Zidane esbarra em nova lei para assumir a seleção da França
Legislação que limita salários nas federações pode adiar a oficialização do ex-treinador do Real Madrid
Didier Deschamps encerrará, no próximo sábado (18), uma trajetória de 14 anos no comando da seleção da França após a disputa da Copa do Mundo de 2026. Com a saída do treinador, Zinédine Zidane desponta como o principal candidato para assumir a equipe, mas um novo obstáculo pode atrasar sua chegada ao cargo.
De acordo com informações divulgadas pelo jornal francês L'Équipe nesta quarta-feira (15), uma nova lei sobre a gestão do esporte profissional estabelece um teto salarial de 450 mil euros (R$ 2.7 milhões) brutos por ano para dirigentes e funcionários das federações esportivas. O texto, aprovado por uma comissão formada por integrantes do Senado e da Assembleia Nacional, ainda precisa ser ratificado antes de entrar oficialmente em vigor.
Apesar do limite, a legislação prevê uma exceção. O Ministério dos Esportes poderá autorizar salários acima desse valor, desde que conceda uma autorização especial.
Caso Zidane ainda não tenha assinado contrato com a Federação Francesa de Futebol (FFF), a entidade dependerá dessa autorização para oficializar o acordo. A outra alternativa seria o ex-treinador do Real Madrid aceitar um salário muito inferior ao recebido por Deschamps, cenário considerado improvável.
A federação poderia antecipar a assinatura do contrato antes da promulgação da nova lei para evitar essa etapa, mas essa possibilidade está sendo tratada com cautela, já que poderia gerar desgaste político.
Ministra dos Esportes da França comenta situação
Questionada sobre o assunto pela emissora France 2, a ministra dos Esportes da França, Marina Ferrari, evitou comentar diretamente a possível escolha de Zidane.
"Ele é um bom nome, mas não cabe ao Ministério dos Esportes decidir quem será o técnico da seleção", afirmou.
Na prática, porém, a ministra terá papel importante no processo. Além de autorizar ou não um eventual salário acima do limite para Zidane, a decisão também poderá afetar os integrantes de sua futura comissão técnica. Isto porque, eles, igualmente, podem ultrapassar o teto previsto na nova legislação.
A situação tem gerado debates na França, já que especialistas avaliam que a medida pode aumentar a influência do poder público em decisões tradicionalmente tomadas pelas federações esportivas.
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