Fifa se esquiva sobre manter pausa para hidratação em 2030, mas vê jogo mais fluido com novas regras aplicadas em 2026
Comitê técnico ainda avalia a manutenção das pausas, enquanto considera positivas as novas regras de 2026 para aumentar o ritmo das partidas
O grupo de estudos técnicos da Fifa (TSG) anunciou neste sábado, 18, que ainda fará uma avaliação mais profunda para decidir se as paradas obrigatórias para hidratação serão mantidas para a próxima Copa do Mundo, em 2030.
As pausas, que antes eram adotadas esporadicamente pelo mundo, especialmente no Brasil, em jogos disputados sob altas temperaturas, foram adotadas como prática obrigatória no Mundial 2026. Oficialmente, a justificativa era que a Copa seria disputada no verão da América do Norte. Extraoficialmente, porém, o que se viu foram 6 minutos a mais de parada comercial durante os jogos, três em cada tempo.
“Vimos que algumas pessoas não gostaram. Eu acho que as paradas não mudaram os resultados da competição. Mas estamos aqui para servir as pessoas, os fãs, os torcedores”, disse Arsene Wenger, ex-técnico e líder do comitê. “Em algumas partidas isso foi muito necessário, vimos algumas diferenças, a forma como cada partida foi gerenciada. Mas fizemos escolhas antes do torneio, vamos analisar isso depois da Copa.”
O comitê apresentou neste sábado uma grande análise técnica do torneio, com dados sobre o desempenho dos jogadores e dos times e o impacto de algumas mudanças no fluxo das partidas. Não houve, porém, nenhuma análise oficial sobre as paradas, o que suscitou três perguntas diferentes dos jornalistas sobre o tema. Ainda assim, Wenger e os colegas não foram claros sobre o que a Fifa realmente achou da mudança.
As paradas foram criticadas por interromperem o ritmo do jogo. Críticos mais contundentes disseram que o futebol deixou de ter dois tempos de 45 minutos e passou a ter quatro tempos de 23. Houve ainda questionamentos pelo fato de vários jogos da Copa serem realizados em estádios fechados e climatizados, o que derrubaria a tese do calor.
Mudanças para acelerar o jogo surtiram efeito
Embora tenha se esquivado sobre as pausas para hidratação, o comitê da Fifa avaliou como positivas as mudanças feitas para acelerar o jogo e acabar com a chamada “cera”. Entre as mudanças estavam um controle maior do tempo para devoluções de bola do goleiro e dos laterais, mais rigor para entrada dos médicos e a polêmica regra que invertia cartões amarelos em caso de simulação.
Segundo os dados apresentados, apenas 12% dos tiros de meta levaram mais de 30 segundos para serem cobrados, enquanto na Copa de 2022 foram 25%. Além disso, as entradas médicas em campo para atender jogadores caídos diminuíram de 2,3 por jogo para 1,6, em média.
“Algumas coisas não se medem, como a frustração das pessoas quando veem alguém caído que não está ferido. Perguntei o que as pessoas acharam, e a reação foi positiva”, disse Wenger. “Eu não acho que isso seja mensurável, mas é eficaz porque se está vendo o jogo e se observa que melhorou a experiência.”
Sobre o fato de a Copa ter saltado de 32 para 48 seleções, o que esticou a Copa do Mundo e promoveu a entrada de seleções estreantes, Wenger afirmou que o suposto desnível entre os times maiores e os menores não se confirmou.
“Esse torneio mostrou que o hiato entre as equipes, a diferença entre grandes e pequenos ficou muito menor. O conhecimento sobre o jogo influenciou. Países como Cabo Verde se saíram extremamente bem. O que se achava antes da Copa, que poderia ser um desastre para algumas seleções, não aconteceu.”
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