passar pelo duro crivo da primeira fase. De quebra, conheceram o Estádio do Morumbi, a Vila Belmiro e o CT de Cotia, por exemplo.
"Nosso objetivo era ganhar, mas de qualquer forma levamos essa experiência para o Japão", definiu Kobayashi. "Voltamos para a pré-temporada com os jogadores profissionais com uma experiência nova", explicou Nakatani.
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