Fluminense tenta proteger contrato com a Superbet no STF; saiba detalhes
Clube calcula impacto superior a R$ 100 milhões com a MP das Bets
O Fluminense participará de audiência no STF para conter os impactos da MP das Bets, que restringe a publicidade de apostas no país. O clube busca proteger seu contrato com a Superbet, válido até 2029, que rende R$ 53 milhões fixos anuais e pode atingir R$ 86 milhões com bônus. A diretoria estima que o prejuízo total supere R$ 100 milhões ao atingir outros ativos comerciais, temendo a desvalorização do espaço e dificuldades de reposição financeira em um mercado saturado de clubes concorrentes.
O Fluminense tenta evitar que a Medida Provisória 1.394/2026, conhecida como MP das Bets, provoque um rombo em seu planejamento financeiro. O clube participará de uma audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), em 3 de novembro, para discutir os efeitos econômicos da medida, que restringiu a operação e a publicidade de casas de apostas no Brasil.
A Agência RTI Esporte apurou que o principal foco é o contrato com a Superbet, patrocinadora máster do Tricolor até dezembro de 2029. O acordo prevê R$ 53 milhões fixos por temporada e outros R$ 33 milhões em bônus condicionados ao cumprimento de metas, podendo alcançar R$ 86 milhões anuais.
O presidente Mattheus Montenegro entende que o impacto da medida sobre o clube ultrapassa R$ 100 milhões, considerando também outras receitas comerciais afetadas. A preocupação vai além da retirada de uma marca do uniforme.
Uma eventual perda de receitas dessa dimensão obrigaria o Fluminense a rever projeções financeiras e buscar alternativas comerciais em um mercado no qual diversos clubes também precisam substituir ou renegociar contratos com empresas de apostas.
Risco financeiro vai além do patrocínio máster
O contrato com a Superbet foi ampliado em março de 2026, com extensão até o fim de 2029 e inclusão de um novo espaço na parte superior das costas da camisa. Considerando as temporadas restantes após 2026, o vínculo prevê R$ 159 milhões em pagamentos fixos, além dos bônus condicionados a metas.
A diferença entre valores garantidos e receitas potenciais é fundamental para dimensionar o risco. Os R$ 53 milhões anuais representam cerca de R$ 4,4 milhões por mês. Já os R$ 33 milhões adicionais dependem do cumprimento das condições estabelecidas no contrato e não podem ser tratados como dinheiro assegurado.
A pressão financeira, porém, não se limita à parceria máster. Segundo Mattheus Montenegro, o impacto total supera R$ 100 milhões, considerando outros ativos comerciais atingidos pela medida. Entre as preocupações estão contratos de publicidade, materiais promocionais e uniformes produzidos antecipadamente com a marca da patrocinadora.
O cenário cria um problema adicional para o orçamento tricolor: mesmo que o clube encontre outro patrocinador, não há garantia de que a nova negociação preserve os valores atuais. Com várias equipes procurando alternativas simultaneamente, a concorrência por empresas de outros segmentos pode pressionar os preços dos espaços comerciais.
Em vez de apenas substituir uma marca, o Fluminense precisa tentar preservar o valor financeiro de propriedades que já estavam negociadas até 2029. A diferença entre o contrato atual e uma eventual nova parceria pode afetar as receitas projetadas para as próximas temporadas.
Fluminense leva preocupação ao STF
A audiência pública foi convocada pelo ministro Luiz Fux e está marcada para 3 de novembro, às 10h, na sala de sessões da Segunda Turma do STF. Além do Fluminense, participarão Flamengo, Botafogo, Cruzeiro, São Paulo, Corinthians, Ponte Preta, Vitória, Guarani e Portuguesa, além da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Também foram chamados representantes do governo federal, incluindo a Advocacia-Geral da União (AGU) e o Ministério da Fazenda, além de associações ligadas ao mercado de apostas e a outros setores econômicos.
Publicada em 25 de setembro de 2026, a MP restringiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no país. A medida provocou questionamentos judiciais de clubes e entidades preocupados com a segurança jurídica dos contratos firmados antes da mudança.
O Fluminense busca apresentar seus argumentos para que os efeitos econômicos da medida sejam considerados na discussão. A audiência, contudo, não garante uma decisão favorável nem assegura a manutenção dos patrocínios.
Para o Tricolor, o risco é concreto no planejamento: preservar a parceria com a Superbet significa defender uma receita fixa de R$ 53 milhões por ano e evitar que a necessidade de reposição de patrocínios amplie a pressão sobre o orçamento até 2029.
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